Movimentos sociais apoiam presidenta Dilma Rousseff e pedem que não haja retrocessos

A presidenta Dilma Rousseff faz ato de diálogo com os movimentos sociais.

A presidenta Dilma Rousseff faz ato de diálogo com os movimentos sociais.

Representantes de dezenas de movimentos sociais se reuniram hoje (13/08/2015), em Brasília, para apoiar a presidenta Dilma Rousseff. Eles se posicionaram contra qualquer proposta de fim do mandato presidencial antes de 2018 e reafirmaram suas demandas contra as consequências do ajuste fiscal nos programas sociais. Por mais de uma hora, a presidenta ouviu os representantes de oito entidades que, em uníssono, entoaram palavras de ordem como “Não vai ter golpe” e “Teve Copa, teve tudo, só não vai ter terceiro turno”.

A presidenta Dilma Rousseff participa do evento Diálogo com os Movimentos Sociais, no Palácio do Planalto (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
A presidenta Dilma Rousseff participa do evento Diálogo com os Movimentos Sociais, no Palácio do PlanaltoFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Após a reunião, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, disse que a popularidade da presidenta Dilma Rousseff tende a aumentar à medida que ela passar a receber apoios como o de hoje e as políticas do governo começarem a ser implantadas.

A principal linha de raciocínio dos oradores, durante o encontro que reuniu mais de 800 pessoas, de acordo com o Palácio do Planalto, foi a de que os movimentos sociais deverão estar unidos a favor da democracia e contra setores que tentam derrubar o governo.

Coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos, fez um alerta aos que chamou de “golpistas que se utilizam da insatisfação social para impor o seu projeto político e para atacar a democracia”. “Esses estão por aí em várias partes do país semeando intolerância, ódio, preconceitos. Queremos dizer aqui, em alto e bom som: essa turma dos Jardins, do Leblon, Lago Sul não representa o povo brasileiro”, disse, citando bairros de classe média de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Brasília, respectivamente.

“Para ter impeachment precisa ter crime de responsabilidade, e sabemos que, contra a presidenta, não há qualquer indício ou acusação. Nós, dos movimentos sociais, falo pelos estudantes brasileiros, apoiamos a continuidade do seu mandato, porque damos valor à democracia, à legalidade, sabemos que nosso apoio não é só pela legalidade e democracia”, afirmou a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Carina Vitral.

Miguel Rossetto considerou este um “momento singular na história da relação da presidenta com os movimentos sociais”. “O que os movimentos fizeram foi uma afirmação pela legalidade constitucional, pelo reconhecimento institucional. Expressaram imensa sólida consciência democrática”, disse em entrevista à imprensa após o evento.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, foi além em seu discurso. “O que se vende hoje no Brasil é a intolerância, o preconceito de classe contra nós. Somos defensores da unidade nacional, de um projeto nacional. Isso significa ir para as ruas, entrincheirados, com armas na mão, se tentarem derrubar a presidenta Dilma. Qualquer atentado à senhora ou ao ex-presidente Lula, nós seremos o exército que vai enfrentar essa burguesia”, declarou, sob aplausos.

“Nós vamos para o campo, vamos jogar porque aqui não falta artilheiro, temos disposição para enfrentar essa batalha”, acrescentou Adilson Araújo, escolhido para falar em nome da Central dos Trabalhadores Brasileiros.

As principais bandeiras dos movimentos sociais também foram defendidas com ênfase e apoio dos presentes. Raimundo Bonfin, da Central de Movimentos Populares, disse que o governo “tem de taxar as grandes fortunas e combater de forma dura a sonegação fiscal”. “Os coxinhas que vão pra rua dizem que sonegação não é corrupção. É corrupção, sim, porque tira dinheiro dos programas sociais e do desenvolvimento econômico.”

Bonfin disse também ser contrário a projetos que restringem as políticas urbanas que alteram o caráter universal do Sistema Único de Saúde (SUS) e favoreçam a penalização das pessoas que tiraram dinheiro do país para investir no exterior. “Queremos impulsionar a PEC [proposta de emenda à Constituição] da moradia digna. Tenha coragem de vetar projeto de lei do antiterrorismo. Tem um item que deixa brecha para criminalizar a atuação dos movimentos sociais. Quando houver depredação ao patrimônio publico, será tipificado como crime.”

“A educação deveria ser poupada do ajuste fiscal”, pediu a presidenta da UNE. “Que não falte recursos especialmente para o Minha Casa, Minha Vida”, disse o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, Alberto Broch.

A representante das mulheres pescadoras Eleonice Sacramento solicitou da presidenta Dilma a implementação efetiva da política nacional dos povos e comunidades tradicionais e que as pescadoras sejam consultadas antes da concretização dessas políticas. “Nós que apostamos no seu governo, na gestão da presidenta Dilma, não em outros. Mas que votamos e acreditamos na senhora, não teremos vida para continuar defendendo o seu governo se nossos territórios não forem garantidos.”

Em referência às propostas apresentadas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), chamada Agenda Brasil, para o crescimento econômico do país após o ajuste fiscal, os movimentos também se manifestaram. Boulos disse que “a agenda do Brasil não é a agenda do Renan”. “A agenda do Brasil é a agenda do povo, de distribuição de renda e reformas sociais”, destacou. Durante o evento, por várias vezes, os representantes de movimentos sociais repetiam frases contra o presidente da Câmara dos Deputados e o ministro da Fazenda: “Fora já, fora já daqui, o Eduardo Cunha junto com o [Joaquim] Levy”.

“Agora tem lideranças propondo agendas para o Brasil. Nós também queremos discutir uma agenda durante a crise, mas principalmente pós-ajuste e pós-crise econômica. O que queremos é que você [Dilma] coloque o pé no acelerador das mudanças. Queremos que se posicione contra criminalização dos movimentos sociais”, disse Carina Vitral, da UNE.

Vagner Freitas

Após a reunião, o presidente da CUT foi procurado para esclarecer o que quis dizer com “pegar em armas”. Segundo Vagner Freitas, em nenhum momento, a sua intenção foi a de indicar que a população deveria usar a “força bélica” e sim a de que se promovam atos públicos e greves no caso de atentados à democracia.

De acordo com o presidente da CUT, a declaração foi um “mal-entendido”, que “obviamente não estava incitando a violência” e que se referia às “armas da democracia e ao debate de ideias”, feito pela classe operária. “Se sou contra a intolerância da direita que não aceita vitória da presidenta, não seria eu a praticar uma intolerância maior ainda”, disse.

*Com informações da Agência Brasil.

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