Construção do Shopping Popular pela prefeitura de Feira de Santana é caracterizado por violação da identidade imaterial do povo baiano e feirense

Vista aérea do Centro de Abastecimento de Feira de Santana. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)

Vista aérea do Centro de Abastecimento de Feira de Santana. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)

Produtos que possuem identidade regional são comercializados no Centro de Abastecimento de Feira de Santana. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)

Produtos que possuem identidade regional são comercializados no Centro de Abastecimento de Feira de Santana. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)

Feirante do Centro de Abastecimento de Feira de Santana. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)

Feirante do Centro de Abastecimento de Feira de Santana. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)

Artesão do Centro de Abastecimento de Feira de Santana. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)

Artesão do Centro de Abastecimento de Feira de Santana. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)

A vontade política do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (DEM), tem sido cerceada pela incompetência de parte do secretariado. Eles são incapazes de apresentar soluções adequadas para problemas sociais complexos.

Um dos problemas de significativa dimensão socioeconômica é a ocupação irregular do solo urbano praticado por vendedores ambulantes e camelôs. Na tentativa de solucionar o problema, os “gênios” que assessoram o prefeito resolveram utilizar parte considerável do Centro de Abastecimento do Município para construção do Shopping Popular. Mas, a incompetente solução confronta com parecer técnico elaborado pelo Estado da Bahia. O documento qualifica o Centro de Abastecimento como elemento definidor da identidade do povo baiano, e do povo feirense.

Parecer

O Parecer Técnico n° 004/15, emitido em 29 de maio de 2015, pela Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural (DIPAT) do Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia (IPAC) concluí que:

– O Centro de Abastecimento de Feira de Santana é parte da própria identidade e características da cidade e vem, durante o tempo de existência e funcionamento, demonstrando grande dinamismo constituindo-se, assim, referência cultural não só para esta urbe, mas para a região.

– O Centro de Abastecimento apresenta grande relevância para a memória cultural e economia feirense, portanto baiana. É um lugar singular porque no somatório de atividades mercantis, artesanais e culturais demonstra esta qualidade.

– Ameaçado de desativação ou remanejamento para construção de um shopping popular com características diversas e exóticas, é de suma importância que o Centro permaneça onde está com sua dinâmica própria, para adquirir a densidade histórica necessária e possa, em um futuro próximo, conquistar, a chancela de Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia. Ademais a Cidade de Feira de Santa necessita de referências históricas e culturais salvaguardadas para não perder parte de sua memória e identidade cultural.

– Necessário será a requalificação e revitalização do espaço, tematizando seus lugares, tornando-os atrativos, inclusive turisticamente, onde tradição e modernidade possam conviver em harmonia e não se corra o risco de ver fenecer parte significativa e formadora da construção das identidades feirenses e baianas.

Processos

Assinado por Antonio Roberto Pellegrino Filho, gerente de patrimônio imaterial do IPAC, o Parecer Técnico n° 004/15 foi encomenda pela Defensoria Pública do Estado da Bahia. O documento é suficiente para consolidar uma compreensão de que a modificação das características originarias do Centro de Abastecimento implica na violação da identidade sociocultural e econômica do povo feirense. Observa-se que, por ser o maior entreposto do norte e nordeste, a violação do Centro de Abastecimento atinge a própria identidade do povo baiano.

Caso o gestor municipal, e os incompetentes assessores tentem dar sequência a esta violação imaterial do povo baiano, eles serão réus em inúmeros processos judicias. Observa-se que o projeto também será objeto de demanda na esfera federal, e ações a serem protocoladas na Justiça Federal podem suspender a execução do projeto do Shopping Popular, em decorrência da evidente violação.

Lamentavelmente, a ineficiente equipe de governo do prefeito José Ronaldo o conduz para mais uma derrota. A vontade política do gestor é limitada pela incapacidade intelectual das pessoas que o cercam. Observa-se que depois de se pensar em um determinado local para implantar empreendimento de significativo porte, são necessários estudos socioeconômicos que levem em consideração as modificações e impactos decorrentes do empreendimento. Um conceito básico que deve ser aplicado em qualquer atividade, tanto na esfera pública, como na esfera privada. Mas, que lamentavelmente é sistematicamente desprezada pela equipe de governo.

Baixe

Parecer Técnico n° 004/15 elaborado pelo IPAC sobre o Centro de Abastecimento de Feira de Santana

Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.