Fato inédito em Feira de Santana: nove dias sem transporte público | Por Marialvo Barreto

Marialvo Barreto é professor e ex-vereador pelo PT de Feira de Santana.

Marialvo Barreto é professor e ex-vereador pelo PT de Feira de Santana.

Tenho apenas 35 anos residindo em Feira de Santana, e, neste período, pela primeira vez sou testemunho de uma grande irresponsabilidade que levou o Município a ficar sem transporte coletivo por nove dias, até a presente  data.

Empresas e Prefeitura erraram, mas erraram feio, causando um gigantesco prejuízo aos usuários, ao comércio que praticamente parou, e à educação, pois deixou a  UEFS as diversas faculdades sem aulas e as escolas do ensino fundamental e ensino médio com frequência irrisória. Todos os segmentos foram afetados.

Alguém tem que pagar por isso. Um prejuízo tão grande como este, causado pela suspensão dos serviços de transporte público,  acredito ser mais do que suficiente para levar os seus responsáveis para as grades. Se fosse uma greve de motoristas, por todo este período, a justiça já tinha mandado para a cadeia as suas lideranças e estipulado multas diárias astronômicas. O judiciário baiano tem o dever de punir os responsáveis (empresas e gestores públicos) por este caos, caso contrário, terá sua credibilidade mais ainda reduzida perante a sociedade.

O Poder Público Municipal liberou o transporte clandestino neste período, e, até o estimulou, para a realização do chamado ligeirinho. Difícil mesmo, vai ser acabar agora com este serviço. Na lógica de quem o pratica rola a seguinte avaliação: “ não sairemos mais”, é o que tenho escutado. O problema está criado, ou melhor, o problema agora está ampliado, isto porque o ligeirinho já existia, com a explícita conivência de que deveria coibir, mas não podia, devido ao péssimo serviço dos ônibus.

Hoje, em programa de rádio o Sr Prefeito tentou jogar a culpa para os motoristas, insinuando que de hoje para frente, se os ônibus emergenciais não rodarem a culpa seria dos profissionais do volante, e até fez apelo para retorno ao trabalho, como se fossem eles que paralisaram o sistema. No mesmo programa, a representante da empresa desfez a insinuação do Prefeito, afirmando apenas que a documentação dos motoristas foi enviada, mas que não havia ainda assinado as carteiras de trabalho, que até quarta feira os ônibus não rodariam.

Os motoristas e o sindicato devem estar atentos, para que não transfiram para os mesmos a responsabilidade das incompetências alheias.

Este tem sido o pior momento da gestão pública, neste meus 35 anos de Feira de Santana.

*Marialvo Barreto é professor e ex-vereador pelo PT de Feira de Santana.

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