Pedido de entrada do Facebook na bolsa movimenta mundo dos negócios

Estreia da rede social no mercado de valores poderá ser a quarta maior da história dos EUA, criando assim novos milionários. Para primeiros investidores cada dólar pode se multiplicar por 6 mil

O anúncio de que o Facebook vai se lançar no mercado de valores deixou os investidores delirantes. Analistas contam com ganhos de até 10 bilhões de dólares. A data exata do evento ainda não é conhecida: normalmente transcorrem cerca de três meses entre o pedido de oferta pública de venda de ações e os primeiros negócios. Tampouco se sabe quantos títulos o Facebook colocará em circulação.

Dependendo do êxito de seu ingresso na bolsa, o valor de mercado da rede social de internet poderá chegar até 100 bilhões de dólares. Isso transformaria Mark Zuckerberg, seu fundador e diretor-executivo, no quarto norte-americano mais rico, pelo menos no papel. Ele detém 28% das ações da empresa, as quais valeriam, segundo os mesmos cálculos, 28 bilhões de dólares.

Segundo os documentos apresentados, mesmo depois do ingresso na bolsa Zuckerberg manteria o controle absoluto sobre a firma, com 57% dos direitos de voto. No cargo de diretor-executivo, o empresário de 27 anos ganhou 1,5 milhão de dólares no ano passado. A partir de 2013, no entanto, seu salário anual se limitará a um dólar.

A funcionária mais bem paga do Facebook é a diretora de operações Sheryl Sandberg, que trabalhava antes para a Google: em 2011 seus vencimentos foram de 30,5 milhões de dólares. Mark Schroepfer, engenheiro-chefe, recebeu 25 milhões de dólares.

De onde vem o dinheiro?

“O Facebook não foi originalmente fundado para ser uma empresa”, esclarece Zuckerberg numa carta anexada ao pedido de oferta pública, “ele foi criado para preencher uma missão social: tornar o mundo mais aberto e conectado”.

Agora, o Facebook precisa convencer os potenciais acionistas de que é capaz de ganhar dinheiro suficiente com essa missão. Segundo o prospecto da bolsa de valores, a rede conta atualmente com 845 milhões de usuários por mês. No último ano, ela teve um faturamento de 3,7 bilhões de dólares, e um lucro líquido de 1 bilhão de dólares.

A maior parte da renda da empresa vem de publicidade e jogos. Somente a Zynga, fabricante de jogos online populares como Farmville, lhe rendeu 440 milhões de dólares. O jogo, em si, é gratuito para os usuários da rede social, mas a Zynga espera que um grande número de jogadores esteja disposto a gastar dinheiro, para dispor de funções adicionais. Em 2011, este foi o caso de 3,4 milhões de usuários, em média.

Francis Gaskins da IPODesktop.com, de Los Angeles, vê um problema no fato de os pagamentos da Zynga gerarem um terço dos lucros da Facebook. “Dos usuários da Facebook, 0,5% são responsáveis por um terço dos ganhos. Isso não funciona.”

Números recorde

Mesmo que só viesse a render 5 bilhões de dólares com a oferta de ações – como consta do pedido de oferta pública inicial, para fins de cálculo das taxas de registro –, ainda assim o ingresso da bolsa do Facebook seria o maior de uma operadora de internet. A provedora de serviços online Google gerou cerca de 1,7 bilhão de dólares ao se lançar no mercado de valores, em 2004.

Caso alcance a cotação de 10 bilhões de dólares calculada pelos observadores do setor, a estreia do Facebook na bolsa terá sido a quarta maior, na história dos Estados Unidos, superada apenas pela firma de cartões de créditos Visa, a montadora General Motors e a AT&T Wireless, de telefonia celular.

Ainda antes do ingresso no mercado, diversos investidores injetaram verbas substanciais no Facebook – entre 1,2 e 2,3 bilhões de dólares, segundo as deferentes fontes. Entre os primeiros esteve Peter Thiel, que já em junho de 2004 investia 500 mil dólares na rede social. Marc Zuckerberg, Dustin Moskovitz, Chris Hughes e Eduardo Saverin haviam criado a plataforma na Universidade de Harvard apenas quatro meses antes, ainda sob o nome de thefacebook.com.

Para cada dólar, 6 mil

Calcula-se que, hoje, caiba a Thiel cerca de 3% do Facebook. Caso o valor total da firma realmente alcance 50 bilhões de dólares – estimados com base nos investimentos subsequentes –, então o meio milhão do norte-americano nascido na Alemanha terá se transformado em 3 bilhões de dólares. Ou seja: em poucos anos, cada um dólar multiplicou-se em 6 mil dólares.

Peter Thiel foi um dos fundadores do PayPal, e enriqueceu com a compra de seu serviço de pagamentos online pelo site de leilões Ebay, por 1,5 bilhão de dólares. Com sua parcela na transação, Thiel fundou, então, o fundo de hedge Clarium Capital. Além disso, ele oferece capital de risco para novas firmas.

Entre os demais investidores do Facebook encontram-se: Jim Breyer, dono da firma de capital de risco Accel Partners; a fabricante de software Microsoft; as russas Mail.ru e DST Global, das quais o bilionário Yuri Milner é sócio importante; Marc Andreesen, da Netscape.

Da mesma forma, diversos funcionários do Facebook que optaram por receber parte de seus vencimentos em ações poderão ficar milionários da noite para o dia, com o ingresso da plataforma no mercado. O corretor especializado em imóveis de luxo Pierre Buljan já antecipa com satisfação a nova onda de compras em Silicon Valley: “O efeito vai ser grande. Mil novos milionários precisam de um lugar onde morar”.

*Com informação : Deutsche Welle

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