Jesus Cristo: um negócio rentável

O kit “De bem com a vida” sai por R$ 79 e “exala o bom cheiro de Cristo”.

O kit “De bem com a vida” sai por R$ 79 e “exala o bom cheiro de Cristo”.

Até o final do século passado – século XX – dizia-se que a Coca Cola era o produto mais vendido no mundo, mas com o advento das diversas religiões que a cada dia surgem no “mercado”, esta afirmação se tornou secundária. Os “líderes” religiosos contemporâneos transformaram Jesus Cristo em um produto/negócio dos mais rentáveis do planeta.

Sem precisar frequentar as prateleiras e os spots das grandes redes de lojas e supermercados, Jesus Cristo vem batendo recordes de venda contra todo e qualquer produto que possa existir no mercado consumidor, pois o Filho de Deus passou a ser um objeto multi diversificado. O produto Jesus penetra em qualquer segmento mercadológico atingindo de forma assustadora o público alvo estabelecido por seus “produtores”, ou seja: todo aquele que possua dinheiro para adquiri-lo.

As redes sociais se tornaram um veículo preferido por estes falsos religiosos para desenvolver um marketing pesado. Já podemos encontrar produtos de todo segmento comercial como: perfume com cheiro de Jesus, vassouras ungidas para varrer o pecado da sua vida, além de um kit de cosméticos dirigido ao público feminino, contendo hidratantes, sabonetes líquidos entre outros produtos, todos com o cheiro e a marca da Grife Jesus Cristo – “Eu sei que depois da minha partida, lobos ferozes penetrarão no meio do rebanho, e não os pouparão” (Atos 20:29)

Segundo Brennan Manning, em seu livro O Evangelho Maltrapilho: quando a religião demonstra desdém e desrespeita os direitos das pessoas, mesmo alegando os pretextos mais nobres, ela nos afasta da realidade e de Deus. Podemos aplicar “linguagem reversa” à religião, e fazer da religião uma fuga da religião.

Vassouras ungidas para varrer os pecados de sua vida.

Vassouras ungidas para varrer os pecados de sua vida.

Jesus Cristo foi transformado por estas criaturas de caráter ínfimo, em um estelionatário, pois todo e qualquer fiel que possuir uma dívida e passar a toalha ungida – toalha essa adquirida em uma dessas igrejas contemporâneas – na porta do banco credor, sua dívida será zerada em nome do Filho de Deus. Talvez um hacker divino que entrou no sistema do banco e apagou todos os registros da dívida do “fiel” (?).

Para acabar com esta pouca vergonha, pois quem de direito não toma as devidas providências, seria necessário que Deus, como há aproximadamente 5.600 anos a.C., provocasse outro dilúvio varrendo da face da terra todos estes facínoras que provocam uma profunda decepção aos olhos do Criador sobre a raça humana; pode-se concluir que estas pessoas são fundamentalmente más e que possuem natureza igual aos ladrões da parábola do bom samaritano que se apossam do que pertence aos outros não os respeitando, porque o importante neste mundo é a sobrevivência do mais “esperto” em detrimento do mais humilde. Infelizmente nos diz Brennan Manning: o Pai de Jesus ama a todos, não importando os seus pecados.

Sobre o autor

Alberto Peixoto
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. Saiba mais visitando: http://www.albertopeixoto.com.br