Imprensa europeia diz que protestos no Brasil perdem força

Veículos de comunicação do exterior comentam protestos no Brasil.

Veículos de comunicação do exterior comentam protestos no Brasil.

Os jornais europeus desta segunda-feira (17/08/2015) dedicaram várias páginas às manifestações contra Dilma Rousseff, que aconteceram por todo o país no domingo (16). Embora todos tenham destacado o recorde de rejeição à presidente e a amplitude dos protestos, a imprensa europeia observou que o número de pessoas nas ruas diminuiu em relação a março e abril e lembrou o pacto governamental que permitiu a Dilma dar sobrevida ao ajuste fiscal. Outra coisa que chamou a atenção dos jornais foi o grau de conservadorismo das manifestações.

O espanhol El País observa que esse movimento “majoritariamente das classes médias”, “embora use a luta contra a corrupção como argumento central para derrubar o governo, evita pressionar pessoas implicadas nas denúncias de corrupção, como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha”.

A publicação entrevistou algumas pessoas que estiveram na manifestação. Entre elas, um aposentado que pede a “privatização de todos os órgãos públicos” e uma professora que exige que “o exército elimine todos os políticos e feche a Câmara e o Congresso”.

Magia do Lula

Os jornais franceses se espantam com a parilisia do governo e do PT diante dos protestos. O Le Figaro afirma que Dilma chegou a convocar os movimentos sociais para defendê-la nas ruas, mas que as bases não conseguem defender a agenda conservadora do governo. O Le Monde também observa a decepção dos eleitores do PT, que viram extinguir-se a “magia do Lula”.

O inglês The Guardian destaca o clima festivo dos protestos: “Com famílias e amigos tirando selfies e socializando sob o calor escaldante, o clima era de bom-humor. Mas, do alto de um trio elétrico, um homem vestido de Capitão América lembrava a multidão que ‘isso não é carnaval'”.

O diário lembrou que dois terços da população querem Dilma fora do Planalto, mas que não existe um argumento jurídico para abrir o processo de impeachment.

Paradoxo

Um cientista político entrevistado pelo jornal português Público explica que o Brasil vive um paradoxo: o governo não pode governar nem pode cair, já que a maioria se assusta diante da perspectiva de viver sob uma gestão peemedebista. Principalmente depois das manobras de Eduardo Cunha, que tenta explodir na Câmara o orçamento da União para impedir a passagem do ajuste fiscal, prioritário para o governo.

*Com informações da RFI.

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