Um Brasil chinês | Janguiê Diniz

Janguiê Diniz Mestre e Doutor em Direito.

Janguiê Diniz Mestre e Doutor em Direito.

Em meio a um ano que se mostra difícil para a economia brasileira, fomos surpreendidos pela notícia de que a China e Brasil assinaram um plano de cooperação mútua, até 2021, que somam aproximadamente US$ 53 bilhões ou R$ 167 bilhões.

O acordo chega exatamente quando os fundos de investimento globais se mostram cautelosos com o Brasil. Somos o país emergente que mais perdeu espaço nas carteiras dos fundos de investimento estrangeiros desde abril, de acordo com relatório do Instituto Internacional de Finanças, formado pelos maiores bancos do mundo.

Voltando ao acordo com os orientais, são 35 projetos previstos no projeto, incluindo os estudos de viabilidade para a construção da ferrovia transcontinental, que almeja cruzar o Brasil e seguir cortando o continente sul-americano. São parcerias nas áreas econômicas, estratégicas, de infraestrutura, transporte, agricultura, energia, mineração, comércio, ciência e tecnologia, entre outras.

A relação Brasil e China não é uma novidade. Ambos mantêm relações comerciais desde 1979, sendo que, a partir de 2009, o país asiático se transformou no maior parceiro comercial brasileiro. Juntos, eles mantêm importantes fluxos de investimentos bilaterais, sendo a China uma das principais fontes de investimento direto no Brasil. Se pensarmos em números, as trocas comerciais entre os dois países alcançaram US$ 77,9 bilhões em 2014, com superávit brasileiro de US$ 3,3 bilhões.

Sabemos que o Brasil tem um sério problema com infraestrutura, ficando sempre muito aquém nos rankings dos países com as melhores estradas, aeroportos, portos e ferrovias. Já a China, tem como preocupação principal manter 1,3 bilhões de pessoas em um país com características que não possibilitam desenvolvimento na agricultura e na pecuária e onde não há muito acesso aos recursos minerais. Assim, podemos considerar que um acordo desse nível seria benéfico para ambos os lados?

A economia é movida por três pilares: consumo, investimento – público e privado – e exportações. A China, durante anos, cresceu a uma taxa com dois dígitos. No entanto, esse número caiu e já entrou na casa de um dígito, mas ainda  é o pais que mais cresce no mundo. Os chineses precisam movimentar sua economia. Querem investir em infraestrutura no Brasil por vários motivos, um deles é o lucro. Por outro lado, precisam,  também, mudar seu modelo de crescimento econômico além de almejar garantir o escoamento de seus produtos.

Vale ressaltar que não somos uma economia que tem a capacidade competitiva dos chineses. Somos economias complementares. Precisamos de investimentos em infraestrutura e eles precisam de matéria prima. Hoje, um país emergente precisa investir, em média, 5.4% do PIB em infraestrutura e, nós, investimos apenas 2.2%. Além disso, investimentos em infraestrutura são estratégicos ao desenvolvimento do Brasil e para impulsionar a retomada de crescimento econômico. Assim, uma injeção de R$ 167 bilhões é um bom começo.

Todas as parcerias têm pontos positivos e negativos. Um acordo de cooperação mútua não seria diferente. Entretanto, há um ponto em especial que é bastante preocupante: a mão-de-obra. Será que tantos investimentos irão gerar emprego para os brasileiros ou será que centenas ou milhares de chineses imigrarão para a Brasil para suprir uma mão-de-obra qualificada que, infelizmente ainda  não podemos oferecer?

*Janguiê Diniz Mestre e Doutor em Direito – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional

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