Polícia Federal conclui inquérito sobre 14ª fase da Lava Jato

Otávio Marques de Azevedo, atual presidente da holding da Andrade Gutierrez, é indiciado pela PF.

Otávio Marques de Azevedo, atual presidente da holding da Andrade Gutierrez, é indiciado pela PF.

A Polícia Federal conclui, hoje (18/07/2015) o inquérito referente à 14ª fase da Operação Lava Jato. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, este é o prazo final para a conclusão do inquérito, que será agora encaminhado ao Ministério Público.

Essa fase da operação foi deflagrada há 30 dias e focou nas empresas Andrade Gutierrez e Odebrecht, com a prisão de executivos e funcionários das duas empreiteiras, inclusive os presidentes Otávio Marques de Azevedo e Marcelo Odebrecht, respectivamente.

O inquérito da PF, no entanto, será concluído sem os depoimentos dos presos ligados à Odebrecht. Segundo a assessoria do órgão, a opção da defesa deles é de que eles não prestassem depoimento, o que é um direito legal dos presos.

Ainda não é possível saber o que constará no inquérito, quem serão os acusados, nem quais crimes serão apontados. A operação foi deflagrada porque havia indícios concretos de que as duas empresas usavam um esquema “mais sofisticado” de pagamento de propina a agentes públicos e políticos por meio de contas no exterior, o que exigiu maior aprofundamento das investigações, antes do pedido de prisão dos diretores.

De acordo com o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, três colaboradores – entre eles, os ex-diretores da Petrobras, presos em fases anteriores da Lava Jato, Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco – disseram que receberam propina da Odebrecht no exterior, por meio de empresas offshore. Esses pagamentos, segundo Lima, foram identificados pela PF e pelo MPF após colaboração com autoridades estrangeiras.

Indiciados

A Polícia Federal (PF) indiciou neste domingo o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, e mais oito investigados na Operação Lava Jato, entre eles executivos que foram ligados à empreiteira e consultores apontados como operadores de propina no petrolão. A Andrade Gutierrez tem negado participação no esquema de fraude a contratos da Petrobras.

O delegado da PF Eduardo Mauat conclui o inquérito sobre o envolvimento dos indiciados nos crimes de fraude a licitação, corrupção ativa, lavagem ou ocultação de bens ou valores e crime contra a ordem econômica (cartel). Segundo a PF, foram objeto dos crimes contratos das obras nas refinarias Rnest e Comperj. Parte das informações que levaram ao incidicamento foram prestadas pelo ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco, que fechou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público.

Os demais indiciados são Rogerio Nora de Sá, Flavio Lucio Magalhães, Antonio Pedro Campello de Souza, Paulo Roberto Dalmazzo, Elton Negrão de Azevedo Junior, Mário Frederico Mendonça Góes, Lucélio Roberto Von Lehsten Góes e Fernando Antonio Falcão Soares, o Baiano.

As investigações ainda prosseguem já que o delegado informou que falta analisar uma série de documentos apreendidos, bem como periciar celulares e mídias.

Em relação a Otávio Marques de Azevedo, atual presidente da holding da Andrade Gutierrez, além de ter sido citado nominalmente pelos colaboradores, vendeu a uma lancha a Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano – o qual passou a ser o operador junto a AG a partir de 2008/2009, segundo Paulo Roberto Costa, o que demonstra a proximidade entre ambos. Já Rogerio Nora de Sá, presidente da Andrade Gutierrez até 2011, era um dos principais interlocutores junto às diretorias de Abastecimento e de Serviços”, escreveu o delegado no relatório do inquérito policial.

“Entendemos ainda que, em relação a Otávio Marques de Azevedo e a Rogerio Nora de Sá, não se trata de uma imputação objetiva, mas de não aceitar a invocação de ignorância em benefício próprio. Em sendo os ajustes de licitações e pagamentos escusos a dirigentes da Petrobras atos que em tese viriam a beneficiar a empresa, não se tratando de mera iniciativa de algum executivo de forma isolada e em benefício próprio, hão de ser entendidos como atos de gestão do grupo Andrade Gutierrez.”.

Com informações da Agência Brasil e Revista veja.

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