Plataforma da PETROBRAS na Bahia desenvolve indústria naval brasileira

Plataforma da Petrobras na Bahia desenvolve indústria naval brasileira. Na imagem a P-59.

Plataforma da Petrobras na Bahia desenvolve indústria naval brasileira. Na imagem a P-59.

A Petrobras, após 30 anos sem construir plataformas de perfuração autoelevatória, batizou nesta sexta-feira (13/07/2012), em São Roque do Paraguaçu, no município de Maragogipe, no Recôncavo Baiano, a Plataforma P-59. A ação marcou a retomada das atividades no canteiro, onde ocorreu a solenidade, com a presença da presidente da República, Dilma Rousseff, do governador do Estado, Jaques Wagner, da primeira-dama, Fátima Mendonça, madrinha da P-59, e da presidente da Petrobras, Graça Foster. O evento foi realizado depois do lançamento da pedra fundamental do Estaleiro Enseada do Paraguaçu.

A conclusão da P-59 é um importante marco para indústria naval brasileira e representa a retomada da produção nacional deste tipo de plataforma, já que há quase 30 anos não eram construídas, no país, unidades autoelevatórias similares.

A nova plataforma de perfuração autoelevatória será alocada primeiramente no poço exploratório Peroá Profundo, localizado no campo de Peroá, na costa do Espírito Santo. Poderá operar em locais onde a profundidade de água varia de 10 a 106 metros, com capacidade de perfurar poços de até 9.144 metros de comprimento, em condições de alta pressão e temperatura.

No total foram investidos cerca de US$ 360 milhões na construção da plataforma. De acordo com a presidente da Petrobras, Graça Foster, a P-59 tem a finalidade de atender aos cronogramas operacionais de exploração e produção da companhia nos próximos anos e dar suporte à eventual estratégia de incorporação de novos blocos exploratórios em águas rasas.

Tecnologia única

Foster afirmou que a tecnologia utilizada no canteiro de obras em São Roque do Paraguaçu é única no mundo, o que demonstrou a capacidade da estatal em inovação. Segundo ela, outros investimentos estão previstos para a Bahia como, por exemplo, a construção de sondas da Petrobras no Estaleiro Enseada do Paraguaçu.

P-60 em construção

Além da P-59, está sendo construída, no canteiro de São Roque do Paraguaçu, a P-60, que deve ser concluída até agosto. Os contratos de construção das duas plataformas foram assinados em setembro de 2008, com o Consórcio Rio Paraguaçu. As unidades fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal.

“Diziam que o Brasil não tinha capacidade para produzir plataformas. Mas, nós insistimos, e deu certo. Somos construtores de plataformas, somos construtores de muitas coisas. Descobrimos o petróleo, quando todo mundo achava que no Brasil não existia, e descobrimos o pré-sal. Por que não iríamos construir plataformas? O que está ocorrendo aqui é o caminho do futuro. É afirmação de que podemos construir plataformas e fazer muito mais”, disse a presidente Dilma Rousseff.

A P-59 é composta por um casco flutuante, que pesa aproximadamente 11 mil toneladas, com três pernas retráteis independentes de 145 metros de altura cada e que podem movimentar-se para cima e para baixo por meio de sistema elevatório próprio (jack up). O equipamento será posicionado nas locações por rebocadores e as pernas apoiadas no leito marinho. Depois de fixada, a unidade permanece acima do nível da água, deixando o casco e os equipamentos de perfuração longe da movimentação das ondas do mar.

“Durante muito tempo a indústria naval da Bahia ficou estagnada, mas, felizmente, o governo federal e a Petrobras trouxeram de volta a indústria naval da Bahia. Estamos orgulhosos porque a tecnologia utilizada no canteiro de São Roque do Paraguaçu é única no mundo. Hoje, mostramos aqui a nossa capacidade de construir plataformas, de ajudar a desenvolver o Brasil”, enfatizou Jaques Wagner durante discurso.

Empreendimento impulsiona desenvolvimento na região do Recôncavo

A P-59 não significa uma conquista apenas para a Petrobras e o Brasil de forma geral, mas principalmente para a população do Recôncavo Baiano, que teve oportunidade de emprego. “As pessoas treinadas aqui fizeram este empreendimento tão importante. Os empreendimentos instalados no Recôncavo – Estaleiro Enseada do Paraguaçu e Canteiro da Petrobras – estão oferecendo mais trabalho para a região e, consequentemente, mais desenvolvimento econômico”, afirmou o governador.

As obras geraram cerca 2.100 empregos diretos no pico da construção, dos quais 50% vindos do Recôncavo, 25% de São Roque, 15% de outros locais da Bahia e 10% de outros estados. “Antes, a população do Recôncavo tinha apenas três opções, o serviço público, a pescaria ou comércio, sendo que a maioria partia para pesca por ter pouco ou nenhum tempo de estudo. Com a chegada do canteiro, nossa realidade mudou e para melhor, porque surgiram outras oportunidades de emprego com qualificação especifica”, disse o encarregado de arquitetura naval, Fabiano dos Santos, morador do município de Nazaré.

Outro funcionário que está bastante satisfeito é o técnico Cesar dos Santos Silva, 32 anos, residente em Santo Amaro da Purificação, que demonstra o orgulho de ver o seu trabalho concluído. “Estou feliz por ter feito parte da construção da P-59. É um orgulho para nós baianos, para nós do Recôncavo saber que a plataforma foi construída pelas nossas mãos”. Também foram criados 10 mil empregos indiretos em toda região, entre eles, de fornecedores de alimentos, como agricultores familiares, e de fardamento, como as costureiras locais.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).