Frase ‘somos todos uma família, somos todos Odebrecht’, revela acultura de integração da companhia

Construtora Norberto Odebrecht (CNO) desenvolve cultura interna de lealdade à companhia.

Construtora Norberto Odebrecht (CNO) desenvolve cultura interna de lealdade à companhia.

Os Odebrecht constroem no Brasil desde 1856, ano em que um jovem engenheiro chamado Emil chegou a Blumenau, em Santa Catarina, integrando uma das levas de imigrantes alemães que vieram para o País no século 19. A empreiteira foi fundada na década de 1940 pelo avô de Marcelo, Norberto Odebrecht. Desde o início, a filosofia gerencial combinou a ética protestante de trabalho — incutida em Norberto por um pastor luterano que foi seu preceptor na infância — com as ideias de um dos gurus da administração de empresas, o americano Peter Drucker.

Mais recentemente, a Odebrecht expandiu e passou a atuar em setores variados, da petroquímica ao reflorestamento. Tendo sobrevivido à crise cambial de 1999, a empresa se beneficiou da enxurrada de investimentos em infraestrutura realizados durante o governo Lula. A companhia também abocanhou muitos contratos em outros países ricos em recursos naturais — onde já desenvolvia atividades —, de Angola à Venezuela. Atualmente o grupo emprega 181 mil pessoas em 21 países. A Braskem, sua inovadora unidade de petroquímica (constituída em sociedade com a Petrobrás), tem ações na bolsa de valores de Nova York e ostenta orgulhosamente uma nota de crédito com grau de investimento, o mesmo rating que, a despeito do envolvimento no escândalo da Petrobrás, as agências de classificação de risco continuam atribuindo ao braço de construção civil do conglomerado, por conta de seu baixo nível de endividamento e de uma dívida líquida negativa de R$ 1,5 bilhão.

O sucesso da Odebrecht se deve, em parte, a uma sólida cultura interna. Os funcionários da companhia, que recebem internamente o nome de “integrantes”, devem estudar os cinco livros escritos por Norberto e são sabatinados quanto a seus ensinamentos. Nos cinco primeiros anos de um “integrante” na empresa, seu desempenho é avaliado sobretudo com base na assimilação da cultura corporativa. As metas, que constituem o outro elemento de avaliação, são estabelecidas conjuntamente por superiores e subordinados, que em seguida recebem grande liberdade para cumpri-las — e que, quando o fazem, são recompensados com generosas participações nos lucros. O resultado é um senso de lealdade quase religioso. Um grupo fechado no Facebook, chamado Odebrecht Unidos, conta com mais de 17 mil participantes, em sua maioria funcionários. A veneração à companhia não conhece limites: “Somos todos uma família, somos todos Odebrecht!”, postou um discípulo.

*Com informações da The Economist.

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