Kits de apicultura e ‘Casas de Mel’ incrementam renda de produtores familiares do norte baiano

Codevasf investe em apicultura.

Codevasf investe em apicultura.

A produção de mel está agregando renda para 522 famílias de agricultores dos municípios de Remanso, Pilão Arcado e Campo Alegre de Lourdes, no norte da Bahia, região fortemente afetada pelas estiagens. O investimento da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em apicultura na região desde 2012 foi de aproximadamente R$ 2,6 milhões; a ação integra o eixo de inclusão produtiva do Plano Brasil sem Miséria e conta com recursos da Secretaria de Desenvolvimento Regional do Ministério da Integração Nacional (SDR/MI).

Os beneficiários vivem em comunidades rurais difusas e alguns deles já desenvolviam a atividade, embora de maneira informal, sem muito conhecimento sobre a atividade e suas tecnologias. Além da implantação de 522 kits de apicultura, a Codevasf, por meio de sua 6ª Superintendência Regional, sediada em Juazeiro, ofereceu capacitações às famílias e investiu R$ 565,7 mil na construção de uma unidade de beneficiamento de mel em Sento Sé e de um entreposto de beneficiamento de mel em Casa Nova.

Os kits familiares de apicultura implantados na região são compostos, cada um, por 20 colmeias Langstroth completas, 20 suportes, dois equipamentos para proteção individual, 20 kg de cera alveolada, uma carretilha, um formão e um fumigador. O valor individual de cada kit é de aproximadamente R$ 5 mil. As famílias beneficiárias devem integrar o CadÚnico de programas sociais do governo e se enquadrar entre aquelas que possuem renda per capita de até R$ 77,00 ao mês.

“Para mim, foi a melhor coisa que aconteceu. Eu tinha umas caixinhas de abelhas ‘oropa’ e sempre tive vontade de aumentar minha produção, mas só tinha dinheiro para dar de comer à minha família. Com a chegada desse benefício, as coisas melhoraram, e hoje já tenho uma boa renda”, comemora o produtor familiar Dailton de Souza Silva, que mora com a família na comunidade de Suvela, município de Remanso.

Em uma retirada quinzenal de mel, no final do ano passado, Dailton obteve cerca de 150 litros das 20 colmeias que possui. “Mas dava para ter colhido mais, e como a seca começava a chegar, achei melhor não mexer para segurar as abelhas para o ano seguinte”, observou o apicultor. Naquela época, esse volume de mel colhido rendeu à família aproximadamente R$ 1,1 mil.

Na comunidade de Lagoa do Padre, no município de Pilão Arcado, o apicultor Carmino Félix da Cunha conseguiu retirar das colmeias, no mesmo período, cerca de 200 litros, o que rendeu cerca de R$ 1,4 mil à família. “Foi uma benção de Deus, pois esse dinheiro veio em boa hora para todos nós”, disse.

Diagnóstico e associativismo 

De acordo com o zootecnista Everaldo Cavalcanti, da Unidade de Desenvolvimento Territorial da Codevasf em Juazeiro, inicialmente os técnicos da Companhia realizaram um levantamento para identificar as necessidades dos indivíduos e conhecer a vocação produtiva regional e os recursos naturais de que dispunham as várias comunidades. De posse desses dados, a Codevasf pôde, então, fomentar as principais atividades produtivas, por meio do fornecimento de serviços, equipamentos necessários, materiais, insumos e capacitação. Realizados esses trabalhos, a etapa seguinte foi o acompanhamento e o monitoramento dos resultados.

“Aliado a isso, foi preciso também o incentivo às práticas associativistas, cooperativistas e a integração do público alvo às cadeias produtivas por meio das ações de arranjos produtivos locais que também são desenvolvidas pela Codevasf”, acrescenta Cavalcanti.

Capacitações 

Em Campo Alegre de Lourdes, 16 capacitações em apicultura básica foram efetivadas, contemplando cerca de 278 pessoas. Em Pilão Arcado, foram nove, que contaram com a participação de aproximadamente 139 pessoas, entre beneficiários do programa e praticantes da atividade.

Em Remanso foram realizadas dez capacitações que atenderam a mais de 157 pessoas. Todos os participantes receberam visitas técnicas de acompanhamento para implantação correta do kit e demonstração do manejo do apiário.

Cada capacitação teve a duração de 28 horas/aulas. O custo total destas ações foi de R$ 397 mil. Nas capacitações, são repassadas noções teóricas e práticas sobre a anatomia e biologia das abelhas, as floradas apícolas, a instalação de apiários, os métodos de povoamento e de manejo das colmeias, uso dos materiais, apetrechos e indumentária necessária, o controle fitossanitário, a relação das abelhas com o meio ambiente, a coleta, armazenamento e comercialização de caixas iscas e incrustação de cera alveolada em quadros Hoffman.

“A consciência ambiental também é fortalecida com a tecnificação da apicultura, que necessita de áreas preservadas e de espécies vegetais que produzam flores”, observa Everaldo Cavalcanti. “Anteriormente, a produção de mel era feita de maneira rudimentar, através da queima do enxame e posterior retirada do produto. Dessa maneira, o enxame era destruído, causando um desequilíbrio ambiental e, consequentemente, afetando a cadeia produtiva”, aponta ele.

Segundo a gerente de Desenvolvimento Territorial da Codevasf, Izabel Aragão, o apoio técnico aos projetos de apicultura e a disponibilização de capacitações aos beneficiários são de extrema importância para promover a formação de mão de obra qualificada, despertar a consciência ambiental, incentivar o crescimento da atividade e fortalecer a cadeia produtiva.

Beneficiamento de mel 

Nas proximidades da Fazenda Beleza, localizada no povoado de Itapera, a 13 km da sede do município de Sento Sé, a Codevasf construiu e equipou, com um investimento de 216,7 mil, uma unidade de beneficiamento de mel – também chamada pelos produtores de Casa de Mel. Ela é dotada de um escritório, banheiros e salão de beneficiamento, e tem área construída de mais de 117 m². Para o funcionamento da Casa de Mel, foram doados equipamentos como centrífuga, tanques decantadores e máquinas embaladoras.

Na Comunidade Santarém, interior do município de Casa Nova, foi construído e equipado um entreposto de mel, investimento de aproximadamente R$ 349 mil. “Com a implantação do entreposto de mel, os produtores puderam melhorar a comercialização dos produtos, o que antes era feito até na beira das estradas”, afirma o técnico da Codevasf. “Em 2014 os apicultores familiares passaram a comercializar a produção de mel a valores mais justos, além de possibilitar a venda direta por meio de programas de compras públicas do governo federal, como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar)”, revela.

De acordo com Everaldo Cavalcanti, a implantação de unidades para processamento de mel tem como objetivo garantir outra fase da produção apícola, que é a industrialização, para que ela favoreça uma melhor comercialização dos produtos. Foram beneficiados com essas ações no norte da Bahia os apicultores vinculados à Associação dos Pequenos Produtores e Apicultores da Fazenda Santarém, a Associação de Fundo de Pasto dos Pequenos Produtores e Apicultores de Ladeira Grande e a Associação de Agricultores dos Moradores de Salina da Brinca.

Ação na Bahia 

Em toda a área de atuação da Codevasf na Bahia – que inclui o Submédio São Francisco (norte do estado) e o Médio São Francisco (parte do oeste, do sudoeste e do noroeste baiano) -, a Codevasf investiu R$ 12,3 milhões entre 2012 e 2014 para impulsionar a atividade apícola junto a comunidades rurais difusas e em benefício de famílias inseridas no CadÚnico do governo federal. São aproximadamente 1,5 mil famílias baianas beneficiadas em 22 municípios com os kits de apicultura.

No Médio São Francisco baiano foram entregues mil kits de apicultura, um por família, para associações de agricultores familiares de 19 municípios – um investimento de R$ 3,14 milhões. Já na aquisição de equipamentos para beneficiamento de mel e cera, cujos processos de entrega estão em tramitação, o investimento na região é de R$ 1,1 milhão.

Emprego e renda 

A cadeia produtiva da apicultura é responsável pela geração de inúmeros postos de trabalho e emprego, bem como pelo aumento da renda, sobretudo na agricultura familiar, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida no meio rural. O Brasil possui grande potencial para a atividade, considerando as características da flora e do clima. Estima-se que o país produza de 20 a 50 mil toneladas de mel por ano, e a região Nordeste responde por cerca de 55% da produção nacional, sendo os estados do Piauí, Ceará, Bahia e Pernambuco os maiores destaques nesse segmento.

Dados da Associação Brasileira de Exportadores de Mel (Abemel) apontam que, somente no mês de janeiro de 2015, foi exportado um montante de US$ 7,3 milhões. Em comparação com o mesmo mês de 2014, o Brasil registrou um aumento de 36,55% nas exportações de mel em valor exportado e de 24,05%% em volume. No país, a maior parte da produção advém de pequenos e médios apicultores que possuem, em média, menos de 100 colmeias, com produtividade estimada em torno de 30 quilos anuais de mel por colmeia.

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