Em parecer técnico sobre o ‘Sistema BRT Feira de Santana’, Associação Feirense de Engenheiros relata graves falhas no projeto da prefeitura

Páginas 11 e 12 do parecer técnico sobre o ‘Sistema BRT Feira de Santana’ encomendado pela AFENG.

Páginas 11 e 12 do parecer técnico sobre o ‘Sistema BRT Feira de Santana’ encomendado pela AFENG.

Páginas 14 e 17 do parecer técnico sobre o ‘Sistema BRT Feira de Santana’ encomendado pela AFENG.

Páginas 14 e 17 do parecer técnico sobre o ‘Sistema BRT Feira de Santana’ encomendado pela AFENG.

A Associação Feirense de Engenheiros (AFENG), CNPJ no. 07.773.784/0001-30, apresentou parecer técnico resultado da análise do ‘Sistema BRT Feira de Santana’, e o impacto da implantação no sistema urbano das Avenidas Getúlio Vargas e João Durval, e demais vias envolvidas na implantação do BRT (Bus Rapid Transit – Sistema de Transporte Público Rápido por Ônibus).

Entregue no dia 18 de agosto de 2015, o parecer técnico foi elaborado por Maria de Fátima Silva, arquiteta e urbanista – especialista em transporte urbano; Nei Simas Andrade de Oliveira, arquiteto e urbanista – especialista em transporte urbano; Arthur Campora Szász, engenheiro civil – especialista em transporte urbano; Carmen Silvia de Carvalho Bueno, engenheira civil – especialista em transporte urbano; e Teodoro Irigaray,Doutor em Direito Ambiental.

Contendo 27 páginas, o documento apresenta relato sobre as falhas identificadas na elaboração e implantação do Sistema BRT Feira de Santana, notadamente, o fato do volume de pessoas a ser transportado pelo sistema ser significativamente pequeno, o que inviabiliza a implantação do projeto e, caso implantado, provocará sobrepreço no custo da tarifa de transporte público.

Confira alguns pontos abordados no parecer técnico 

– Bus Rapid Transit (BRT) é um sistema de transporte por ônibus de alta qualidade, que realiza mobilidade urbana rápida e eficiente, com custo eficiente, através da provisão de infraestrutura segregada, com prioridade de passagem, operação rápida e frequente e com excelência em marketing e serviço ao usuário. BRT basicamente imita as características de desempenho e conforto dos modernos sistemas de transporte sobre trilhos (metrô, VLT, trens urbanos etc.), mas com uma fração do seu custo.

– O projeto do BRT de Feira de Santana foi contratado com a solução já definida, sem apresentação de qualquer documentação de estudo de viabilidade técnica, que justificasse serem as Avenidas Getúlio Vargas e João Durval os corredores idôneos para a implantação de projeto de envergadura tão importante para a cidade e para o sistema de transporte público municipal.

– É importante mencionar que, mesmo que o projeto considere na sua análise os passageiros que estarão fora do BRT para justificar a “demanda de transporte público” (por serem linhas que provém de outros corredores da cidade e não serão atendidas pelas estações do sistema BRT), o volume a que se chega ao ponto e momento mais crítico do dia são 5 mil passageiros por hora/sentido, enquanto a solução empregada de estações fechadas com ônibus articulado é tecnologia para atender a 40 mil passageiros por hora/sentido tal qual um sistema de metrô (ver neste documento o Capítulo 2 – Conceito de BRT e página 10 do projeto Funcional do BRT).

– Além de apresentar problemas de viabilidade técnica no que diz respeito a implantação e aporte de recursos financeiros em sistema BRT, a solução proposta de “Estação Fechada e Partilhada nos dois sentidos” para o Corredor Getúlio Vargas traz consigo também um grande dano ambiental, sem nenhum retorno positivo, seja para os usuários de transporte público, para a população ou para o meio urbano no qual está Avenida está inserida.

– Por fim, exortamos ainda as autoridades competentes, no sentido de que antes de transformar a cidade em canteiro de obra e de destruição do patrimônio ambiental da cidade, é preciso que seja avaliada a solução adequada para o carregamento de passageiros existente, o tempo de implantação das soluções e a função dentro da rede de transporte que o projeto vai exercer.

Baixe 

Parecer técnico sobre o ‘Sistema BRT Feira de Santana’ encomendado pela AFENG

Projeto do BRT elaborado pela Prisma Consultoria para a Prefeitura de Feira de Santana

Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.