Operação Lava Jato: delator Pedro Barusco diz que PT recebeu propina de até US$ 200 milhões; partido nega

Ex-gerente de Engenharia da Petrobras Pedro José Barusco Filho era subordinado de Renato Duque, ex-gerente de Engenharia da estatal.

Ex-gerente de Engenharia da Petrobras Pedro José Barusco Filho era subordinado de Renato Duque, ex-gerente de Engenharia da estatal.

O ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco disse, em depoimento de delação premiada firmado com o Ministério Público Federal (MPF), em novembro de 2014, que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, recebeu propina em nome do partido em 90 contratos da Petrobras, num total entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões. Em nota oficial, o partido reiterou que recebe apenas doações legais, que são declaradas à Justiça Eleitoral, e prometeu processar seus acusadores “pelas mentiras proferidas contra o PT”.

As declarações de Barusco foram divulgadas após decisão do juiz federal Sérgio Moro, que retirou o sigilo das investigações da nona fase da Operação Lava Jato, iniciada na quinta-feira (5/02/2015). Para estimar a quantia, o ex-gerente se baseou no valor que recebeu, US$ 50 milhões. Segundo ele, Vaccari começou a operar o esquema a partir do momento em que assumiu o cargo de tesoureiro do partido. Desde então, disse Barusco, o tesoureiro foi responsável por operar os recebimentos por parte do PT.

Barusco confirmou no depoimento que ele e Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras entre 2003 e 2013, recebiam propina para facilitar que empresas assinassem contratos de grande porte com a estatal, como os da Refinaria Abreu e Lima e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Sobre o depoimento de Barusco, a assessoria de imprensa do PT divulgou nota oficial em que reitera que o partido recebe apenas doações legais e que são declaradas à Justiça Eleitoral.

“As novas declarações de um ex-gerente da Petrobras, divulgadas hoje, seguem a mesma linha de outras feitas em processos de ‘delação premiada’, que têm como principal característica a tentativa de envolver o partido em acusações, mas não apresentam provas ou sequer indícios de irregularidades e, portanto, não merecem crédito. Os acusadores serão obrigados a responder na Justiça pelas mentiras proferidas contra o PT”, diz ainda a nota.

Em nota, oO advogado de João Vaccari Neto, Luiz Flávio Borges D’Urso, também contestou as acusações de Barusco. Segundo a nota, Vaccari “há muito ansiava pela oportunidade de prestar os esclarecimentos que nesta data foram apresentados à Polícia Federal, para, de forma cabal, demonstrar as inúmeras impropriedades publicadas pela imprensa nos últimos meses, envolvendo seu nome”.

A defesa do tesoureiro do PT reitera, na nota, que o partido “não tem caixa 2, nem conta no exterior, não recebe doações em dinheiro – somente recebe contribuições legais ao partido, em absoluta conformidade com a lei, sempre prestando as respectivas contas às autoridades competentes”.

O advogado de Vaccari garante que ele “permanece à disposição das autoridades para prestar todos e quaisquer esclarecimentos, e que sua condução coercitiva, desta data, entendeu-se desnecessária, pois bastaria intimá-lo, que o Sr. Vaccari comparece e presta todas as informações solicitadas, colaborando com as investigações da Operação Lava Jato, como sempre o fez”.

Barusco também afirmou que a ex-presidenta da Petrobras Graça Foster e Ildo Sauer, ambos ex-diretores de Gás e Energia, não tinham conhecimento dos desvios porque “não havia espaço para conversar isso” com eles.

O tesoureiro foi conduzido hoje de manhã à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo para esclarecer a acusação de delatores de que atuava na cobrança de propina e de doações legais para o partido.

Em nota divulgada no site do PT, Vaccari disse que todos os questionamentos dos delegados foram respondidos. “Todas as perguntas feitas pelo delegado foram esclarecidas. Respondi a tudo com transparência, lisura e total tranquilidade.”.

Com informações da Agência Brasil

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