Salvador: Sinttel Bahia promove 2º Seminário Estadual de Teleatendimento

Cataz do 2º Seminário Estadual de Teleatendimento.

Cataz do 2º Seminário Estadual de Teleatendimento.

A saúde, as condições de trabalho, as relações jurídicas, a regulamentação da profissão e os problemas enfrentados pelos trabalhadores em telemarketing (call center) serão temas do 2º Seminário Estadual de Teleatendimento: Construindo novas estratégias para o trabalhadores em call center, que será realizado no dia 09 de julho de 2015, das 8h às 18h, no Hotel Sol Barra, em Salvador.

Promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações da Bahia – Sinttel Bahia, o evento que tem como objetivo discutir as dificuldades e apontar soluções para o setor de call center contará com as palestras ministradas por especialistas como o  juiz da 25ª Vara do Trabalho, Agenor Calazans;  o médico e auditor fiscal do Ministério Público do Trabalho – MTE,  Paulo Conceição; o pós-doutor em medicina, Paulo Pena;  e  a mestre em Direito, Estado e Constituição,  Renata Dutra. As inscrições podem ser feitas gratuitamente através do site www.sinttelba.com.br.

“Com esse seminário pretendemos discutir com os trabalhadores, com os especialistas e com toda a sociedade os problemas e as possíveis soluções para o setor de teleatendimento. Não podemos permitir que o setor que mais emprega seja  também o responsável pelo adoecimento de tantos jovens, muitos deles em situação de primeiro emprego. É nosso dever como movimento social informar as pessoas e buscar estratégias para resolver o problema”, disse o presidente do Sinttel Bahia, Joselito Ferreira.

Responsável pela maior oferta de vagas de emprego na atualidade (só na Bahia são quase cinquenta mil teleatendentes), o setor de telemarketing é também um dos setores que mais adoecem os trabalhadores, de acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – Dieese e do Instituto Nacional de Seguridade Social INSS. Em 2013, o anuário estatístico de acidentes de trabalho  elaborado pelo Ministério da Previdência Social registou 1349 casos de doenças ocupacionais com o Código Nacional de Atividades Econômicas – CNAE do teleatendimento. São doenças como Lesão por Esforços Repetitivos – LER, problemas auditivos, depressão, problemas posturais, dentre outros, todas decorrentes da atividade em call center.

A pressão para o atingimento de metas também é um agravante no setor e já motivou uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho de Feira de Santana contra uma empresa de telemarketing que monitorava o tempo utilizado pelos trabalhadores para irem ao banheiro. Os excessos no teleatendimento também já foram denunciados na imprensa nacional com queixas como a escala de gravidez, constrangimentos, assédio sexual e moral, dentre outros.

“Foram ouvidos relatos de atendentes de diversas empresas de telemarketing lotadas em diversos estados do Brasil e também aqui na Bahia. Em nosso estado, toda essa demanda é atendida pelo departamento jurídico do Sinttel, que possui dezenas de ações contra esses abusos”, explica a enfermeira e dirigente sindical Sandra Dias.

De acordo com a sindicalista, no ano de 2014, o departamento médico do Sinttel Bahia atendeu cerca de 238 teleatendentes no setor e desse montante, 39% sofre de lesão por esforço repetitivo (Ler), 27% de transtornos psíquicos causados pela pressão pelo atingimento de metas e 25% de perda auditiva ou de voz, além de sintomas como dores nas costas, perda de força motora e fadiga visual. “Falamos de jovens que estão no início da sua carreira profissional, mas que já vão carregar problemas de saúde que podem ter consequências vitalícias”, disse Sandra.

Renata Dutra, autora do livro “Do outro lado da linha”, que expõe os traumas e problemas enfrentados pelos trabalhadores do setor, viu nos teleatendentes uma problemática a ser estudada tanto socialmente quanto juridicamente. “O livro é resultado de uma pesquisa realizada durante o meu mestrado pela Universidade da Brasília. O interesse inicial era estudar as relações entre a terceirização e a precarização e nesse setor pude identificar a presença dos dois problemas”, explica Renata.

O livro, de acordo com a autora, volta seu olhar para a forma de gestão do trabalho nos call centers e suas consequências para os trabalhadores e trabalhadoras, sobretudo o adoecimento. “Além de mapear essa condição de precariedade, analisei, a partir de decisões do Tribunal Superior do Trabalho, como o judiciário tem enfrentado essas violações de direitos. Então, a partir de processos judiciais julgados pela Justiça do Trabalho, foi possível observar que a condição dos trabalhadores de teleatendimento é precarizada, desde a forma de contratação, até a forma de gestão dos processos de trabalho, que se mostrou amparada no assédio, na cobrança excessiva de metas, na intensificação do ritmo de trabalho, na retirada da autonomia do trabalhador para a realização do seu próprio ofício, entre outros problemas”, disse.

Discutir e apontar soluções para os problemas dos teleatendentes é a proposta do seminário que terá como público-alvo os trabalhadores do setor, estudantes, sindicalistas, integrantes das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes – Cipa das empresas e toda a sociedade civil. “É nosso dever moral publicizar essa problemática e contribuir para melhorias para essa categoria, que mesmo sendo tão promissora, está deixando como legado consequências irreversíveis para uma fatia de trabalhadores que só cresce a cada dia”, enfatiza o presidente do Sinttel, Joselito Ferreira.

Dados do setor de teleatendimento

Cerca de 1,5 milhão no Brasil

Cerca de 50 mil na Bahia

64% têm entre 18 a 29 anos

76,8% são mulheres

(Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego – MTE)

Agenda

2º Seminário Estadual de Teleatendimento

Data: 09 de julho, das 8h30 às 18h

Onde: Hotel Sol Barra ( Avenida 7 de setembro, 3577, Barra, Salvador, Bahia)

Inscrições no site: www.sinttelba.com.br

OBS: os participantes receberão certificado

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