Justa homenagem | Por Luiz Holanda

Luiz Holanda é advogado, professor universitário e conselheiro do Tribunal de Ética da OAB/BA.

Luiz Holanda é advogado, professor universitário e conselheiro do Tribunal de Ética da OAB/BA.

A Câmara Municipal, em sessão especial de sexta-feira passada, homenageou o tenente-coronel aviador Marcelo Lobão Schiavo, comandante da Base Aérea de Salvador, com a medalha Tomé de Souza. Primeiro governador-geral do Brasil colônia, Tomé de Souza fundou nossa cidade, na época denominada de São Salvador da Bahia de Todos os Santos, primeira capital do Brasil.

Esta bela metrópole é uma das cidades mais antigas da América, batizada com vários nomes como “Bahia”, “Roma Negra” e “Meca da Negritude”. Esta última designação deve-se ao fato de sua população ser de maioria negra. Segundo Mãe Aninha, fundadora do Ilê Axé Opó Afonjá, assim como Roma é o centro do catolicismo, Salvador é o centro do culto dos orixás. E foi justamente nesse centro, representado pela Câmara de Vereadores, que o ilustre, culto, simpático e educado militar recebeu a maior comenda do município.

A medalha é concedida justamente às personalidades que tenham prestado relevantes serviços ao município, e foi requerida pelo vereador Henrique Carbalall, que contou com o apoio unânime dos seus colegas edis. Emocionado, o tenente coronel Schiavo, em seu eloquente discurso, relembrou sua infância desde João Pessoa, onde nasceu, até chegar à nossa capital, como comandante de uma das maiores unidades militares do país.

O coronel-aviador Adolfo Aleixo da Silva, seu antecessor, ao passar-lhe o comando da Base Aérea citou uma frase da poética canção de Milton Nascimento – “O trem que chega é o mesmo da partida”-, traduzindo a vida do militar, composta de idas e vindas.

Assim também é a vida do homenageado, que já esteve entre nós nos primeiros anos de seu oficialato. Chegou como tenente e saiu como capitão. Voltou como tenente-coronel, justamente para comandar a Base onde serviu. No próximo dia 31 deverá ser promovido a coronel. A partir daí é o futuro, um cômodo lugar para se depositar os sonhos, segundo Anatole France.

O jovem tenente-coronel Schiavo, durante a cerimônia da entrega da medalha demonstrou ser um homem culto e civilizado, com a classe de berço, própria dos que já nascem gentlemen. E a prova de sua importância e prestígio foi demonstrada pelas autoridades presentes, entre as quais o ex-ministro da Defesa, vereador Valdir Pires, o desembargador Baltazar Miranda, representando o presidente do TJ/BA, Eserval Rocha e inúmeras autoridades civis e militares.

No final do seu discurso, Marcelo Lobão Schiavo afirmou, citando Cícero, que nenhum dever é mais importante do que a gratidão. Realmente, é através desse sentimento que o povo agradece aos que, como os militares, oferecem suas vidas no presente para garantir o futuro do seu país. A gratidão dos baianos ao ilustre homenageado está representada na medalha que lhe foi concedida. Que ele a use no seu lado esquerdo, onde se ouve o pulsar do destino.

*Luiz Holanda é advogado, professor universitário e conselheiro do Tribunal de Ética da OAB/BA.

Sobre o autor

Luiz Holanda
Luiz Holanda é advogado e professor universitário, possui especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP); Comércio Exterior pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo; Direito Comercial pela Universidade Católica de São Paulo; Comunicações Verbais pelo Instituto Melantonio de São Paulo; é professor de Direito Constitucional, Ciências Políticas, Direitos Humanos e Ética na Faculdade de Direito da UCSAL na Bahia; e é Conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/BA. Atuou como advogado dos Banco Safra E Econômico, presidiu a Transur, foi diretor comercial da Limpurb, superintendente da LBA na Bahia, superintendente parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia, e diretor administrativo da Sudic Bahia.