Como a corrupção clivou o governo federal, e por que Dilma Rousseff escolheu Feira de Santana para iniciar visitas oficiais

Ao visitar Feira de Santana, presidenta Dilma Rousseff busca aproximar-se das massas e mudar a pauta sobre corrupção e crise econômica, abordados pela imprensa. Realidade socioeconômico do empreendimento inaugurado traduz a práxis de um governo pela corrupção e ineficiência.

Ao visitar Feira de Santana, presidenta Dilma Rousseff busca aproximar-se das massas e mudar a pauta sobre corrupção e crise econômica, abordados pela imprensa. Realidade socioeconômico do empreendimento inaugurado traduz a práxis de um governo clivado pela corrupção e ineficiência.

Helicóptero da Presidência da República. Presidenta Dilma Rousseff teve um breve vislumbre de como a corrupção se tornou práxis de governo.

Helicóptero da Presidência da República. Presidenta Dilma Rousseff teve um breve vislumbre de como a corrupção se tornou práxis de governo.

Vista dos Residenciais Solar da Princesa 3 e 4. Observa-se, no segundo plano, o aterro da Sustentare.

Vista dos Residenciais Solar da Princesa 3 e 4. Observa-se, no segundo plano, o aterro da Sustentare.

“Tempestade perfeita” é um conceito utilizado pelo cientista político e professor da Universidade Federal de Pernambuco Marcus Melo, com a finalidade de sintetizar o conjunto de eventos que conduz o início do segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff a ser avaliado como um dos mais fracos da história republicana do país.

Em entrevista publicada em 23 de fevereiro de 2015 no jornal Folha de São Paulo, com o título ‘Tempestade perfeita ameaça o governo Dilma’, Marcus Melo elenca o conjunto de eventos: “políticas de austeridade que devem gerar desemprego, os grandes escândalos envolvendo o PT e, daqui para frente, manifestações de rua.”, e segue, “em cima disso, agora o governo perdeu o controle político das duas casas no Congresso, na Câmara e no Senado. O partido de sustentação do governo, o PMDB, agora é quase um adversário.”.

O cientista político, ao analisar o quadro de crise econômica, avalia que “esta é uma recessão que veio para ficar, em um cenário de muita insatisfação. Nesse contexto, Dilma pode abdicar de seu poder presidencial. Pendura as chuteiras e faz uma política econômica de ajustes aqui e ali, se mantendo em uma espécie de pântano.”. Marcus Melo observa que “pela escala dos problemas, principalmente fiscal, é possível esperar uma reversão somente a partir de 2017.”.

Crise e visita a Feira de Santana

Observando o cenário de crise econômica e política, responsável pela clivagem do governo federal, Dilma Rousseff retoma o ciclo de visitas aos municípios, e inauguração de obras, com a finalidade de estabelecer contato direto com as massas, e, principalmente, objetivando definir uma pauta de notícias, para imprensa, que esteja fora do contexto da corrupção identificada da Petrobras, a partir da operação Lava Jato.

Neste sentido, ao visitar Feira de Santana, na quarta-feira (25/02/2015), para inaugurar habitações do Programa Minha Casa Minha Vida, a presidenta Dilma Rousseff literalmente desce no chorume da corrupção de valores e princípios que atingem o governo do PT, nas esferas federal, estadual e municipal.

O helicóptero, responsável por transportar a presidenta, pousou e decolou ao fundo do residencial, em um ponto intermediário entre os 1200 metros que separa o aterro da Sustentare e o empreendimento habitacional. O aterro foi interditado pela justiça estadual após ação interposta pelo Ministério Público do Estado da Bahia. O MPBA identificou, após seguidas denúncias e matérias do Jornal Grande Bahia, os crimes ambientais praticados pela empresa responsável pela gestão do aterro.

A matéria ‘Feira de Santana: no limite da irresponsabilidade, presidenta Dilma Rousseff e governador Rui Costa inauguram residencial em área contaminada’, publicada pelo Jornal Grande Bahia, na quarta-feira (25/02/2015), apresenta síntese sobre a dramática situação que o problema socioambiental adquire.

Trágico recomeço

Ao decolar no helicóptero e deixar Feira de Santana, retornando para Brasília, Dilma Rousseff apenas constatou como a corrupção se tornou práxis de governo. Ela percebeu como bons projetos, a exemplo do Minha Casa Minha Vida, são comprometidos pela sórdida conjunção de inconfessáveis e inexplicáveis interesses. Rousseff teve uma breve visão de como o governo fincou os pés no lamaçal, no chorume, da corrupção. Certamente, a presidenta deve ter se perguntado: Por quê a Caixa Econômica financiou um projeto habitacional a apenas 1200 metros de um aterro sanitário com visíveis problemas ambientais?

Ao retornar a Brasília, Rousseff leva um pouco da lama, e do chorume em que se tornou o governo petista.

Leia + 

Denúncia de crime ambiental envolve ‘máfia do lixo’ em Feira de Santana. Segundo fontes, organização atuou até mesmo dentro do MP

Presidenta Dilma Rousseff visita Feira de Santana para entregar moradias construídas próximas ao aterro interditado por crime ambiental

Máfia do lixo: decisão judicial põe fim aos crimes ambientais cometidos pela Sustentare em Feira de Santana

Feira de Santana: no limite da irresponsabilidade, presidenta Dilma Rousseff e governador Rui Costa inauguram residencial em área contaminada

Presidenta Dilma Rousseff entrega 920 moradias em Feira de Santana. Empreendimentos foram erguidos em área próxima ao aterro interditado pela justiça

Em Feira de Santana, presidenta Dilma Rousseff diz que governo não tem como baixar o preço do diesel

Em Feira de Santana, presidenta Dilma Rousseff diz que rebaixamento de nota da Petrobras é “falta de conhecimento”

Como a corrupção clivou o governo federal, e por que Dilma Rousseff escolheu Feira de Santana para iniciar visitas oficiais

Publicidade

Compartilhe e Comente

Redes sociais do JGB

Publicidade

Faça uma doação ao JGB

Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).