Comissão da Câmara Federal vai pedir explicações à Petrobras sobre paralisação do estaleiro Enseada Naval na Bahia

Jorge Solla: "Não podemos permitir que o combate à corrupção, que é essencial, venha a paralisar, ou mesmo inviabilizar os investimentos na indústria naval nacional.".

Jorge Solla: “Não podemos permitir que o combate à corrupção, que é essencial, venha a paralisar, ou mesmo inviabilizar os investimentos na indústria naval nacional.”.

A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados realizou visita técnica, no dia 1º de junho de 2015, ao Estaleiro Enseada Paraguaçu, em Maragogipe, na Bahia. O objetivo da visita foi analisar a situação do estaleiro que está com seu funcionamento paralisado desde outubro do ano passado, depois que a operação Lava-Jato da Polícia Federal revelou um esquema de corrupção envolvendo a empresa Sete Brasil, responsável pela contratação do estaleiro para a Petrobras.

A empresa Enseada Indústria Naval S.A. (Estaleiro Enseada Paraguaçu) foi construído para produzir sondas para perfuração de petróleo na camada do pré-sal. O estaleiro está com 83% de suas obras concluídas e até agora já foram gastos R$ 3 bilhões.

O diretor de relações institucionais do Enseada, Márcio Cruz, lembrou que o estaleiro deveria estar empregando atualmente mais de 3 mil funcionários, mas conta hoje com apenas 117 pessoas encarregadas da manutenção e da segurança do local. “Não existe uma perda desse equipamento, apenas o custo de manutenção dele que não é pequeno, mas que será mantido pela empresa para assegurar que esse patrimônio esteja pronto para retomar a atividade.”

Para o presidente da comissão, deputado Benjamin Maranhão (SD-PB), os contratos firmados pela Petrobras precisam ser cumpridos para evitar perdas maiores para o País. “Nós iremos convocar o presidente da Petrobras para discutir sobre esse tema. É preciso que a Petrobras tome uma posição, principalmente em relação à manutenção dos contratos com esses estaleiros. O grande problema agora não é só o financiamento, é a reafirmação por parte da Petrobras dos contratos que já foram firmados e que são juridicamente existentes.”

O deputado Jorge Solla (PT-BA) defendeu a continuidade das investigações e o combate à corrupção, mas sem prejudicar o desenvolvimento de um setor importante para o País como o naval. “Não podemos permitir que o combate à corrupção, que é essencial, venha a paralisar, ou mesmo inviabilizar os investimentos na indústria naval nacional.”

Empobrecimento da região

Salinas da Margarida, município vizinho a Maragogipe, foi diretamente beneficiado com a construção do estaleiro, mas agora sofre um processo de empobrecimento por conta da paralisação das obras.

O prefeito de Salinas, Jorge Antonio Castellucci Ferreira (Jorginho), pede uma solução urgente para o problema que vem sendo enfrentado pela população da cidade e de mais 15 municípios da região. “Criou-se a expectativa de uma geração de emprego e renda para nossa comunidade. Quando a gente começa realmente a implementar cursos profissionalizantes para melhorar a qualificação dos nossos jovens, para buscar melhores empregos, houve essa paralisação que, infelizmente, afetou não só os empregos, mas também todo o comércio que estava sendo gerado pela quantidade de profissionais que estavam residindo em nosso município.”.

*Com informações da Agência Câmara.

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