Excomungado pela Igreja Católica, Roberto Francisco Daniel visita Feira de Santana para fundar igreja ‘Humanidade Livre’

Roberto Francisco Daniel (padre Beto) visita Feira de Santana com a finalidade de inaugurar templos religiosos.

Roberto Francisco Daniel (padre Beto) visita Feira de Santana com a finalidade de inaugurar templos religiosos.

Nos dias 20 a 23 de julho de 2015, Roberto Francisco Daniel (padre Beto) visita Feira de Santana com a finalidade de promover reuniões para inaugurar, no município, a igreja ‘Humanidade Livre’.

Padre Beto – O excomungado pela Igreja Católica

Segundo a assessoria de imprensa de Roberto Francisco Daniel (padre Beto) foi excomungado por pregar ideias humanistas. Em resposta a excomunhão, ele fundou “Humanidade Livre”, igreja que segue apenas os ensinamentos de Jesus.

Depois de atuar por 14 anos na Igreja Católica, o padre Roberto Francisco Daniel, mais conhecido como padre Beto, renunciou ao sacerdócio e acabou por ter sua excomunhão decretada. Tudo aconteceu após declarações registradas num vídeo publicado no Youtube, onde o padre aborda e questiona temas relacionados à moral e fala com aceitação sobre assuntos como bissexualidade e homossexualidade.

O Vaticano ratificou a decisão da excomunhão dado pelo bispo de Bauru em novembro de 2014, mas até hoje, padre Beto diz não ter recebido nenhum comunicado. “É incrível, mas até hoje não recebi nenhuma comunicação oficial. Eu soube pela imprensa apenas”, comenta o religioso.

O religioso se afastou da igreja em abril de 2013, após ser repreendido pela diocese local por declarações publicadas na internet. Em redes sociais ele contestou os princípios morais conservadores da igreja e opinou sobre assuntos considerados polêmicos como homossexualidade e infidelidade. Por não se retratar publicamente, como determinou o bispo de Bauru, ele foi excomungado.

Desde então, padre Beto continua a desenvolver atividades pastorais – missas, casamentos e atendimentos. O diferencial é que, no caso dos casamentos, por exemplo, ele tem realizado cerimônias entre pessoas divorciadas e do mesmo sexo, o que seria impossível de se imaginar na Igreja Católica.

Com pensamentos progressistas e humanitários, padre Beto defende uma revisão na moral sexual da Igreja Católica. Segundo ele, há que se considerarem questões como métodos contraceptivos, masturbação e diversidade sexual.

“A moral sexual da igreja como um todo precisa ser revisada, pois está muito defasada. A igreja precisa discutir sobre esses assuntos, pois da maneira que está gera hipocrisia. Um exemplo básico é que as maiorias dos casais usam anticoncepcionais, camisinha, fazem vasectomia, mas frequentam a igreja e fingem usar o método Billings (tabelinha), que é pregado pelos padres. Os jovens também já começam a sexualidade com culpa, através da masturbação, ato que a Igreja Católica considera individualista e pecaminoso”, diz.

Missas alternativas 

Depois da excomunhão, padre Beto não sabia exatamente o queria fazer. Com muitos casamentos agendados, ele começou a desmarcar. Mas foi em vão. “Eu tinha um número de agendamentos de casamentos muito grande, então eu comecei a desmarcar muitos casamentos, mas aí muitos casais começaram a responder pra mim que agora eles fariam questão de que eu celebrasse os seus casamentos”, explica o padre.

Cinco meses após celebrar a primeira missa alternativa em um ginásio poliesportivo na cidade de Bauru, no interior de São Paulo, padre Beto anunciou a criação da igreja “Humanidade Livre”. Com o slogan “acreditar em Deus é o que nos une”, a nova denominação, identificada com a teologia da libertação, prega o amor sem preconceito de raça, sexualidade ou estilo de vida.

A missa alternativa tem sido acompanhada por um público de 400 pessoas, e segue os ritos da celebração tradicional da Igreja Católica, como a realização de primeira e segunda leitura, a consagração e distribuição da hóstia. Mas deixou de fora alguns ritos que só existem na celebração católica: a leitura do salmo responsarial e a profissão de fé, por exemplo. “A celebração já é a profissão de fé”, explicou.

Os músicos deixaram de lado as canções tradicionais religiosas e entoaram músicas populares como “Tempos Modernos” e “Toda Forma de Amor”, de Lulu Santos, entre outras.

Humanidade Livre 

A igreja vai ser um espaço onde possa se construir o amor, a fé, e a cidadania. A ideia é ser uma igreja que não tem doutrina, não tem preceitos morais. É uma igreja que segue somente Jesus Cristo, e vai tentar cumprir apenas os dois mandamentos que o Cristo pregou que é amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo. De acordo com Padre Beto, ela será mantida por festas beneficentes, promoções, e outros eventos que serão realizadas pelos próprios membros, e por ofertas daqueles que quiserem doar.

Em tempo futuros, o padre também pretende que a igreja seja um espaço destinado a formar profissionais cidadãos. “Nós pretendemos desenvolver cursos para pessoas carentes. Com um único diferencial: toda pessoa que fizer um curso na Humanidade Livre terá que fazer um curso de cidadania. Queremos formar mentes cidadãs, isso para nós é amar o próximo”, completou padre Beto.

Excomunhão 

Poucos sabem, mas a excomunhão não tira o título de padre de alguém. E por isso mesmo tendo sido excomungado, ele continua sendo padre, até mesmo perante a Igreja Católica.

“Tornei-me um padre excluído, mas continuo sendo padre. Eu me sinto padre, não tem como mudar isso. Banido, mas eu sou um sacerdote. Isso oficialmente, para Igreja Católica. Existe o processo de secularização. Eles (o Vaticano) podem abrir um processo desse e para a Igreja Católica eu deixo de ser padre mesmo, eu volto ao estado laico. Por enquanto eu sou um padre, só que um padre excomungado.

O pessoal usa o ex-padre talvez por não entender a excomunhão, o que ela é. Eu espero agora com a criação da Humanidade Livre espero que o pessoal fale “ele é um padre da Humanidade Livre”, explica padre Beto.

Documentário que conta a história de Padre Beto concorre a prêmio nos EUA 

Após a repercussão da excomunhão, o cineasta curitibano Alex Ferreira, gravou o documentário “O Excomungado”, que é finalista do prêmio oferecido pela Associação de Escritores em Religião 66ª edição do RNA 2015 ‘Documentaries Contest’, cuja final acontece em agosto, na Filadélfia, Estados Unidos.

O filme foi gravado em Bauru, em 2013, e mostra o caso da excomunhão de padre Beto que foi o primeiro padre a ser excomungado por pregar ideias humanistas desde Giordano Bruno, em 1600.

Quem é Roberto Francisco Daniel (padre Beto)?

Padre Beto (Roberto Francisco Daniel), bauruense, nascido em 1965. Formado em Radialismo (SENAC-SP), em Direito pela Instituição Toledo de Ensino (Bauru), em História pela Universidade do Sagrado Coração (Bauru) e em Teologia pela Universidade Estadual Ludwig-Maximilian de Munique, Alemanha. Nesta última concluiu seu doutorado em Ética. Foi ordenado Padre pela Igreja Católica em Bauru no ano de 1998.

Exerceu o ministério de sacerdote na Diocese de Bauru por 14 anos. Professor de Filosofia da Faculdade de Direito (ITE), professor de Filosofia nos Cursos de Direito, Administração e Magistério da Unip-Bauru. Ministrou aulas de Filosofia para o ensino médio e cursinhos.

Por cinco anos foi apresentador da rádio 96 FM Bauru. Durante nove anos foi cronista do Jornal da Cidade (Bauru) e logo após escreveu para o Jornal Bom Dia (Bauru). Foi apresentador da “Mensagem do Dia” na 94 FM (Bauru) e apresentador do programa “Tema Livre” na mesma rádio. Também apresentou o programa “Espaço Aberto” pela Auri Verde AM Bauru, aos Domingos das 22h a Meia Noite. Atualmente é cronista do Jornal Comercio do Jahu e do site Guia Gay. É autor de diversos livros sendo dois em língua alemã. O ultimo livro publicado foi “Jesus e a sexualidade”.

Sobre o autor

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