Líderes do PSDB defendem movimento de ruptura com a ordem democrática com convocação de novas eleições

Deputado Carlos Henrique Focesi Sampaio defende ruptura com a ordem democrática.

Deputado Carlos Henrique Focesi Sampaio defende ruptura com a ordem democrática.

Os líderes do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), e no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), defenderam, durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (06/08/2015), um movimento em prol de novas eleições diretas para a Presidência da República. Os tucanos acreditam que apenas a sociedade pode dar legitimidade para que um novo governante trace um projeto de país e supere a crise política e econômica atual.

A defesa feita pelos líderes tucanos segue no sentido de que a sociedade cobre a realização de um novo pleito que se dará após a comprovação de irregularidades na campanha petista em 2014. “Em setembro, o julgamento do TSE vai implicar na cassação dos mandatos daqueles que foram eleitos, caso comprovada a criminalidade das condutas nas eleições. Isso é um fato concreto e que antecede qualquer julgamento de impeachment dentro da Câmara. É uma constatação inequívoca”, explicou Sampaio.

Ruptura

O discurso político do PSDB encontra eco no Democratas (DEM). Esses partidos adotam uma abordagem de ruptura com a ordem democrática, com a finalidade de restabelecerem o poder político, perdido desde a eleição do ex-presidente Lula em 2002.

Observa-se um discurso golpista, algo similar a aprovação da Emenda Constitucional que possibilitou a candidatura a reeleição de representantes do poder executivo. O golpe ocorreu no primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e objetivou beneficiar o presidente no exercício do poder.

Modificar o calendário eleitoral dos que se encontram no poder, ou estabelecer regras que beneficia quem está no poder é uma forma de corromper o sufrágio com a finalidade de estabelecer novas relações. Prática recorrente entre os partidos golpistas de direita e centro-direita.

Sintomaticamente, o DEM é o partido que deu sustentação ao golpe de 1964, sendo corresponsável por uma política de Estado que construiu uma das nações mais desiguais do planeta. Democratas e PSDB tem algo em comum, ambos adotam políticas capitalistas que ampliam a concentração de riqueza em uma país desigual.

TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisa pedido de cassação da chapa encabeçada por Dilma nas eleições do ano passado. A petição, assinada pelo PSDB, aponta diversas irregularidades passíveis de serem consideradas como abuso de poder político e econômico. Entre elas o uso indevido dos meios de comunicação e utilização da cadeia nacional de rádio e televisão para fazer promoção pessoal da então candidata à reeleição. Na ação é citada ainda a campanha milionária que superou a soma das despesas de todos os demais candidatos e o recebimento de doações de empreiteiras contratadas pela Petrobras como parte da distribuição de propinas.

Sampaio explicou que a proposta em prol de um movimento a favor de novas eleições vai ao encontro de afirmativas feitas pelo vice-presidente, Michel Temer, de que o país precisa de uma pessoa que possa conciliar os interesses nacionais e encontrar uma saída para a crise.

“Temos dois pontos em comum com a fala dele. Reconhecemos que Dilma não tem autoridade para promover qualquer mudança ou união do país para transpor os muitos obstáculos existentes. Também concordamos que é preciso identificarmos uma pessoa que possa de fato construir um projeto nacional para salvar a nação da grave crise ética e política que se encontra. Mas essa pessoa só terá condições para isso se for legitimada pelo voto popular”, destacou o deputado.

Cássio Cunha Lima endossou as declarações de Sampaio. “Não vamos construir a solução apenas dentro dos muros do Congresso. Só trazendo a população para construir a solução é que vamos dar essa legitimidade a alguém”, avaliou. O senador negou que tenha havido uma postura conspiratória nas declarações feitas por Temer e disse que o Brasil vive um momento completamente diferente daquele que levou ao impeachment de Collor.

De acordo com os parlamentares, a iniciativa é legítima e tem base constitucional, já que a Carta Magna diz que todo poder emana do povo. Os tucanos rechaçaram qualquer possível interpretação de golpe e voltaram a afirmar que os encaminhamentos jurídicos devem continuar – pedido de impugnação da candidatura de Dilma e Temer no TSE e análise das contas do governo no TCU. A avaliação de ambos, porém, é de que será necessário convocar novas eleições diante da comprovação das irregularidades praticadas pela campanha petista.

Crise e homenagem

Sampaio afirmou que o programa partidário do PT, que será veiculado na noite desta quinta-feira, zomba dos brasileiros. Segundo observou, os petistas tratam com ironia os panelaços realizados pela população durante os pronunciamentos da presidente da República, desconsiderando que isso é uma demonstração da indignação da sociedade pelas mentiras da petista e de seu governo. “Por essa razão fazemos o chamamento nacional para que os brasileiros estejam nas ruas no dia 16 de agosto nesse amplo movimento social para que juntos possamos externar a nossa indignação com esse governo criminoso”.

O deputado considerou uma homenagem o fato de sua foto e de outros integrantes do PSDB aparecerem na propaganda partidária do PT como pessoas contrárias ao governo. “Me senti honrado e homenageado em ter minha foto colocada no programa do PT como alguém que se contrapõe ao governo deles, pois nos indignamos com o que aí está. Denunciar irregularidades, apontar as mentiras e identificar os criminosos é dever da oposição.”, disse.

Sampaio rechaçou, porém, que a oposição seja acusada de causar qualquer tipo de crise no país. “Um governo que começou com ampla maioria na Câmara e hoje tem menos de 130 parlamentares, não foi por uma ação da Oposição, pois eles eram 400 e nós cerca de 100. Assim como também não foi uma ação da oposição que levou o Brasil a esse grave crise”, avaliou. A volta do ex-ministro José Dirceu à prisão comprova, de acordo com ele, onde está o cerne da crise: no coração do PT. “É o proceder do governo que leva à indignação das ruas.”

*Com informações do PSDB.

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