Exclusiva: Candidato à presidência da Câmara Federal, Eduardo Cunha comenta sobre encontro com governador Rui Costa, relação com a presidenta Dilma Rousseff e projeto de gestão

Carlos Augusto entrevista Eduardo Cunha. Ele comenta: "A gente quer fazer uma Câmara que não seja submissa ao Governo Federal e tão pouco seja uma Câmara de oposição.".

Carlos Augusto entrevista Eduardo Cunha. Ele comenta: “A gente quer fazer uma Câmara que não seja submissa ao Governo Federal e tão pouco seja uma Câmara de oposição.”.

O deputado federal pelo PMDB do Rio de Janeiro e candidato a presidência da Câmara Federal Eduardo Cosentino da Cunha concedeu entrevista exclusiva ao Jornal Grande Bahia, durante evento promovido pelo PMDB da Bahia, no restaurante Barbacoa, em Salvador, no dia 12 de janeiro de 2014.

Durante a entrevista, Eduardo Cunha comenta sobre a visita ao governador da Bahia, Rui Costa; relacionamento com a presidenta de república, Dilma Rousseff, além de analisar questões que envolvem o cenário político, denúncias de corrupção, reforma política e projeto de gestão.

Eduardo Cunha revelou que mantém uma aproximação com Feira de Santana, em decorrência de parentes da esposa, Claúdia Cruz, residirem no município. Ele também demonstrou que o PMDB tem projeto próprio de poder, e que objetiva resgatar a respeitabilidade do parlamentar colocando a pauta da Câmara Federal em sintonia com o cidadão, além de compreender que é urgente uma reforma política, mas, negou em discurso, possibilidade de referendo ou consulta popular no processo de reforma política.

Confira a entrevista

JGB – Recentemente a senadora Marta Suplicy fez críticas ao PT, e a presidenta Dilma Rousseff. Como o senhor avalia as declarações?

Eduardo Cunha – A entrevista, me parece mais um processo de briga interna do PT, e não cabe a gente se meter. É claramente uma divisão, uma racha interno.

JGB – Como  avalia o seu relacionamento com a presidenta Dilma Rousseff?

Eduardo Cunha – Normal e institucional.

JGB – Como avalia a relação do PMDB com o PT da Bahia, e também no plano Federal?

Eduardo Cunha – O PMDB tem alguns lugares do Brasil que de certa forma temos aliança, e outros lugares temos graves divergências. No meu Estado, o Rio de Janeiro, já fomos aliados e temos divergência, na Bahia já foi aliado e tem divergência. Cada um no seu local sabe o seu problema Eu não sei o problema da Bahia, eu sei o problema do Rio. Então eu não posso falar pela Bahia, eu falo pelo Rio.

Com relação ao plano Nacional, nós temos idas e vindas, com alguns problemas e com algumas coisas positivas e outras não. O balanço tem que ser feito ao fim do tempo.

JGB – Além dos Ministérios que são do PMDB. O partido também ocupa a vice-presidência da República, a presidência do Senado, e o senhor é um forte nome para presidir a Câmara Federal. Existe desejo de hegemonia política?

Eduardo Cunha – Ao contrário, nós queremos evitar a hegemonia política de quem detém o poder Executivo, e de quem que deter o poder Legislativo. Ocorre uma divisão, o PT tem a hegemonia do poder Executivo, nós estamos com o comando do poder Legislativo. É uma divisão. Evita que qualquer um tenha hegemonia. Quem tiver o partido que tem os dois poderes, ai sim, busca uma hegemonia.

JGB – Comentam um possível envolvimento do seu nome com atos de corrupção na Petrobrás. O que o senhor tem a dizer sobre isto?

Eduardo Cunha – O que eu tenho a dizer é a declaração do advogado Albert Youssef, no site G1 que eu acabei de ler, e que diz que não há nenhuma citação nas delações, e que nunca teve qualquer tipo de negócio, e se quer me conhece. Nem a mim, nem ao Senador Anastasia (PSDB/MG).

JGB – É uma tentativa de desestabilizar sua candidatura?

Eduardo Cunha – Acho que foi uma “alopragem”.

JGB – Caso eleito presidente da Câmara Federal, que mudanças pretende implementar?

Eduardo Cunha – Eu pretendo tornar a Câmara cada vez mais independente, buscando justamente a independência de poderes e harmonia, como diz a Constituição Federal. A gente quer fazer uma Câmara que não seja submissa ao Governo Federal e tão pouco seja uma Câmara de oposição. Nós queremos justamente fazer com que a Câmara possa exercer com altivez o papel constitucional.

JGB – Na próxima legislatura serão 28 partidos com representação na Câmara Federal. Como o senhor avalia este quadro?

Eduardo Cunha – É uma demonstração que precisamos debater na reforma política. Não tem sentido ter 28 partidos com representação no plenário da Câmara dos Deputados. Alguma coisa está errada, alguma coisa tem que ser mudada. Então vamos trabalhar para que a gente possa apreciar uma reforma política.

JGB – Não soa um pouco como estelionato eleitoral, quando políticos são eleitos por uma determinada agremiação, e depois se criam novas legendas para incorporar esses políticos? Isso também não gera um certo patrimonialismo na atividade pública?

Eduardo Cunha – Isso já foi decidido e debatido e chegou à Suprema Corte (STF), que decidiu que o mandato é do Partido. O que aconteceu são as formas de adversar essa decisão do Supremo, que busca fugir através da criação artificial de novos partidos. É preciso que a gente debata na reforma política como evitar que isso ocorra. Não dá para criar partido com lista de apoiamento.

JGB – Porque é tão difícil implementar a reforma política?

Eduardo Cunhaa – O grande problema é que você trata a reforma política, que vai mudar a forma de eleger daqueles que hoje foram eleitos. Ou seja, quer dizer o seguinte, eu fui eleito por um modelo, eu vou discutir para mudar esse modelo que é contra o modelo que eu fui eleito. Então há um medo natural, o conservadorismo no Congresso, de mudar o modelo e não se eleger, essa é a grande dificuldade. Se você fizer eleições mais para frente, facilita muito o modelo.

JGB – O senhor fala em Câmara independente, o que significa na prática?

Eduardo Cunha – É o que eu falei, é uma Câmara que vai cumprir exatamente o que diz a constituição, o regimento interno da Câmara. Os poderes serão independentes e harmônicos entre si. É não deixar que a Câmara seja transformada no “puxadinho” do Palácio do Planalto, nem vire um palanque eleitoral.

JGB – O senhor foi recebido por vários parlamentares baianos, através de atividade promovida pelo PMDB da Bahia. Que tipo de relacionamento, o senhor tem com a Bahia?

Eduardo Cunha – Eu tenho um relacionamento com os parlamentares, e busco ter também com a Bahia e com todos os Estados da Federação, na medida em que eu estou visitando todos eles. Estou visitando todos os governadores, todos os prefeitos de capital, estou buscando conhecer as realidades, as exigências e igualdades de cada uma das regiões do País.

Com os parlamentares da Bahia, que vão participar do meu processo eleitoral, uma bancada significativa, são 39 parlamentares, então é preciso que a gente saiba que eles têm que ser ouvidos, eles têm uma força no congresso nacional. Então eu estou buscando além daqueles que me apoiam, conversar com todos, porque depois nós vamos presidir para todos, não só para aqueles que votaram em mim.

JGB – O senhor teve um encontro com o governador Rui Costa. Poderia fazer uma síntese deste encontro?

Eduardo Cunha – O encontro foi uma visita de cortesia, foi uma visita institucional que fui muito bem recebido, gentilmente recebido por ele. Debatemos a situação, que inclusive ele falou sobre a pauta dos novos Governadores do Nordeste estão discutindo para levar ao Congresso e tão logo o Congresso seja bem instalado e falamos das dificuldades genéricas que os Estados e municípios estão tendo.

Então foi um encontro muito importante, rendeu informações valiosas que certamente lhe serão de um todo importante no diálogo que vai ocorrer, assim como todos os governadores lhe serão e esse diálogo eu tenho feito com todos, então não é porque ele é um Governador do PT, que tem um candidato à Presidente que não apoia a minha candidatura que a gente vai deixar de ter diálogo com um Governador de um Estado importante como a Bahia. Então sem pedir votos a ele, e sem constranger por qualquer natureza, eu fiz a visita institucional que tem que ser feita.

Confira áudio do discurso de Eduardo Cunha durante visita a Bahia

Eduardo Cunha: "Não tem sentido ter 28 partidos com representação no plenário da Câmara dos Deputados. Alguma coisa está errada, alguma coisa tem que ser mudada.".

Eduardo Cunha: “Não tem sentido ter 28 partidos com representação no plenário da Câmara dos Deputados. Alguma coisa está errada, alguma coisa tem que ser mudada.”.

Eduardo Cunha e deputados federais da Bahia durante almoço de apoio a campanha para presidência da Câmara Federal.

Eduardo Cunha e deputados federais da Bahia durante almoço de apoio a campanha para presidência da Câmara Federal.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).