Diretor de radiojornalismo Edmundo Filho fala sobre a experiência no setor público e afirma que a seca é um flagelo que atinge a todos

Edmundo Filho: Acredito que das matérias que eu cobri, ao longo na minha vida profissional, o que mais me tocou foi à fome do sertanejo. 

Edmundo Filho: Acredito que das matérias que eu cobri, ao longo na minha vida profissional, o que mais me tocou foi à fome do sertanejo.

O jornalista Edmundo Carvalho Santana Filho, diretor do departamento de radiojornalismo da Secretaria Estadual de Comunicação da Bahia (SECOM Bahia), em entrevista exclusiva ao jornalista Carlos Augusto, comenta sobre o programa semanal ‘Conversa com o Governador’. Fazendo um paralelo sobre a atividade privada e pública, confessa que a experiência no setor público lhe conduziu a um crescimento pessoal e profissional:

“Porque você passa a lidar com mais pessoas, sob outro ângulo e uma visão mais aberta inclusive de atendimento mais amplo possível. Não restrito, às vezes, a atividade da iniciativa privada, que atende um segmento, um setor. Enquanto o governo trabalha com todos os setores da sociedade.”

Edmundo Filho é um dos profissionais mais sérios e competentes da atual geração. Sabe separar como poucos, a relação anunciante/veículo de comunicação, e em momento algum solicitou, ao Jornal Grande Bahia, que fossem publicadas matérias favoráveis ao governo,  criticas aos adversários, ou questionou a linha editorial do veículo, demonstrando uma postura ética, profissional e respeitosa. A entrevista mostra o perfil de uma pessoa que serve a sociedade com profundo compromisso público. Algo perceptível com certa facilidade, ao analisar uma das declarações:

“Acho que a vida é construída passo a passo. Meu pai dizia: Não importa que alguém suba as escadas que eu já desci, essa minha experiência na iniciativa privada me deu lastro para chegar à esfera pública com certa experiência, certa vivência. Da mesma forma que essa vivência na esfera pública fez com que a minha experiência de vida, de algum modo também evoluísse.”

Confira a entrevista

Jornal Grande Bahia – O programa Conversa com o governador chega ao número 200. Que avaliação você faz dessa forma de comunicação com a sociedade baiana?

Edmundo Filho – Acho que foi um passo importante e inovador, quando o governador Jaques Wagner decidiu fazer um programa de rádio e se aproximar cada vez mais através da comunicação do povo baiano, dentro do princípio de um governo democrático e transparente. O rádio cumpre um papel importante pela sua capilaridade, pelo seu papel social nas comunidades e pela identidade que os radialistas têm com o seu público alvo.

Sem dúvida, foi um passo importante e agora ao chegar ao número 200. Nós fazemos uma avaliação de extrema positividade, o resultado que em cinco anos foi alcançado, contando evidentemente com a colaboração de todos esses profissionais. Que entenderam a importância de ser a fala política, da principal liderança em nosso Estado, colocando as ações, projetos, programas de governo que interferem de algum modo no cotidiano da sociedade e também as opiniões dos líderes políticos nos mais diversos assuntos que abordamos nessas 200 edições do programa Conversa com o Governador.

Acho que chegamos com bastante luta, mas também com dedicação e empenho de toda nossa equipe, porque é um trabalho que é feito por várias mãos. Não apenas do governador, da pessoa que apresenta, que sou eu.  Acho que esse resultado é dividido por essa equipe que constrói a pauta, que faz a produção, que faz a edição, que ajuda no relacionamento, na distribuição e também com todos os profissionais de rádio, da mídia eletrônica, que também compreendeu que é uma ferramenta para que o público da Internet. Que busca por interatividade, por informação instantânea, que aproxima, porque é um conteúdo muito próximo do que é produzido em rádio.

JGB – Existe a possibilidade de alguém, que acompanha o programa ‘Conversa com o Governador’ enviar uma pergunta, e ela ser respondida na próxima edição?

Edmundo Filho – Sim. Nós criamos o 0800 071 73 28, que é um número em que a pessoa pode ligar de graça. Recebemos ligações de várias partes do Estado. Nós estamos em um processo de discursão interna para que possa avançar nessa interatividade. Não ter apenas o 0800 071 73 28 como ferramenta, apesar de que o telefone ainda é uma ferramenta de comunicação mais ágil que a Internet, porque às vezes você não tem o acesso em várias cidades do interior como Salvador, Feira de Santana que é uma cidade polo, uma cidade mais desenvolvida, segunda cidade em importância política e econômica. Mas nós estamos avançando nessa discursão e debatendo como podemos cada vez mais fomentar a interatividade.

JGB – As perguntas que não são respondidas durante a programação, de pessoas que ligam para o telefone 0800, recebem algum outro tipo de resposta?

Edmundo Filho – Nós encaminhamos para as secretárias de governo e para as assessorias para que façam o atendimento. Porque às vezes a pessoa liga para o 0800 071 73 28, mas não é uma demanda que caiba na fala do governador. Evidentemente que nem sempre, vai atender ou se resolver naquele ambiente do programa de rádio. Às vezes é uma informação, uma crítica, um pedido, uma sugestão, e nesses casos, a gente encaminha para a secretaria seja ela da área da gestão ou informação.

JGB – Você pensa em mudar alguma coisa na programação, ou o formato atingiu maturidade e ele será mantido?

Edmundo Filho – A proposta do programa é uma conversa, portanto um bate-papo informal. Agente incluiu ali jingle, uma vinheta, uma passagem e geralmente uma vinheta no final do programa. No caso de alguns quadros, que existem como o Fala Povo, a gente também tem uma vinheta diferenciada. Evidentemente que sugestões são sempre bem vindas. Mas esse formato, como você colocou, ele está consolidado. Mas não significa que a gente mantenha até o final deste governo, ou que não faça modificações, estamos buscando aperfeiçoamento, e todas as formas que a gente puder encontrar para melhorar este conteúdo, certamente nós vamos lançar mão.

JGB – Ele lhe acompanho no facebook e tenho visto que você tem republicado vários vídeos e matérias que produziu quando na iniciativa privada. Você sente falta dessa vida, de trabalhar no campo? Ou você está pensando em trazer um pouco dessa experiência para as produções das matérias da Secretaria de Comunicação do Estado?

Edmundo Filho – Acho que a vida é construída passo a passo. Meu pai dizia: Não importa que alguém suba as escadas que eu já desci, essa minha experiência na iniciativa privada me deu lastro para chegar à esfera pública com certa experiência, certa vivência. Da mesma forma que essa vivência na esfera pública fez com que a minha experiência de vida, de algum modo também evoluísse.

Porque você passa a lidar com mais pessoas, sob outro ângulo e uma visão mais aberta inclusive de atendimento mais amplo possível. Não restrito, às vezes, a atividade da iniciativa privada, que atende um segmento, um setor. Enquanto o governo trabalha com todos os setores da sociedade. Você interage com todas as pessoas, das diferentes classes sociais, empresariais e interesses. Você evidentemente precisa se moldar e se aperfeiçoar também para atender a esse modelo de gestão democrática e transparente.

Eu acho que o retorno a uma atividade na iniciativa privada não pode ser descartado. Bem como, se eu estivesse do outro lado, da mesma forma não haveria nenhum problema. Mas, na condição de comunicador, de algum modo também exerce a atividade de imprensa. Eu também exerço essa atividade no governo, como comunicador no dia a dia. Isso eu acho que está no sangue, e a gente nunca  vai se desassociar, se separar.

JGB – A crise da seca lhe tocou de alguma maneira? Essa seca que assola a Bahia.Que é uma das mais intensas das últimas décadas.

Edmundo Filho – Sem dúvida. O drama do sertanejo é algo comovente e assustador, às vezes porque você não encontra perspectivas, pelo menos no curto espaço de tempo, e as ações que o governo tem encaminhado nessa direção são essenciais. Como o governador Jaques Wagner costuma dizer: “O drama, ele não só sensibiliza. Como causa dor, para quem vive essencialmente, e também para quem, de algum modo, acaba convivendo com essas pessoas ou tendo um contato, se aprofundando nessa relação.”.

Acredito que das matérias que eu cobri, ao longo na minha vida profissional, o que mais me tocou foi à fome do sertanejo. Que está lá, em uma localidade rural distante, e que não tem perspectiva. E se os governos, no passado, não enxergaram isso. Eu acho que mesmo a Bahia sendo territorialmente muito extensa, deve ter havido algum erro de comunicação. Porque sem dúvida, o drama que o sertanejo vive é algo muito assustador.

JGB – O Jornal Grande Bahia lhe agradece pela entrevista.

Edmundo Filho – Lhe agradeço Guto. Parabéns pelo seu trabalho também. Mas uma vez obrigado a você por ter não só vindo, nos prestigiar aqui, mas também receber esse abraço caloroso. Porque cada espaço que a gente conquista de relacionamento de amizade, e fundamentalmente de trabalho, é parte da nossa família. E você também faz parte da nossa família. Um abraço, sucesso na sua caminhada.

*A entrevista foi gravada durante as comemorações da edição nº 200, do programa ‘Conversa com o Governador’, realizada no hotel Fiesta em Salvador, no dia 27 de março (2012).

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).