Quero muito fazer uma cirurgia plástica, mas tenho medo de…

Para vencer o medo da anestesia é preciso exigir que somente um anestesiologista qualificado o examine, o oriente e faça sua anestesia.

Para vencer o medo da anestesia é preciso exigir que somente um anestesiologista qualificado o examine, o oriente e faça sua anestesia.

Se a sua vontade de fazer uma cirurgia plástica esbarra sempre no medo que você sente da anestesia, da cicatriz, de alguma complicação cirúrgica,  é preciso buscar mais informações sobre o procedimento desejado. Todas as pessoas têm medo do desconhecido. “Para vencer o medo em relação a um procedimento cirúrgico é preciso ouvir explicações sinceras para diminuir a ansiedade. Com os avanços técnicos e científicos que existem hoje, a cirurgia plástica é um dos procedimentos médicos mais seguros, quando realizada por pessoas treinadas e qualificadas”, afirma o cirurgião plástico Ruben Penteado, (CRM-SP 62.735), diretor do Centro de Medicina Integrada.

Conversamos com o médico sobre os medos mais comuns apontados pelos pacientes e colhemos algumas dicas importantes sobre o tema, confira:

Medo da cicatriz 

Marcar a cirurgia plástica tão desejada é uma decisão delicada, é preciso ponderar com calma, pesando a relação custo x benefício. Tanto a cirurgia estética, quanto a reparadora deixam traços no corpo. “Não existe cirurgia sem cicatriz. Um bom cirurgião pode tentar deixá-la menos aparente, mas não pode eliminá-la por completo”, avisa o médico, que é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Por isso, antes de se submeter a qualquer operação, é imprescindível que o paciente seja informado sobre o tamanho e a localização da cicatriz. “O paciente deve ser conduzido a refletir que se trata de uma troca: no lugar de um problema de contorno corporal, ele ganhará formas mais modeladas, mas também uma cicatriz. É preciso esclarecer o tamanho do corte, onde vai ficar, como é o processo de cicatrização, quanto tempo demora a recuperação detalhadamente”, destaca Ruben Penteado.

Medo do queloide 

Ainda em relação à cicatrização, o queloide é uma preocupação de muitos pacientes. “O queloide é uma cicatrização exagerada que ultrapassa o corte ou trauma cirúrgico. Em geral, resulta do acúmulo anormal e exagerado das fibras colágenas no local do corte. Existem algumas partes do corpo mais propensas à formação desse tipo de manifestação, como a região das articulações, o ombro, a área central do tórax ou os lóbulos das orelhas e do queixo. O que determina a tendência ao queloide é o fator genético. Peles negras e orientais estão no maior grupo de risco de aparecimento de queloides”, explica o diretor do Centro de Medicina Integrada.

Durante o pós-operatório, quem tem tendência à formação de queloide deve manter um rigoroso repouso para não provocar o estiramento da pele, evitando que os pontos fiquem distendidos além do natural. O uso de corticoide – que inibe algumas etapas da cicatrização e possibilita maior controle durante o processo – ou de pomadas e curativos oclusivos com o mesmo princípio ativo é outro grande aliado para evitar o aparecimento de queloides.

Medo da anestesia 

Diariamente, anestesiologistas qualificados aplicam milhares de anestesias, em todo o mundo, com total segurança. “Para vencer o medo da anestesia é preciso exigir que somente um anestesiologista qualificado o examine, o oriente e faça sua anestesia”, recomenda Penteado.

A anestesia deve ser aplicada pelo anestesiologista, médico especialista, que não só aplica a anestesia, como também assiste o paciente durante toda a cirurgia e após o procedimento, verificando pulso, ritmo cardíaco, respiração e temperatura. “O anestesiologista controla a pressão arterial e outras funções orgânicas importantíssimas, enquanto o paciente está sedado. Este profissional integra a equipe do cirurgião plástico para evitar o sofrimento do paciente, tornando seguro o ambiente para que o cirurgião possa fazer o seu trabalho com tranquilidade”, explica Ruben Penteado.

Existem diversos tipos de anestésicos gerais e locais. Os locais são depositados perto dos nervos, enquanto os anestésicos gerais são administrados pela veia ou através da respiração. Todos proporcionam anestesias adequadas. “A escolha do anestésico varia com o tempo e o tipo de operação a ser realizada, além das condições físicas e emocionais do paciente. É definida após a consulta com o cirurgião plástico e depois da avaliação dos exames pré-operatórios. Só então o anestesiologista indicará a melhor opção para cada paciente”, informa o membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Medo da trombose 

Trombose ou tromboembolismo venoso é um distúrbio do sistema circulatório que ocorre quando há bloqueio do fluxo de sangue dentro de um vaso sanguíneo por um coágulo ou trombo.

“Para evitar a trombose, no caso específico das cirurgias plásticas, é necessário fazer um planejamento pré-operatório cuidadoso, respeitando os protocolos de risco e os métodos de profilaxia para evitar intercorrências. Para cada caso, o cirurgião plástico deve avaliar a adoção de medidas, tais como a interrupção do tabagismo, dos anticoncepcionais no pré-operatório, a redução da extensão do procedimento, a utilização de meias anti-trombóticas e de aparelhos de compressão intermitente dos membros inferiores e o emprego de heparina de baixo peso molecular no intra-operatório e no pós-operatório, associado à deambulação precoce”, explica Ruben Penteado, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Medo de ter que fazer uma nova cirurgia ou um retoque 

Nenhuma cirurgia plástica aplaca os efeitos do tempo para sempre. O processo de envelhecimento continua, mesmo que um paciente insatisfeito opte por fazer diversas intervenções, seguidamente… Para alguns, o resultado da plástica nunca é satisfatório, não por causa de complicações ou de cicatrizes, a insatisfação é interna, uma sensação de que “algo ainda não está muito bom”. Para este grupo, o responsável pela “insatisfação” é sempre o cirurgião plástico que foi consultado anteriormente, que não entendeu bem seus anseios e desejos.

Hoje, devido ao grande grupo de “pacientes descontentes” com o resultado de suas cirurgias plásticas, muitos médicos americanos passaram a comercializar cirurgias plásticas de correção, conhecidas como “re-do”. Muitas vezes, apesar da boa indicação da cirurgia, da técnica apurada e da plena colaboração do paciente, acontecem desvios na evolução do resultado, pois o organismo responde de forma dinâmica às alterações às quais é submetido. “O acúmulo de experiência na área e o aprimoramento técnico constante do cirurgião são fundamentais para a diminuição da quantidade e da amplitude dos retoques. Mas eles sempre vão existir e devem ser encarados com naturalidade, tanto pelo profissional, como pelo paciente”, argumenta Penteado.

É importante que o paciente saiba que existe um tempo natural para a plena recuperação da cirurgia plástica e que o resultado final, bem como a necessidade de algum retoque, só poderão ser observados após este período.

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