Indústria Brasileira teve ano difícil em 2011

Apesar da subutilização do parque industrial, analistas avaliam que o país tem boas chances de fechar 2012 com saldo positivo, a depender da conjuntura internacional.

A indústria brasileira operou abaixo da sua capacidade total em 2011, registrando uma média de utilização de 81,2% da capacidade instalada, índice que variou apenas 0,1 ponto percentual em relação ao ano anterior. Os dados consolidados de 2011 foram divulgados nesta segunda-feira (06/02) pela Confederação Nacional da indústria (CNI), em Brasília.

A subutilização da capacidade instalada representa um dado relevante para os analistas. Segundo Flávio Castelo Branco, gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, existe espaço para aumento da produção sem elevação de custos. Esta é a mesma avaliação de Nilton Marques de Oliveira, economista e professor do Centro de Estudos Avançados e Multidisciplinares (Ceam) da Universidade de Brasília (UNB). Ele afirma que esse dado significa que é “possível crescer sem pressionar os funcionários”.

A avaliação da CNI é que o ano apresentou resultados frustrantes e que o desempenho da indústria chegou perto da estagnação. “As dificuldades estão associadas à competição com produtos importados, e às dificuldades de alcançar os mercados internacionais por conta de uma taxa de câmbio valorizada, de um ambiente internacional desfavorável e das dificuldades de competição com elevado custo de produção no Brasil”, explicou Flávio Castelo Branco.

Outros indicadores também mostraram desempenho abaixo do ideal, como aumento de 0,9% nas horas trabalhadas e 2,2% no emprego. Já o faturamento apresentou ganho de 5,1% em relação aos dados de 2010.

Setores

Apesar da subutilização, os dados também mostram que dos 19 setores pesquisados, 15 apresentara alta no faturamento. O setor que apresentou maior alta é o chamado “outros equipamentos de transporte” – que inclui vagões, helicópteros, elevadores, entre outros itens, mas exclui veículos automotores –, com aumento de 28,4% no faturamento anual. Esse dado, segundo a CNI, reflete, principalmente, a crescente demanda do setor de construção civil.

Os setores de materiais eletrônicos e comunicação, couros e calçados e produtos de metal também apresentaram crescimento acima dos 10%.

Do lado oposto, os setores que apresentaram desempenho negativo foram os da produção têxtil (- 9,2%), madeira (- 1,9%), refino de álcool (- 0,9%) e alimentos e bebidas (- 0,4%). Os números do setor têxtil foram especialmente afetados pela concorrência de produtos importados e pela dificuldade de exportar.

Para o economista Nilton Marques, a produção têxtil brasileira está fortemente apoiada na exportação, apesar de o mercado interno ter se expandido com aumento do poder de compra da população. O que precisa ser feito, segundo ele, é “mudar a política comercial para incentivar o setor de indústria têxtil a aumentar sua produtividade para poder competir”. Além disso, a valorização cambial também atrapalha a entrada dos produtos brasileiros no mercado internacional. “Uma linha de financiamento, por exemplo, seria interessante”, exemplifica Nilton Marques.

Expectativa para 2012

As previsões tendem a ser de crescimento para este ano, mas as ações internas que foram ou venham a ser adotadas pelo Brasil têm limitações. A conjuntura da economia mundial continua a ser um fator determinante para o sucesso industrial.

Segundo Flávio Castelo Branco, entre as medidas adotadas pelo governo brasileiro, no final do ano passado, que podem gerar dados positivos este ano estão a desoneração tributária de alguns produtos – como os automóveis – e a implantação do Plano Brasil Maior. Esse plano prevê aumentar, até 2014, a competitividade da indústria nacional, a partir do incentivo à inovação tecnológica e à agregação de valor. Essas ações vão levar “a uma redução nas importações e vão amenizar um quadro que estava muito difícil para, por exemplo, produtores domésticos de automóveis”, afirmou Flávio Castelo Branco.

Apesar disso, ainda há fatores preocupantes, como a valorização da moeda brasileira e o pouco avanço na agenda de longo prazo da competitividade, agenda esta que poderia se tornar mais concreta, de acordo com Flávio Castelo Branco, com ações como desoneração tributária, redução de custos de mão de obra, melhoria de infraestrutura e logística. Além disso, o ideal, comenta o economista, é “tornar o produto brasileiro mais diferenciado para ter seu próprio nicho de mercado, através da inovação e da melhoria da produtividade e qualificação de mão de obra”.

Para o economista Nilton Marques, os setores mais promissores são o de construção civil – com evidente influência na preparação para a Copa do Mundo e Jogos Olímpicos – e o de máquinas e equipamentos. A redução da taxa básica de juros e o aumento dos investimentos em infraestrutura podem ajudar a normalizar o crescimento, avalia o economista.

Mas esse sistema não é autossustentável e depende do desempenho do resto do mundo. “O que vai normalizar é a reativação das economias, tanto americana como da Europa”, alertou Nilton Marques.

*Com informação : Deutsche Welle

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