Classe artística discute políticas para a música na Bahia

Governo continua desrespeitando trabalhadores.

Encontro entre o Colegiado Setorial de Música, instância de participação da sociedade civil, e a diretora da Fundação Cultural do Estado da Bahia.

O encontro entre o Colegiado Setorial de Música, instância de participação da sociedade civil, e a diretora da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), Fernanda Tourinho, marcou o início dos debates das políticas de cultura para a linguagem artística. A reunião teve início nesta terça-feira (28/07/2015) pela manhã e segue até amanhã (29.07), a partir das 10h, quando a classe definirá e discutirá as principais pautas do setor, dentre elas, o plano setorial, cujas metas irão para consulta pública junto com outros planos setoriais.

A diretora da FUNCEB ressaltou que, embora o orçamento da Cultura ainda não esteja aberto, é possível trabalhar com ações que não exijam tantos recursos, em articulação com a sociedade civil através dos colegiados e do Conselho Estadual de Cultura. “Não podemos desconsiderar esse avanço que se dá na história da democracia brasileira”, destaca, sobre a importância das reuniões dos colegiados.

Fernanda disse que vai priorizar o Calendário das Artes, pois é um recurso que chega diretamente à sociedade civil, em forma de prêmio, facilitando assim nos trâmites burocráticos, com prazo de até dezembro. A gestora também esclareceu sobre o Fundo de Cultura da Bahia (FCBA) e orientou que os artistas buscassem mais entendimento sobre o funcionamento da máquina pública administrativa, mecanismo de repasses, além da arrecadação das empresas mantenedoras dos recursos do Fundo.

A gestora apresentou membros da equipe que atua na gestão de Música na FUNCEB, Marle Macedo, diretora do Centro de Formação em Artes (CFA) e Alessandra Pamponet, coordenadora de Música da Fundação, ambas oriundas do projeto Axé, organização na qual Fernanda também trabalhou. “Usamos muito daquilo que trouxemos de lá: pensar politicamente a educação pública e como a arte deve estar dentro da educação. A arte é educação”, considera.

Fernanda Tourinho chamou a atenção para o programa Educar Para Transformar, do governo estadual, com o qual a FUNCEB tem alinhamento a partir do objetivo de formação com base artística. “Para isso queremos que as escolas recebam músicos, em parceria”, instiga.

Valorização do interior 

O Colegiado Setorial de Música também conta com participação de artistas do interior da Bahia, que levam anseios de seus respectivos territórios, como também de diversos segmentos da música. É o caso de Letto Nicolau, da Filarmônica Capitania dos Ilhéos, da cidade de Ilhéus, Litoral Sul. Seu questionamento é centralizado no Programa de Apoio às Filarmônicas, da FUNCEB e como o Estado deve sensibilizar os prefeitos no apoio ao segmento.

Kuka Mattos, assessor de relações institucionais da FUNCEB, respondeu que a Superintendência de Desenvolvimento da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Sudecult/SecultBA) apoia os diálogos no interior, promovendo o Fórum de Dirigentes Municipais da Cultura, em parceria com a Adimcba (Associação de Dirigentes Municipais de Cultura), espaços onde também podem ser discutidas questões como as colocadas pelo membro da sociedade civil, Nicolau.

Fernanda também inferiu a possibilidade da realização de encontros nos territórios, com os setores articulados, a exemplo de aproximações entre universidades e filarmônicas. Também acrescentou que as cidades devem abrir espaços para coletivos e grupos musicais se apresentarem em projetos realizados em parceria, como é o que acontece entre a FUNCEB e o IPAC (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia), com o MUSEUCURTOARTE, de Dinamização Artística dos Museus.

Alessandra Pamponet, por sua vez, esclareceu a importância das filarmônicas e outros grupos musicais se articularem em redes sociais com as novas tecnologias. “Conferência apenas não é a solução, mas sim o compartilhamento de experiências. A cadeia produtiva da música não vive apenas em função de edital, mas na organização do setor”, disse, exemplificando casos promissores do segmento, como o Circuito Fora do Eixo e a Rede Motiva.

A Música na periferia também foi abordada. Jamerson Silva, músico da Rede Motiva, defendeu a necessidade que a Música alcance diversos públicos: “A formação de público é uma grande solução para sairmos da dependência de editais”.

A existência dos Colegiados está prevista na Lei Orgânica da Cultura da Bahia (Lei 12.365/2011) e se fundamenta como uma instância de consulta, participação e controle social das políticas públicas. Os cidadãos que representam a sociedade civil foram eleitos pela própria comunidade artística. São 36 eleitos, seis para cada setor, além de suplentes. Eles trabalham juntamente com três representantes do poder público indicados pela SecultBA. Mais informações sobre os colegiados acesse: http://colegiadossetoriais.blogspot.com.br/

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