Em entrevista o vereador feirense Sargento Joel faz veemente defesa dos colegas da PM, e tenta explicar destruição do patrimônio público

Vereador feirense Otávio Joel: Legítimo na verdade é exigir seus direitos. O governo já deveria ter tomado às providências, antes de ter decretado greve. | Foto: Carlos Augusto | Guto Jads | Jornal Grande Bahia. Com. Br

O vereador feirense Otávio Joel de Araújo (Sargento Joel – DEM), hoje, nos quadros da reserva da Polícia Militar da Bahia, concede entrevista exclusiva ao jornalista Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia, oportunidade em que defende o movimento grevista da PM. Segundo Joel a reivindicação é por uma causa antiga, a Gratificação Policial. Ele pede a Deus que toque o coração do Governador Jaques Wagner. Mas, demonstrou pouco contentamento ao ser perguntado o que ele diria aos pais e mães das mais de 100 vítimas, mortas durante a semana de greve. Confira a entrevista.

Jornal Grande Bahia – Explique o seguinte, nós estamos em um processo onde parte da Polícia Militar está parada e parte dessa polícia invadiu a Assembleia Legislativa da Bahia. O senhor concorda com esse tipo de comportamento vereador?

Sargento Joel – Na realidade, todo movimento, tem a sua prioridade. Os meninos acharam por bem, invadir não, que ali é a casa do povo, eles não estão invadindo, eles estão reivindicando um direito deles. Não reivindicando aumento, nem nada, é uma gratificação que existe desde 1997 e essa gratificação já deveria ter sido paga pelo governo desde 2006. Os policiais já têm cinco anos perdendo essa gratificação.

Na realidade eles estão lutando por uma coisa que é de direito, não estão pedindo 100% de aumento não, estão simplesmente pedindo uma coisa que é de direito. Pronto, você tocou em uma coisa que invadiu, mas vamos ver os sem-terra que invadiram a Secretária, ali sim é uma coisa que pode ser invadida, porque é privativa dos funcionários, então vamos ver sendo invadido o prédio da Secretária de Agricultura, que não tem muito tempo e o governo deu foi alimentação a eles, não estou dizendo que eles estão certos ou errados, mas, é um movimento.

JGB – E com relação à destruição de patrimônios públicos, principalmente viaturas. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Sargento Joel – Rapaz eu não sei disso que foi destruído viatura não.

JGB – Viaturas com pneus, o senhor não viu, não tomou conhecimento, mesmo noticiado, com fotografias, com documentos?

Sargento Joel – O movimento é ordeiro, porque em todo lugar existem excessos.

JGB – O senhor considera que está tendo excesso senador?

Sargento Joel – Estou dizendo a você que muitas das vezes pode existir excesso, o comando de greve não manda ninguém destruir não. Eles estão em uma forma ordeira, tranquila, tanto que estão com mulheres, crianças.

JGB – Vou lhe fazer outra pergunta enquanto jornalista e enquanto cidadão. O senhor acredita que um movimento que deixa a sociedade refém de bandidos e faz com que aconteça em menos de uma semana mais de 100 mortes, é um movimento legítimo vereador?

Sargento Joel – Legítimo na verdade é exigir seus direitos. O governo já deveria ter tomado às providências, antes de ter decretado greve. Eu como político, vereador dessa cidade, eu entendo isso, a melhor forma é a negociação certo. Olhe quanto tempo tem? Quase seis anos lutando para ser paga essa gratificação, a GAP (Gratificação Policial). Eu quero até aqui pedir desculpas a população porque não merecem.

JGB – Você pediria desculpas a mais de uma centena de pais e mães que tiveram seus filhos mortos, por causa de um movimento que ao que tudo indica se encaminha para anarquia?

Sargento Joel – Pera ai, não é pelo movimento. Nós podemos ver no outro final de semana que não tinha greve em Feira de Santana e morreram 10 pessoas.

JGB – Ouve um aumento de 50% nas estatísticas.

Sargento Joel – Não existe isso. O que eu acho é que o pessoal está fazendo uma luta, que na realidade é um direito que eles estão lutando para conquista de melhores condições de trabalho e de vida também.

JGB – O Jornal Grande Bahia agradece pela entrevista.

Sargento Joel – Muito obrigado. Que Jesus abençoe e toque no coração do governador, que resolva da melhor maneira possível, o mais rápido possível. Porque na realidade o que estamos vivendo é uma tensão muito grande por parte dos polícias. Porque na realidade nós vamos ver que nos motins dos presos, eles nunca cortaram água, luz, nada, têm direitos. Cadê os direitos humanos que não estão lá na Assembleia para poder dar o suporte? Nós estamos vendo a Força Nacional nas praças de pedágios para que os policiais do interior não se dirigam para Salvador. Imagine e o direito de ir, não tem direito? Então meu irmão, o direito a democracia é a melhor coisa que nós temos.

JGB – Existe direito a democracia. Mas a Constituição proíbe esse tipo de movimento. Não existe democracia quando a Constituição é rasgada, não é?

Sargento Joel  – Não existe na realidade quando nós estamos lutando por um direito, os companheiros lutando por um direito de seis anos, uma gratificação que não foi dada, a Constituição também está sendo rasgada, os direitos individuais também. Muito obrigado.

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