Governador Jaques Wagner concede entrevista coletiva onde fala sobre o fim do motim dos policias militares da Bahia e investimentos no carnaval

O governador Jaques Wagner concedeu entrevista coletiva nesta segunda-feira (13/02/2012), às 9h, na Governadoria, no Centro Administrativo da Bahia, para fazer um balanço dos últimos acontecimentos em Salvador referentes ao motim dos policiais militares. Na oportunidade, o governador falou sobre os investimentos do governo do Estado no Carnaval.

Coletiva – Governador, nesse momento fora dos ânimos acirrados que estávamos na greve, da para o senhor avaliar exatamente as providências que o Governo do estado tomou e as repercussões dela, principalmente com a vinda das Tropas Federais, inclusive também com as Tropas de Elite, isso não teria dado uma repercussão muito grande, provocando inclusive reações de membros do consulado americano, indicando as pessoas que não viessem para Salvador? Foi realmente correta a avaliação, depois de parar e pensar?

Jaques Wagner – Eu não tenho dúvida, até porque se a gente não tivesse feito esse chamamento com a rapidez que nós fizemos, eu não sei se a gente teria resolvido a crise até o momento. A vinda reforço foi fundamental, é óbvio que ela traz consigo o lado negativo, que você dizer que está em um processo difícil aqui dentro Estado, mas é essa realidade, mas a consequência positiva é que com o apoio da Força Nacional, da Polícia Federal, das Forças Armadas e também do Ministério Público e Judiciário Baiano, nós conseguimos pelo menos impor uma derrota a uma metodologia de intimidação da população que não pode ser aceita para reinvindicações salariais. Uma coisa é reivindicar salário, outra coisa é imaginar que você pode colocar a população deitada sobre o medo de armas, foi isso que a gente viu aqui, no Ceará, no Maranhão.

Com as experiências do Ceará e Maranhão podemos nos preparar mais tanto que pela primeira vez daqui eles terminam com líderes presos, daqui do Rio de Janeiro e não prosperam na legitimação de uma metodologia, repito que não tem nada haver com democracia, que afronta a democracia e que tinha o objetivo até de continuar, porque a ideia era ir daqui pro Rio, para São Paulo, para outros estados até chegar a Brasília sempre com essa formatação e essa formatação até depois da divulgação nacionalmente das escutas ficou muito evidenciado que o movimento tinha conotação que transcende muito a questão meramente salarial.

Eu quero inclusive de novo me dirigir a Polícia Militar do Estado da Bahia, a todos os seus membros, a todos os seus profissionais, de soldado a coronel, para dizer a hora de paz e a hora de relaxar o espírito, refletir sobre o ocorrido, sobre o que impactou isso na imagem na Bahia, que continua sendo a Bahia de paz, que viveu um momento que é de exceção, ponto que é fora da curva daquilo que é a cara do nosso povo, da nossa gente, para que a gente possa continuar ajudando a valorizar a Polícia Militar, não só, repto, com o salário, porque para fazer segurança precisa de salário, formação, tecnologia, armamento, veículo, o salário evidente é um dos itens, mas a gente tem que ter uma visão macro. Eu creio que foi correto o chamamento, se não tivesse chamado, pode ser que eles até ampliassem as suas ações e fosse pior ainda.

Coletiva – Governador, eu gostaria que o senhor falasse um pouco o que ficou acordado, os acordos feitos para o fim da greve, se entra anistia, se são apenas gratificações e o impacto que as gratificações nesse pagamento vão ter nos cofres estaduais.

Jaques Wagner – Primeiro eu quero dizer também aos policiais que não estava previsto no nosso orçamento originalmente GAP 4 para ainda 2012, em novembro é verdade, mas já com 70% dela paga e o restante em abril. Então essa foi a antecipação depois de 10 horas de negociação na casa do arcebispo Dom Murilo, um esforço nosso, muitos cálculos foram feitos, a Secretária da fazenda da Administração tem esse número, tem ele aqui, mas é claro que ele impacta também na nossa folha, exatamente para mostrar uma posição de mediação.

A gente estava trabalhando para frente com essa possibilidade, agora repito que nós demos 6,5% para todos os policiais militares e funcionários públicos e que ao longo, mesmo antes desse processo nós já tínhamos dado 30% de aumento real. Então, não é verdade, óbvio que eles podem querer ganhar mais, devem querer ganhar mais, mas não é verdade que não tinha sido feito nada em relação ao salário. Hoje além da contratação de novos policiais, o que é bom para quem já está trabalhando, houve também um aumento real de 30% acima da inflação em cinco anos, não dá para dizer que isso não é nada, pode não ser o ideal, porque nenhum salário é ideal. Agora nesse momento a gente fez outra oferta que vai até abril de 2015, em um esforço e reconhecimento a missão importante que a Polícia Militar tem com a Polícia Civil também é para segurança do Estado da Bahia.

Coletiva – Agora Governador vem o Carnaval ai, o Exército, a Força Nacional vão ser mantidos?

Jaques Wagner – A Força Nacional, falei com ministro da justiça, vai ser mantida, com um contingente pouca coisa menor, porque aqui tem o contingente de bombeiro que no caso a gente entendeu que não era necessário e pela manhã vai haver uma reunião do General Gonçalves Dias com o comando da Polícia Militar, o ministro Celso Amorim me ligou hoje pela manhã e eles devem estar analisando qual é o contingente que nós acharemos ideal manter aqui, como uma questão preventiva e eventualmente até para substituir, complementar o trabalho da próxima Polícia Militar.

Coletiva – Governador para gente encerrar esse assunto com relação a questão da punição. Quem vai ser punido finalmente?

Jaques Wagner – Quem for apurado que cometeu o crime durante esse período. Então as apurações terão que ser feitas com rapidez e nós teremos que punir. Repare, eu disse desde o primeiro momento que eu não trabalho com a palavra anistia, porque anistia é para saída de regime de exceção e nós estamos na democracia, aquilo que for apurado, vão ser abertos os procedimentos e eventualmente pode chegar até a exclusão. Agora eu não trabalho com conceito da anistia, o que eu disse é que para aqueles que não cometeram o crime, ai sim o inquérito, o processo não seria aberto, isso está mantido, foi essa a minha palavra e a palavra do comandante geral.

Coletiva – Mesmo depois da liberação da Assembleia Legislativa?

Jaques Wagner – Ai é preciso ver, eu soube que houve uma palavra do comandante, que ele estava no teatro de operações no momento, eu preciso avaliar com ele o que exatamente ele disse aos seus comandados. A verdade é que a palavra dele também foi dada, na quinta ou na sexta-feira, que era o prazo de até meio-dia para voltar, eu não sei se pode ser considerada como crime de desacato a autoridade, na medida em que já tinha se estendido esse processo por nove dias, as pessoas não tenham atendido a esse chamamento, mas eu sei que houve contato, eu não sei lá no final do procedimento exatamente qual foi a palavra do Coronel Castro.

Coletiva – Em relação ao número de homicídios nesse período da guerra te surpreendeu?

Jaques Wagner – É claro que não só surpreendeu, foi um choque, é realmente uma tristeza que eu entendo que a sociedade baiana não merecia passar por isso. Eu entendo que Polícia Militar tem que dar segurança, esse é um trabalho essencial, que realmente abandonar a população, para que sofra como foram esses números, é óbvio que para mim é muito ruim e chocante, agora é claro que foi consequência de uma queda no nosso policiamento, ai marginalidade se sentindo mais a vontade acabou havendo esse número podendo até havido participação de alguns como aconteceram, não quero acusar porque não tenho elementos, mas na questão dos moradores de rua e outras mortes inexplicáveis. De qualquer forma isso para mim passou, no sentido que terminou no sentido que terminou no sábado, agora é hora de olhar para frente, terminar de planejar o Carnaval e fazer um belo Carnaval, mostrar que a Bahia é 99,9% isso e que infelizmente é fora da curva esse episódio lamentável.

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