São Gonçalo dos Campos: prefeito Furão comenta sobre administração, relação com deputado Targino Machado e pré-candidatura de João Pedro a prefeito de Conceição da Feira

Antônio Dessa (Furão): "o dinheiro da saúde tem em média cerca de quatro a cinco meses atrasados, mas, mesmo assim, as contas da educação estão em dia, as contas da saúde estão em dia, todos as 11 Unidades de Saúde da Família estão funcionando, com medicamento. Não deixamos faltar nada.".

Antônio Dessa (Furão): “o dinheiro da saúde tem em média cerca de quatro a cinco meses atrasados, mas, mesmo assim, as contas da educação estão em dia, as contas da saúde estão em dia, todos as 11 Unidades de Saúde da Família estão funcionando, com medicamento. Não deixamos faltar nada.”.

Antônio Dessa (Furão): "eu não vejo em Mário Negro Monte legitimidade para julgar conta de gestor, eu não vejo legitimidade em um homem desse para julgar conta de ninguém".

Antônio Dessa (Furão): “eu não vejo em Mário Negro Monte legitimidade para julgar conta de gestor, eu não vejo legitimidade em um homem desse para julgar conta de ninguém”.

O prefeito de São Gonçalo dos Campos, Antônio Dessa Cardozo (Furão), em entrevista exclusiva concedida ao diretor do Jornal Grande Bahia Carlos Augusto, comenta sobre a promoção do São João tipo Pé de Serra, e o Festival de Inverno com atrações de porte nacional, ele  fala sobre o atraso no repasse federal de recursos para a educação e saúde, e  aborda as condenações que o município enfrenta no âmbito do Tribunal de Contas do Município, e a ação judicial que responde no Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA).

Concedida no dia 24 de julho de 2015, a durante a entrevista o prefeito Furão avalia, também, o próprio futuro político, e comenta sobre a ruptura pessoal e política com o irmão, deputado Targino Machado (DEM). A entrevista é conclusa com a avaliação da possível candidatura a prefeito de Conceição da Feira, do empresário João Pedro.

Jornal Grande Bahia – Prefeito, em 2015 ocorreu uma crise no país e concomitantemente com isso o senhor tomou a decisão de não realizar o São João. No que implicou essa mudança?

Antônio Dessa (Furão) – Em São Gonçalo, sempre tivemos duas festas de grande porte, muito próximas uma da outra, que é o São João tradicional – um dos mais fortes da Bahia – e a festa de emancipação política, que ocorre um mês depois do São João, do dia 28 de julho.

Por conta da crise desse ano, nós reunimos na Câmara dos Municipal, fizemos uma audiência pública um mês antes do São João, com os vereadores, promotora de justiça e vários representantes da associação comercial, e decidimos por não fazer o São João. Porque nós sabemos que as bandas do São João são mais caras. Porque muitas cidades fazem a festa no mesmo período, e os caches das bandas, por serem disputadas por várias cidades, dobram ou triplicam.

Cancelamos o São João e mantivemos o Festival de Inverno no aniversário da cidade. Estamos realizando a mesma festa que faríamos no São João, com cerca de 40 a 50% do valor necessário, e ao invés de duas festas, realizamos uma só festa. Reduzindo pela metade ou menos da metade os investimentos de festejos do município. Mas mantendo, também, um meio da população de baixa renda ganhar dinheiro. Cadastramos mais de 250 ambulantes, moradores da cidade que ganham com a promoção do Festival de Inverno.

JGB – O São João tem a ver com a tradição do ser nordestino. O senhor sequer contratou o famoso forró pé de serra?

Antônio Dessa (Furão) – Contratamos e promovemos o São João pé de serra. Não fizemos aquele São João forte que São Gonçalo tem a tradição de realizar com grandes atrações. Mas fizemos uma coisa barata. Durante quatro dias colocamos no coreto da cidade um sonzinho pequeno com os tradicionais pés de serra, que lotou a praça com os moradores da cidade. Embora não tendo o São João forte, esse pé de serra que a gente fez, no coreto da cidade, ficou muito aconchegante e a população prestigiou com os filhos de São Gonçalo e moradores da terra.

JGB – O município de São Gonçalo, nos últimos anos, tem conseguido manter um certo equilíbrio orçamentário, com alguma capacidade de investimento. Nós estamos em um ano de grave crise no país. Como essa crise tem afetado gestão municipal?

Antônio Dessa (Furão) – Antes dessa entrevista eu tive uma reunião com a secretária de educação aonde ela me passou uma informação que é muito triste e preocupante, que o Governo Federal ainda não repassou nenhum centavo do PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola) de quase 20 de 30 escolas que temos. 20 não foi repassado nada ainda. Essa é a crise.

O dinheiro da saúde tem em média cerca de quatro a cinco meses atrasados, mas, mesmo assim, as contas da educação estão em dia, as contas da saúde estão em dia, todos as 11 Unidades de Saúde da Família estão funcionando, com medicamento. Não deixamos faltar nada. O hospital municipal está com recursos do SUS em atraso de quatro a cinco meses, mas nossa administração garantiu o funcionando pleno com a manutenção das contas em dia, e inclusive, estamos fazendo o Festival de Inverno que começa neste sábado dia 25 julho. Destaco que no dia 22 os funcionários da prefeitura receberam o dinheiro antecipado, o salário antecipado de julho.

Todos os recursos federais que são passados para o município de programas federais estão atrasados, mas as contas de São Gonçalo estão todas em dia.

JGB – A sua administração sofreu algumas derrotas no âmbito do Tribunal de Contas do Município, e o senhor, pessoalmente, enfrenta uma ação judicial no Tribunal de Justiça da Bahia. O que você tem a dizer sobre essas situações?

Antônio Dessa (Furão) – Na questão do Tribunal de Contas foram dois termos de ocorrência, inclusive um que foi relatado pelo conselheiro Raimundo Moreira aonde ele diz que nas contas de 2009, o Município não comprovou gastos de quase R$ 1 milhão, ou seja, paguei e não comprovei.

Comprovei sim. Se eles extraviaram os comprovantes é uma questão deles. Inclusive, no recurso ao Tribunal, nós encaminhamos todos as comprovações dos gastos com extratos bancários, enviamos novamente a documentação. Agora, o que eu acho estanho é que esse termo de ocorrência é do exercício de 2009, aonde o Tribunal de Contas aprovou por unanimidade, com o voto de sete conselheiros, as contas da gestão municipal.

Se foi um crime grave, porque aprovaram as contas da gestão de 2009? Se foi um crime tão grave, que eles hoje me pedem que eu devolva 999 mil reais, alegando, eles, que eu gastei sem comprovação. Se é tão grave assim, que eles pedem para devolver, porque em 2009 eles aprovaram por unanimidade?

Ou eles comeram mosca ou estão agindo de má-fé hoje. Usando de revanchismo contra o prefeito Furão, porque ele se insurgiu contra um dos conselheiros, Mário Negromonte. Porque também lavrou um termo de ocorrência contra mim, aplicando uma multa de R$ 30 mil. Multa que eu estou recorrendo na justiça, e não vou pagar essa multa. Porque eu não vejo em Mário Negro Monte legitimidade para julgar conta de gestor, eu não vejo legitimidade em um homem desse para julgar conta de ninguém.

JGB – E com relação ao Tribunal de Justiça da Bahia?

Antônio Dessa (Furão) – No Tribunal de Justiça da Bahia eu tenho uma ação civil contra mim, proposta pelo Ministério Público Estadual. Foi proposta a partir das denúncias que surgiram na campanha eleitoral de 2012. Um empresário da cidade, dizendo que me deu notas fiscais frias. Com isso, a promotoria pediu a minha prisão e o meu afastamento e a abertura da ação.

O Tribunal abriu a ação contra mim, mas negou, por unanimidade, tanto a prisão como o afastamento. Eu estou na fase de apresentação de defesa. Inclusive uma das notas que ele apresenta, é como se fosse eu, ou minha secretária que tenha enviado para empresa dele pedindo para levar material para minha propriedade e pago com dinheiro da prefeitura. Uma dessas notas os meus advogados pediram um exame grafotécnico da minha assinatura, da minha letra e da letra da secretária para provar que aquele documento, que ele apresenta como prova, não foi escrito nem por mim, nem por minha secretária.

JGB – Com relação ao futuro político de Antônio Dessa Cardozo. O senhor foi reeleito, obviamente demonstrou que tem uma certa percepção positiva junto a população local. Mas o que pensa sobre o próprio futuro político?

Antônio Dessa (Furão) – Eu nunca fui muito de programar minha vida. Na minha vida as coisas sempre aconteceram espontaneamente, naturalmente. Uma coisa que eu posso afirmar hoje, no momento, eu não me sinto estimulado para continuar na vida pública, por vários motivos, não tenho vontade de continuar na vida pública, embora meu grupo queira. Ser prefeito de São Gonçalo não me estimula mais, porque sou pela terceira vez, e o que incentiva a gente é o desafio. Para mim não vai ser mais desafio ser prefeito de São Gonçalo pois estou no terceiro mandato. Então o que eu penso é dar o tempo.

JGB – Em 2012 o senhor rompeu com Deputado Targino Machado, que é seu irmão. Em 2014, nos bastidores da política, os comentários eram de que vocês tinham reatado. Em que nível está a relação política e pessoal entre Furão e Targino?

Antônio Dessa (Furão) – Politicamente a gente não tem muito o que falar. Em termo de irmão, nós não vamos deixar de ser irmãos nunca. Embora não tendo um convívio de irmandade. Mas, politicamente, eu ajudei o deputado Targino Machado dentro do que eu pude na eleição do ano passado para deputado. A gente deu um bom apoio.

A gente não tem convívio hoje nem político nem pessoal. De vez em quando a gente se fala por telefone, de vez em quando troca mensagem. Não existe, hoje, aquele acirramento da inimizade. Posso até dizer que temos uma relação muito vaga. Mas se depender de mim não terá mais acirramento de briga, e creio que ele também tenha chegado a uma fase da vida, até por conta da idade – ele é um pouco mais velho que eu– que não queira mais confusão na vida dele.

Estamos numa fase hoje que é de curtir a nossa família, os nossos trabalhos. Se depender de mim não vai ter briga. Quanto a estarmos juntos politicamente, aí depende do tempo, quem vai dizer é o tempo. Tanto politicamente quanto pessoalmente a gente não pode afirmar nada, mas pelo menos hoje a gente as vezes se fala no telefone, troca algumas mensagens e vamos vivendo, e entregando o futuro a Deus.

JGB – Concluindo a nossa entrevista, vou pontuar que o Jornal Grande Bahia normalmente não trata de assuntos familiares, sempre busca pautar no interesse público, mas, nesse caso, convergiu o fato de visitando o município de Conceição da Feira ouvir comentários de membros da comunidade de uma possível candidatura de João Pedro, que por coincidência é também o seu filho. Como analisa esses comentários sobre uma possível candidatura de João Pedro a prefeito de Conceição da Feira?

Antônio Dessa (Furão) – A candidatura de João Pedro nasceu por inciativa dele mesmo. Eu ainda ponderei algumas coisas, questionei se seria o momento certo para ele, porque ele está iniciando a vida, se forma em engenharia esse ano e questionei com ele. Mas ele gosta e já está lá com o negócio dele há cinco anos de Conceição da Feira, um posto de gasolina aonde ele toma conta e construiu um ambiente pessoal e político, e lançou a alguns meses atrás a sua pré-candidatura. Realizei três pesquisas e ele lidera disparadamente essas pesquisas, inclusive aumentando a frente de uma para outra.

Esse sucesso dele, no início de caminhada, eu credito a ineficácia das últimas administrações em Conceição da Feira, tanto na saúde, como na educação e na geração de emprego, principalmente na saúde e na geração de emprego.

Nos últimos sete anos, nós geramos em São Gonçalo quase cinco mil empregos, e Conceição não gerou um se quer. Mesmo estando a sete quilômetros de São Gonçalo. Então isso comprova a incapacidade dos gestores. A população, em especial a juventude, está vendo em João Pedro a possibilidade de desenvolver a cidade, levando industrias como o pai dele fez em São Gonçalo dos Campos.

Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.