Chefe da força-tarefa do caso Lava Jato, procurador Deltan Dallagnol comenta sobre possível investigação do ex-presidente Lula

Carlos Augusto e o procurador da República Deltan Dallagnol. Entrevista abordou possível envolvimento do ex-presidente Lula e longo período das prisões preventivas.

Carlos Augusto e o procurador da República Deltan Dallagnol. Entrevista abordou possível envolvimento do ex-presidente Lula e longo período das prisões preventivas.

Jornalista questiona procurador sobre evidências de corrupção anterior há 2004. O caso Lava Jato compreende crimes cometidos no período de 2004 a 2014.

Jornalista questiona procurador sobre evidências de corrupção anterior há 2004. O caso Lava Jato compreende crimes cometidos no período de 2004 a 2014.

Deltan Dallagnol: “existe alguns crimes que aconteceram antes de 2004 que estão sob investigação.”.

Deltan Dallagnol: “existe alguns crimes que aconteceram antes de 2004 que estão sob investigação.”.

O diretor e editor do Jornal Grande Bahia, Carlos Augusto, entrevista o procurador da República Deltan Dallagnol. A entrevista foi concedida na sede do Ministério Público Federal (MPF) em Salvador, na sexta-feira (07/08/2015), durante workshop para jornalistas e lançamento da campanha ‘Dez medidas contra a corrupção’.

Deltan Dallagnol chefia a força-tarefa do caso Lava Jato. A equipe é composta por nove procuradores da República. O caso está sob jurisdição da justiça federal do Paraná e envolve servidores públicos federais, personalidades da República e altos executivos de algumas das mais destacadas empresas privadas do país.

A partir das investigações do caso Lava Jato, a entrevista aborda se existem indícios de corrupção anterior há 2004, estimativa de quantas e quais estruturas do Estado foram corrompidas, e quando o caso Lava Jato chega ao fim. A entrevista aborda, também, as críticas do STF com relação ao longo período das prisões preventivas, e comentários da imprensa que informam que os procuradores se referem ao ex-presidente Lula (Luiz Inácio Lula da Silva) como peixe-grande, e que os procuradores questionam os presos da Lava Jato se eles teriam informações sobre o envolvimento de peixe-grande.

Confira a entrevista

Jornal Grande Bahia – O senhor tem alguma evidência que aponta para atos de corrupção em data anterior a 2004? Tem estimativas de quando as denúncias decorrentes da investigação da Lava Jato chegam ao fim? Nesse contexto poderia pelo menos estimar, se não dizer quantas e quais estruturas do estado brasileiro foram afetadas?

Delton Dallagnol – Em relação as primeiras perguntas, as evidências, os crimes mostram que aconteceram por longo tempo. Existe alguns crimes que aconteceram antes de 2004 que estão sob investigação.

A sua segunda pergunta diz respeito a perspectiva de duração do caso Lava Jato. Se hoje nós fechássemos as portas da força-tarefa do caso e dissesse “agora não vai entrar mais nenhum fato e nem uma prova aqui”, nós teremos material para trabalhar de um a dois anos, ou seja, nós temos uma avalanche de fatos e provas, e muitos fatos que são dos nossos conhecimentos e que nós precisamos tratar para produzir acusações criminais. Existe um longo trabalho pela frente.

O nosso compromisso é como fazer tudo que está a nosso alcance para que todas pessoas que cometeram crime sejam responsabilizadas na medida das compatibilidades.

JGB – Ministros do STF fazem alguma reserva com relação a duração dessas prisões iniciais, como o senhor avalia esses comentários? E concluindo a nossa entrevista, comentários da imprensa falam que os procuradores se referem ao ex-presidente Lula como peixe-grande e que estariam abordando algum dos presos do caso Lava Jato sobre o possível envolvimento do ex-presidente Lula?

Delton Dallagnol – A força tarefa do caso Lavo Jato jamais procurou qualquer réu para que ele fizesse acordo de colaboração, pelo contrário, os acordos de colaboração feitos até hoje foram sempre feitos por iniciativa dos próprios réus, como estratégias e defesas. Até hoje, mais de 2/3 das colaborações foram feitas com réus soltos, a prisão foi usada, até hoje, apenas nos casos estritamente necessários.

Quando ocorre uma prisão preventiva, ou seja, quando antes de uma condenação criminal é necessária a prisão preventiva? Quando existe risco para sociedade a liberdade do réu, quando o fato do réu ficar solto gera risco, um risco de reiteração do crime, risco de fuga, risco de o réu atrapalhar a condição do processo.

Como exemplo, nós temos casos em que os crimes foram cometidos mesmo depois da deflagração da operação, ou seja, os réus não cessaram a conduta criminosa apesar de existir uma ação judicial do Estado sob aquelas pessoas. Nesses casos, a prisão preventiva se mostrou estritamente necessária para estancar o sistema criminoso.

JGB – E com relação a esses comentários da imprensa sobre o ex-presidente Lula e a abordagem do Ministério Público?

Delton Dallagnol – Hoje eu vou me concentrar na campanha [de lançamento ‘Dez Medidas Contra a Corrupção’] dessas medidas, que é para não perder o foco. Que é a mudança que nós, como sociedade, precisamos.

Confira o áudio da entrevista

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.