Governo da Bahia convoca sociedade para combater o tráfico de pessoas

O cantor Tatau participou do lançamento da campanha Coração Azul ao lado de autoridades, outros artistas e entidades de defesa de direitos humanos.

O cantor Tatau participou do lançamento da campanha Coração Azul ao lado de autoridades, outros artistas e entidades de defesa de direitos humanos.

O Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), deu início, na manhã de quarta-feira (08/07/2015), ao Julho Azul, série de atividades voltadas ao esclarecimento e combate ao tráfico humano na Bahia. Parte da campanha internacional Coração Azul, iniciativa do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), o lançamento contou com a presença do padrinho da campanha na Bahia, o cantor Tatau, do secretário da SJDHDS, Geraldo Reis, além de representantes de outras secretarias de estado, como a SPM, SETRE, SEPROMI e SERIN.

Também participaram do evento, o Ministério Público, o Ministério Público do Trabalho, o Tribunal de Justiça, Defensoria Pública, Polícia Militar, o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente da Bahia (Cedeca), as comissões da Assembléia Legislativa de Direitos Humanos, de Promoção da Igualdade e de Direitos da Mulher, além dos agentes comunitários de direitos humanos.

“O coração azul simboliza o engajamento das autoridades, dos artistas, das entidades não governamentais e de toda a sociedade contra o tráfico de pessoas, que está muitas vezes associado à exploração sexual, ao trabalho análogo ao escravo, à adoção ilegal e ao tráfico de órgãos. Não é um crime qualquer. Em pleno século XXI, nós ainda não conseguimos abolir os reflexos da escravidão, ainda convivemos com essa prática bárbara. A sociedade civil tem que se manifestar à altura”, disse o secretário de Justiça, conclamando todos a participarem das atividades da campanha neste mês. A programação pode ser acessada por meio da fanpage da secretaria no Facebook: Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social. Na rede, o usuário pode, ainda, “vestir” o seu avatar com o coração azul.

Dois artistas baianos apadrinham a campanha, sendo Ivete Sangalo a madrinha nacional e Tatau o padrinho da mobilização estadual. “Com muito prazer, com muito orgulho, abraço mais uma vez essa campanha. Na verdade, eu represento um pouco de cada artista. Aqui temos a figura de Tatau e de Ivete, mas pode ter certeza que tem um pouco de Carlinhos Brow, de Durval, de Bel, do Saulo e de tantos outros grandes artistas dessa Bahia. Eu acho que é o momento de abraçar, denunciar e esclarecer à sociedade sobre tudo isso que acontece”, disse Tatau na abertura do evento, na sede do Ministério Público do Estado, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador.

O evento contou ainda com outros artistas talentosos: o quinteto de sopro do Neijiba e o Teatro da PMBA. A peça “E aí, tio?” retratou de forma muito emocionante situações de aliciamento para o tráfico de pessoas, além de abordar a relação da PM com a sociedade.

O coordenador do de Direitos Humanos do Ministério Público Estadual, Clodoaldo Anunciação, falou diretamente aos jovens estudantes da plateia: “minha mensagem aos jovens, que podem ser vitimas de um complexo de cinderela, de um complexo de ser alguém importante e de ser reconhecido, é para chamar sua atenção de que podem acabar sendo vitimas das armadilhas do mundo moderno”, alertou.

Aliciamento – O procurador do Ministério Público do Trabalho, Ilan Fonseca, em sua palestra sobre trabalho escravo, explicou que “o aliciamento é feito com base em falsas promessas, é um engodo. Prometem uma vida fácil. No caso do trabalho escravo, um bom emprego, com alimentação farta, alojamentos, bom salário. Assim, os trabalhadores são seduzidos. Os aliciadores se aproveitam de situações de desemprego e de miséria”, relata. Segundo ele, “algumas atividades ilegais se associam ao tráfico de pessoas para se aproveitarem de uma condição vulnerável. A pessoa que vem de outro local, outra cidade, fica mais suscetível à coação. Ela fica refém e mais vulnerável a acatar o controle e as punições impostas”, disse.

Atividades citadas pelo procurador onde já houve flagrante de trabalho escravo na Bahia são as carvoarias, as culturas de soja, millho e algodão, todas no Oeste, o café, no Sudoeste, a construção civil, em Feira de Santana, Ilhéus e Salvador, os navios de cruzeiros, além do desmatamento, das serrarias e da pecuária.

O coordenador Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Bahia (NETP-BA), da SJDHDS, Admar Fontes, lembra que Feira Santana, Porto Seguro e Salvador são os principais municípios na rota do tráfico humano no estado, em função do turismo ou da posição estratégica para o deslocamento, tendo a Polícia Rodoviária Federal papel estratégico. O desaparecimento de pessoas pode estar relacionado a este tipo de crime. Denúncias de tráfico de pessoas podem ser feitas pelo disque 100 ou 180, ou por meio do NETP, no Pelourinho, rua Frei Vicente, nº 10, telefone (71) 3266-0131.

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