Câmara Municipal de Feira de Santana e representantes de segmentos da sociedade debatem micareta

Os vereadores Reinaldo Miranda e Eremita Mota coordenaram os debates sobre a micareta.

Os vereadores Reinaldo Miranda e Eremita Mota coordenaram os debates sobre a micareta.

A Câmara Municipal de Feira de Santana, por iniciativa das Comissões de Educação e Cultura, e Obras, Urbanismo, Infraestrutura Municipal, Agricultura e Meio Ambiente, na manhã desta sexta-feira (14/08/2015), no plenário da Casa, realizou mais uma audiência pública para discutir a questão da Micareta 2016.

O evento, que foi conduzido pela presidente da Comissão de Educação e Cultura, vereadora Eremita Mota (PDT), contou com a presença do presidente da Casa da Cidadania, Reinaldo Miranda – Ronny (PSDB), e de  representantes de  vários segmentos envolvidos diretamente com a Micareta de Feira de Santana.

Os principais temas abordados foram manutenção ou mudança de local e de data da festa; valorização dos artistas locais, barraqueiros e vendedores ambulantes, fechamento do comércio e de igrejas, horários para início dos desfiles das atrações, segurança, instalação de camarotes, maior incentivo a blocos, maior divulgação midiática e exclusividade de cervejaria no circuito da Micareta.

Houve um consenso entre os debatedores de que os debates na Casa da Cidadania estão sendo de grande relevância e de que a festa precisa ser repensada em vários sentidos, a fim de que possa atrair mais parcerias, verbas e turismo, para que volte  a ser de fato a maior e melhor Micareta do Brasil.

O presidente da Associação Comercial de Feira de Santana, Marcelo Alexandrino, disse que, embora tenham ocorrido algumas melhorias na  Micareta, o comércio vem acumulando prejuízos, principalmente em virtude do fechamento, “por quase 30 dias”, de pontos comerciais instalados no circuito da festa.

 “Precisamos repensar a Micareta. Como uma festa popular, ela tem que ser importante para todos os segmentos da cidade, o setor comercial hoje sofre muito. Em outros tempos, a Micareta era motivo de festa para o comércio, que vendia mais. O comércio tem que estar inserido na festa, mas a gente vê que o comércio é totalmente excluído”, disse.

Marcelo Alexandrino acrescentou que, ao contrário de outras épocas, os hotéis também são prejudicados com a falta de turistas e de hospedagem de artistas de renome. Ele lembrou que antigamente as grandes atrações se hospedavam até quatro dias, mas hoje, artistas como Ivete Sangalo e Durval Lelys, tocam, no máximo, cinco horas e vão embora.

Após justificar a ausência do secretário Rafael Cordeiro na audiência pública, em virtude de um compromisso para captação de recursos em prol do projeto  “Natal Encantado”, o diretor de eventos da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, Naron Vasconcelos, fez questão de salientar que a Micareta de Feira não é um produto, e sim um evento, “um dos maiores do nosso calendário de festejos populares”.

Ele conheceu que a referida festa precisa de uma atenção maior, “para que não venha se desgastar mais do que já está desgastada”, disse Naron, afirmando que, este ano, o Governo do Município, na pessoa do secretário Rafael Cordeiro, vem ouvindo, mediante audiências públicas, as reivindicações de todos os segmentos que participam do evento e que o poder público não está medindo esforços para que aconteça um melhor planejamento nas próximas Micaretas.

Para Naron,  “a Micareta tem evoluído, mas evoluído sendo operacionalizada de uma forma ainda muito amadora. Faz-se necessário que esta festa seja regulamentada e normatizada, porque ela não é; nós não temos regra nenhuma para fazer a festa, para dizer o que pode e o que não pode ser feito”, avalia.

O vereador Correia Zezito PTB defendeu a elaboração de um Estatuto da Micareta de Feira de Santana, a exemplo do Estatuto do Carnaval, que, segundo ele, foi criado pelo prefeito de Salvador, ACM Neto.

Em seu entendimento, a mudança de local da Micareta de Feira tem que ser prioridade nas discursões. O vereador sugeriu a avenida Nóide Cerqueira e o Parque de Exposições como alternativas de local da festa. “Eu acho que a avenida Presidente Dutra não é mais viável”, disse Correia.

O vereador Edvaldo Lima (PP) também se mostrou contrário à realização da Micareta na avenida Presidente Dutra, argumentando que causa transtornos à Estação Rodoviária, BR 324, comércio e igrejas evangélicas que ficam situados no circuito.

O edil Beldes Ramos (PT) disse que dificilmente vai à Micareta, mas este ano participou dois dias da festa e observou que deve ser repensado o formato do evento. “Senti que algumas questões de estrutura precisam ser revistas, principalmente no que tange à iluminação da Micareta”, afirmou o petista, que cobrou também maior divulgação do evento, firmamento de novas parcerias, captação de recursos e valorização dos artistas locais.

Beldes afirmou que  o poder público municipal precisa dar mais espaços para as atrações locais e blocos afro, além de abrir o diálogo constante com todos os segmentos envolvidos com o evento. “As atrações locais têm que ter espaço durante todo ano, para que possam ser atrativas também ao público na Micareta”, observa.

O chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico, Georgeton José Nery Rios (representando o secretário Antônio Carlos Borges Júnior), disse que a Micareta tem evoluído bastante. Ele  classificou o evento de  Feira de Santana, como o maior do mundo e lucrativo para muitas pessoas.

Em sua opinião, a Micareta de Feira pode avançar mais quando for vendida como um produto, “para trazer benefícios ao poder público e à população, para ter, realmente, atividade festiva bem organizada”. Georgeton aproveitou a oportunidade para defender a permanência do evento na avenida Presidente Dutra.

O vereador Ronny ressaltou que a cidade nunca discutiu a Micareta com tamanha profundidade. “Câmara de Feira de Santana, imprensa de Feira de Santana, sociedade de Feira de Santana, Associação Comercial de Feira de Santana sempre receberam nos ‘peitos’ o que ia acontecer na Micareta”, disse o presidente do Legislativo feirense, justificando a realização de audiências públicas sobre o tema em questão.

O edil observa  que o Governo Municipal foi muito infeliz quando anunciou a data da Micareta de Feira 2016, sem uma discussão prévia com as entidades lidadas à festa. Ele afirmou que o Legislativo feirense irá acatar sugestões dos ambulantes aos empresários, para a melhoria do evento. “A festa não é só feita pelo poder público”, alertou.

O vereador reclamou também que este ano houve atraso na entrega de toldos aos barraqueiros. Outros pontos criticados pelo presidente da Câmara foram a demarcação de áreas “em cima de transformadores” e o preço do espaço para comercialização de produtos na Micareta. “É muito caro o solo de Feira de Santana, o metro quadrado custa R$ 1 mil”.

Ronny defendeu que a Micareta de Feira seja administrada por uma empresa, “a exemplo do que  já acontece com a festa de Caruaru e de Campina Grande”, citou o edil,  argumentando que, atualmente,  o poder público municipal  gasta muito com o evento sem ter retorno financeiro.

Na oportunidade, o presidente da Casa da Cidadania anunciou que vai criar uma comissão para discutir a Micareta com a possibilidade de viabilização de um projeto de lei para normatizar a festa. “Se tiver de acontecer mudanças, serão mudadas. O Poder Executivo terá que aceitar, porque projeto de lei é para ser cumprido pelo Poder Executivo e por qualquer órgão”, pontuou Ronny.

Para o radialista Edilson Veloso, não houve melhoras na Micareta por parte do poder público. “É preciso que na Micareta tenham pessoas que, primeiro, entendam e, segundo, que amem esta festa”, disse ele, afirmando que observa  muito amadorismo na organização.

Edilson ressaltou, por exemplo, que o artista local vem sendo massacrado ao longo do tempo. “Ele nunca sabe o dia, tampouco a hora e o trio elétrico que vai tocar. Isso é amador demais, isso é abaixo da crítica”, avalia.

O representante da Associação de Barraqueiros, Kleber Espíndola, criticou a exclusividade de cervejarias, argumentando que isso traz prejuízos para os comerciantes de cerveja no circuito da festa. Ele também é favorável à permanência do evento na avenida Presidente Dutra, mas defende que a Micareta de Feira seja realizada antes do Carnaval.

A vereadora Eremita Motta, após parabenizar o presidente Ronny pela  realização de  mais uma audiência pública, informou que o debate contou com a participação de nove segmentos envolvidos diretamente com a Micareta. Em sua opinião, as discussões poderão avançar se cada um trouxer mais pessoas para as próximas audiências, “porque nós vamos ter aqui uma representação de forças e é com esta força que nós vamos fazer com que as coisas aconteçam. Eu acho que a  solução vem  quando a gente fortalece o movimento”, pontuou.

Também se pronunciaram sobre o tema o presidente da Associação de Blocos de Feira de Santana, Cláudio Pereira; o diretor do Bloco Lá Vem Elas, Valter Lima; o major da Polícia Militar, Paulo Carvalho (representando o Comando de Policiamento Regional Leste); ó presidente do Conselho Fiscal da Bandafes, Jesiel de Jesus Santos; a presidente das policlínicas de Feira de Santana, Evanir Cerqueira; e o representante do Conselho de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea), Marcus Vinícius de Mello.

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