Maioria dos homens brasileiros tem mais medo da impotência sexual do que da violência

O homem brasileiro tem mais medo de ficar impotente do que ser traído pela mulher ou mesmo de perder o emprego. É o que revela uma pesquisa patrocinada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), divulgada no Dia do Homem, comemorado no último dia 20 de julho 2014. A sondagem ouviu 3.500 homens com mais de 40 anos, no mês passado, em sete cidades do país.

Dos entrevistados nacionalmente, 28% responderam que o maior receio era ficar impotente. Para 25%, ser traído é o principal temor. O mesmo percentual se aplicou ao item perder o emprego, enquanto, para 18%, a maior aflição se relaciona ao medo de sofrer um assalto. Ficar doente, sofrer acidentes, ficar sozinho ou não conseguir pagar as dívidas, juntos, somaram 4% dos “fantasmas” do homem, de acordo com a pesquisa.

Mas nem todos pensam igual. Enquanto 56% dos cariocas e dos gaúchos têm mais medo da impotência, para os homens de Salvador o pior é ser traído (42%). Em Goiânia, a infidelidade também é o principal medo deles, com 36%. Em Brasília, perder a ereção é tão ruim quanto ser traído (28% cada). Os paulistanos, hoje, temem mais um assalto (28%) do que a impotência (23%). Já para o mineiro, pior é perder o emprego (48%).

Apesar do risco de impotência rondar a maioria dos entrevistados, 51% não vão ao médico urologista, especialista na saúde do homem, ou ao cardiologista. E 14% passaram por uma consulta há mais de um ano, enquanto 6% estiveram em um consultório há mais de dois anos.

Dos problemas de saúde que mais preocupam, a falta de ereção (16%) só perde para o câncer (20%). O infarto (14%) e o derrame cerebral (10%) também foram citados por eles. A calvície preocupa tanto quanto a obesidade e diabetes, com apenas 4% cada.

“Muitos se acham super-homens e creem que a mulher é o sexo frágil. Elas, na opinião deles, têm a obrigação de ir ao ginecologista uma vez ao ano e fazer todos os exames preventivos. O homem tem medo de fazer exames e achar uma doença. E teme perder a mulher para outro se ficar impotente”, disse o urologista Francisco Costa Neto, diretor da Clínica do Homem, em Salvador.

O tamanho do abdome, a famosa barriga de chope, se incomoda do ponto de vista estético, parece não ser uma preocupação em relação à saúde. Dos 3.500 entrevistados, 55% não sabem a medida da sua própria cintura. O número ideal deve estar entre 90 e 95 centímetros, e somente 20% dos homens escolheram essa alternativa. Dos entrevistados para a pesquisa, 49% tinham idade entre 40 e 50 anos, 33%, entre 51 e 65. E 18%, mais de 65 anos.

83% não conhecem Andropausa 

Para quebrar o tabu da falta de ereção, a Sociedade Brasileira de Urologia lançou recentemente a campanha nacional intitulada “De volta ao Controle”. A proposta é passar aos homens a orientação de que o problema tem tratamento, que vai desde medicamentos orais até o uso de próteses penianas.

A pesquisa da SBU mostrou a falta de conhecimento masculino sobre os sintomas da andropausa (83%), caracterizada pela queda dos níveis de testosterona no organismo e que, em geral, se manifesta na forma de irritação, cansaço e diminuição da libido.

O levantamento feito nas sete maiores capitais do país expõe que, apesar da preocupação com a falta de ereção, quase metade (48%) dos homens nunca ouviu falar sobre a reposição hormonal com testosterona.

A questão hormonal masculina também foi amplamente discutida por especialistas do mundo inteiro durante o Congresso Europeu de Urologia, realizado recentemente na Suécia. “Quando indicada pelo médico, a reposição hormonal é segura e benéfica para os homens porque traz segurança cardiovascular, uma vez que melhora os níveis de triglicérides, melhora a resistência à insulina e reduz a gordura abdominal”, disse Neto.

“Há desconhecimento sobre os sintomas da chamada andropausa. Os homens não dosam a testosterona em exame de check-up. Em diabéticos e obesos, por exemplo, esse exame deveria ser obrigatório”, sugeriu o urologista. Dados da Sociedade Brasileira de Urologia mostram que de 35% a 75% dos indivíduos diabéticos estão sujeitos a maior risco de disfunção erétil.

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