Relembrando: Guru Purnima 2009. Samba em Prashanti Nilayam

Sai Samba em Prashanti.

Sai Samba em Prashanti.

Quando hinos de louvor “se elevam ao Céu, Deus Ele mesmo desce à Terra e fortalece o mundo com a Presença Divina. 

Na Índia e em todo o mundo essa Lua Cheia de hoje a noite, 31 de julho, simboliza a Lua do Mestre. Lua Azul, Lua do Guru (Guru Purnima). 

Louvo e venero os Mestres que me guiam nesta vida aqui na maya, este mundo de ilusão. Que me ensinam a ver por trás do véu de maya, me ensinam a ver e compreender a realidade, que é Deus.
Louvores ao Nosso Senhor Jesus Cristo e a Bagawan Sri Sathya Sai Baba, 
Saúdo todos os mestres do Amor e da Verdade. 

“Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” (Jesus Cristo).

Relembro aqui um momento importante na vida de 300 brasileiros. Eu estava lá!

Guru Purnima 2009. Samba em Prashanti Nilayam

Por Juarez Duarte Bomfim

O Guru Purnima é o Dia do Mestre, na tradição indiana, e neste ano da Graça de 2014 cai em um sábado, 12 de julho. Há exatos cinco anos a Lua do Guru — primeira Lua Cheia de julho — subiu ao estrelado Céu da Índia numa auspiciosa terça-feira, 7 de julho de 2009.

Éramos trezentos brasileiros em Prashanti Nilayam (Puttaparthi, sul da Índia), reunidos para comemorar tal efeméride. Este é um dos grandes festivais que acontece no Ashram de Sathya Sai Baba, Mestre espiritual indiano. O sete de julho culminaria várias semanas de celebrações litúrgicas no mandir (templo), com apresentações culturais de delegações de devotos do mundo inteiro. São teatralizações, danças e, principalmente, cânticos — cânticos devocionais.

Quando hinos de louvor se elevam da garganta do homem a chama celeste desce à terra e envia sua iluminação. Quando hinos de louvor “se elevam ao Céu, Deus Ele mesmo desce à Terra e fortalece o mundo com a Presença Divina.

O Conselho Central da Organização Sai do Brasil havia enviado à Prashanti Nilayam a proposta de apresentação cultural dos brasileiros neste período de festejos. A alta administração do Ashram acenou positivamente. Porém, a aceitação final da solicitação seria feito após o cumprimento de alguns requisitos artísticos e técnicos, avaliação prévia por parte dos responsáveis pelo calendário de eventos e, por último e mais importante, o aceite final do próprio Swami, Bhagavan Sri Sathya Sai Baba.

Foram chegando a Prashanti os primeiros cantores (puxadores), músicos e participantes do coral ainda no início de junho, e este grupo foi crescendo até somarem trezentos, na semana do festival. Exaustivos e prazerosos ensaios diários passaram a acontecer, diuturnamente, na busca de embelezamento da cantoria que viria ser apresentada. Não havia nenhuma certeza de confirmação da exibição dos brasileiros, apenas a esperança e vontade. O imponderável faz parte da metodologia de Swami, temperando a fé dos seus devotos.

Aquele que é limpo de mãos e puro de coração; que não entrega a sua alma à vaidade subirá ao monte do Senhor, estará no lugar santo, afirma o Livro Sagrado.

O Ensaio Geral, com a presença das autoridades do Ashram, foi de pura emoção, e saudado entusiasmadamente por estes. Os brasileiros exultavam. Mas a confirmação não vinha. Os coordenadores nacionais sugeriram então o rogo ao divino, buscando a sua intercessão — Ganesha.

Ganesha é o deus que remove todos os obstáculos, o primeiro a ser reverenciado. A sua imagem está nas portas dos templos e casas protegendo as suas entradas. Por isso, ao transpor o sagrado portão de Prashanti Nilayam, o visitante se depara primeiramente com o templo à Ganesha.

Há dois concorridos rituais de rogos ou gratidão ao simpático deus zoomorfo dos hindus, Senhor Ganesha. Um deles é o de quebrar um coco seco, em local apropriado para este fim, em frente à sua imagem. A casca deve ser rompida após girar o coco em sentido horário, e oferecer o substancioso fruto ao Senhor. Romper o ego e esvaziá-lo, este é o significativo motivo de tão nobre gesto. O segundo e disputado ritual é o de circundar por nove vezes o singelo recinto, às portas de Prashanti — lugar que separa o sagrado do profano.

Pois na noite de cinco de julho de 2009, uma ordeira e enfileirada pequena multidão de brasileiros se deslocou para tal templo e, entoando silenciosamente o Gayatri Mantra, rogou ao Senhor a graça de louvá-Lo vibrando canções de amor.

O Gayatri Mantra é proclamado no Bhagavad Gita como a Oração Universal. É o rogo pela salvação, a busca da iluminação, é a súplica por uma graça almejada. Nos festejos do Guru Purnima, com a presença de autoridades da vida pública indiana, como a própria presidente da República, Sai Baba discursou, ensinando aos seus discípulos e à humanidade os princípios básicos para uma vida correta.

Swami disse que, na atualidade, os homens temem à Deus e amam ao pecado, quando o correto é o oposto: amar a Deus e temer ao pecado. Uma emocionada devota brasileira comparou este momento especial a um outro, ocorrido há dois mil anos, que alguns tiveram a feliz oportunidade de ouvir: o Sermão da Montanha proferido por Jesus Cristo.

Na manhã de oito de julho de 2009 os brasileiros se dividiam entre três grupos: os esperançados na apresentação, os desesperançados, e — mais numeroso —, o grupo daqueles que apenas aguardavam o dia e hora. Curiosamente, no grupo dos desesperançados se incluía uma numerosa família mineira, que naquela manhã resolveu fazer turismo na pequena Vila de Puttaparthi, visitando os locais sagrados da infância de sai Baba… e perderam a tão esperada apresentação. Essa família foi alvo de saudáveis brincadeiras no final da noite daquele auspicioso dia.

Pois às onze horas da manhã, uma corrente energética humana se formou em Prashanti Nilayam e na pequena vila de Puttaparthi: Sai Baba havia aprovado o projeto dos brasileiros. Faltavam apenas três breves longas horas para a apresentação.

Felizes como crianças em noite de Natal, nos barbeamos, nos banhamos e vestimos engalanada indumentária para a ocasião. À tarde, rodeados por uma multidão de vinte mil pessoas presentes ao mandir, em frente a Swami, trezentas vozes brasileiras dão início a execução de belíssima coroa de orações e hinos — mantras e bhajans.

Iniciada a apresentação musical dos brasileiros, o mandir como que resplandece embalado pela vibração do som criador. A força e o poder divino emanam através do som das vozes e instrumentos que reverberam, e os participantes captam sua vibração, sintonizados na frequência certa daquilo que transcende.

O tempo e o espaço linear, tridimensional, se dissolvem e se justapõem com um outro tempo, um outro espaço, mítico, ontológico, plasmado nos corações.   Momento extático. Os sentidos se alteram, a luz é mais radiante, vozes e acordes angelicais executam belas canções, o ambiente ornado com flores celestiais e iluminado pela luz divina. Que pare o tempo!

Ponto alto desta tocante apresentação cultural brasileira foi o sambhajan “A minha vida, a sua vida, a vida dele é uma coisa só” — canto devocional em ritmo de samba. Esta bela canção, tão simplesinha, resume a doutrina supra-religiosa de Sathya Sai Baba: “Só existe uma religião: a religião do amor. Só existe uma linguagem: a linguagem do coração. Só existe um Deus: e Este é Onipresente”.

O público saudou efusivamente. Swami acompanhou dedilhando ritmicamente, expandindo ondas de amor. Caiu a tarde e, a seguir, a auspiciosa noite de lua cheia se findou. Mas o Guru Purnima 2009 permanecerá para sempre em nossa memória e nos nossos corações.

Om Sai Ram!

 http://www.youtube.com/watch?v=YX3gW9egJDE

A minha vida, a sua vida, a vida dele é uma coisa só

O Deus que está em mim é o mesmo que está em você

Se você está feliz, eu também fico feliz.

Jesus, Alá, Krishna, Buda, Zoroastro, Sai Baba ou Jeová

O importante é orar, servir e meditar

Amar sem restrição, abrir o coração.

Se Deus escolhe como a sua morada nosso doce coração

Isto vai nos libertar

Você vai se libertar

Ele vai se libertar

Também vou me libertar!

Confira o vídeo

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Sobre o autor

Juarez Duarte Bomfim
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. com.br.