Reunião entre grevistas e governo da Bahia pode pôr fim à paralisação dos policiais militares

Um acordo para encerrar a paralisação dos policiais militares na Bahia deve sair da reunião entre associações que representam os grevistas e o governo estadual, que está sendo realizada nesta tarde com a presença do arcebispo de Salvador, Murilo Krieger. A expectativa é da assessoria do governo da Bahia.

O principal ponto da negociação refere-se à punição dos policiais grevistas. Em entrevistas às emissoras de rádio e de televisão locais, o governador Jaques Wagner tem garantido que não irá punir quem participou da greve de forma pacífica, mas os policiais envolvidos em atos de vandalismo serão processados. O governador não deixou claro, no entanto, se os líderes do movimento serão anistiados, já que a greve foi considerada ilegal pela Justiça.

Ontem, após o Exército cercar um grupo de policiais amotinados na Assembleia Legislativa da Bahia, os líderes da greve disseram aos políticos que entraram no prédio que o principal ponto de resistência ao acordo seriam os mandados de prisão expedidos pela Justiça para 12 líderes do movimento. No entanto, a suspensão desses mandados cabe apenas à Justiça, e não ao governador. Mesmo assim, o governo da Bahia adotou hoje a postura de amenizar o clima de tensão que tomou conta da cidade nos últimos dias.

Dos 12 mandados de prisão, foi cumprido apenas o do soldado Alvir dos Santos, do Batalhão de Policiamento Ambiental. O líder do movimento, Marco Prisco, que estaria dentro do prédio da Assembleia, também está com a prisão determinada pela Justiça.

Além da não punição dos amotinados, estão na pauta de negociações o pagamento de gratificações aos policiais militares acordadas em 2001, ainda no governo de Paulo Souto.

A ocupação da Assembleia Legislativa ocorreu na terça-feira (31). Não se sabe exatamente quantos policiais militares amotinados estão dentro do prédio. Mas a estimativa é que, entre policiais e parentes, haja cerca de 800 pessoas. O Exército mobilizou 800 homens para o cerco à Assembleia. Reforçam a segurança no local 200 policiais militares baianos que não aderiram à greve e 20 homens da Força Nacional.

Policiais grevistas da Bahia reivindicam revogação da ordem de prisão de líderes do movimento

Após sete dias de greve, os policiais militares da Bahia têm como principal ponto de resistência os mandados de prisão de 12 líderes do movimento. Hoje (6), o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) conversou com os policiais amotinados no prédio da Assembleia Legislativa e disse que a posição deles é a de resistência, principalmente à ordem de prisão determinada pela Justiça.

“A posição dos policiais é a de resistência mesmo, e o maior ponto de tensão é a ordem de prisão de 12 líderes do movimento. Se o governo adotar uma política de distensionar, isso poderá se resolver de forma pacífica. Mas, se o governo optar pelo uso da força, poderá ocorrer uma tragédia aqui [na Assembleia Legislativa]”, disse o deputado Ivan Valente.

Dos 12 mandados de prisão, apenas um foi cumprido até agora, o do soldado Alvir dos Santos, do Batalhão de Policiamento Ambiental. O líder do movimento, Marco Prisco, que estaria dentro da Assembleia, também está com prisão determinada pela Justiça. O deputado disse que os policiais grevistas estão portando armas pesadas e que existem crianças no local . “Estive nos primeiros andares do prédio, não fui para os andares superiores, onde estão as mulheres e as crianças, mas a informação é que há cerca de 150 crianças lá dentro.

Os líderes do movimento também reivindicaram anistia administrativa para os grevistas. De acordo com o deputado, eles fizeram questão de diferenciar esse tipo de anistia da de perdão para policiais criminosos. “O que eles querem é anistia administrativa, não anistia para policiais que cometeram crime”, disse. “Não há como considerar a greve ilegal visto que em toda a Bahia, nas cidades do interior e em vários pontos de Salvador, há adesão ao movimento”, completou. O deputado declarou ainda que a Comissão de Segurança Pública do Senado deverá votar amanhã (7) uma visita de senadores para ajudar nas negociações.

A ocupação da Assembleia ocorreu na terça-feira (31). Não há um número exato de quantos policiais militares grevistas estão lá dentro. Mas estima-se que, entre policiais e parentes, cerca de 800 pessoas estejam no prédio. Na madrugada de hoje, o Exército fez o cerco ao local, com 800 homens. Há também 200 policiais militares baianos, que não aderiram à greve, e 20 homens da Força Nacional.

Há pouco, mulheres e crianças começaram a deixar o prédio. Por volta das 20h30, três crianças, duas meninas e um menino, conduzidas por um casal, saíram da Assembleia Legislativa. Elas foram recebidas com aplausos por centenas de parentes de policiais grevistas que estão acampados do lado de fora. Eles foram examinados pelos militares do Exército e, de acordo com informações do responsável pela comunicação da operação, tenente-coronel Márcio Cunha, apresentavam bom estado de saúde. Meia hora depois mais três mulheres e cinco crianças, sendo uma de colo, também saíram do prédio ocupado.

Greve de policiais na Bahia prejudica atendimento em órgãos públicos

A greve da Polícia Militar da Bahia levou à suspensão do funcionamento de vários órgãos da Justiça nesta segunda-feira (6). A necessidade de preservar a integridade física dos funcionários e dos cidadãos foi a explicação dada para a medida. Também foi alegada a dificuldade de acionar o Centro Administrativo da Bahia caso necessário. O centro está localizado na mesma área da Assembleia Legislativa baiana, que foi ocupada pelos grevistas.

Os três níveis de Justiça na Bahia (Estadual, Federal e Trabalhista) não funcionaram ou encerraram o expediente mais cedo. Os prazos processuais também foram suspensos e os tribunais passaram para regime de plantão apenas para os casos urgentes. O mesmo ocorreu com as três vertentes do Ministério Público.

Na Defensoria Pública do estado, o expediente terminou às 17h, e na Defensoria Pública da União, foram atendidos apenas os cidadãos que já estavam na sede do órgão até as 14h, assim como os casos urgentes envolvendo questões criminais, de saúde e questões decorrentes do movimento grevista.

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