Coronel da PM responde ao JGB sobre conduta ética e frouxidão na conduta moral de subordinados

No dia 31 de janeiro de 2012, poucas horas antes de eclodir o motim da Polícia Militar na Bahia, Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia, entrevistou o Coronel Hélio Alves Gondim, responsável pelo comando da Polícia Militar na região Metropolitana de Feira de Santana. Ele foi questionado sobre o elevado número de mortes na Bahia e sobre a conduta ética de determinados policias militares.

Confira a entrevista

Jornal Grande Bahia – O senhor comanda a Polícia Militar na região Metropolitana de Feira de Santana e eu gostaria de ouvir a sua avaliação técnica sobre o que os deputados de oposição classificam como ‘final de semana sangrento’, não só na região Metropolitana de Feira de Santana, mas também na região Metropolitana de Salvador, com 38 mortes.

Coronel Gondim – O problema da violência, todos conhecem desde a origem cristã ela existe. O que nós precisamos juntos, não só a polícia, mas político, sociedade, a imprensa que tanto tem contribuído quando leva informação a sociedade, quando trabalha em prol da segurança. Então o que é que existe, esse é o conceito infelizmente, é um desequilíbrio social no campo do uso de drogas. Se o meu querido Carlos verificar, a maioria absoluta dos homicídios está vinculada a droga, infelizmente.

A outra parte que você que é um repórter bastante ativo, deve ter percebido um crime passional, quem evitaria um crime passional? Como evitar um crime de alguém que só nos cérebro dele está o planejamento? Então o que nós analisamos no geral é que esse trabalho, quando nós tivermos todas as famílias preocupadas, como a poucas tinha uma reportagem de um bocado de jovens abastados fazendo pega de motos em Goiânia, Brasília, quer dizer essa juventude pensa o que? Os jovens que vivem drogados pensam o que, no momento em que estão usando a cocaína, o crack, a praga do século? Então está muito vinculada esta falta de equilíbrio das pessoas.

O sistema de segurança tem trabalhado. Se você olhar os resultados, são positivos. Só que um episódio deste de homicídio não agrada a ninguém, entristece a todos nós. Mas o que estamos afirmando e você tem acompanhado como homem de imprensa é que a droga assola o mundo, está destruindo a humanidade e precisamos reconstruir o conceito de educação. Então a minha preocupação e a do sistema é faz a sua parte, está trabalhando e trabalhando muito, você tem percebido o investimento, mais viatura, mais homens, em 2011, nós tivemos aproximadamente a contratação de 6 mil policiais, um número enorme de viaturas, tanto 4 rodas, como 2 rodas. Mas educação da família é um investimento conjunto do Estado que investido muito e das famílias.

JGB – Coronel, objetivamente a Polícia Militar é composta de profissionais que dedicam sua vida a proteger a sociedade e põe a sua vida em risco. Mas, lamentavelmente episódio de violência gratuita, de uma violência exacerbada, tem surgido a partir de policiais militares. Podemos citar a um tempo atrás os atos de violência praticados contra um menor e gravados por uma câmara, motivo de repercussão nacional, ou podemos citar ainda ontem, quando um policial militar utilizando um cassetete agrediu uma cidadã lhe tirando a própria visão. Existe uma frouxidão na questão da cobrança da ética, da preservação da vida e da função principal do policial militar que é servir o cidadão? O senhor acredita que os comandos não tem tido uma postura de orientar seus comandados?

Coronel Gondim – Primeiro eu queria até que o irmão por uma questão de justiça, para eu não falar de um assunto que eu não vi, não li, não assisti. Esse episódio do cassetete foi aonde?

JGB – Ocorreu em Salvador.

Coronel Gondim – Primeiro eu tenho dito aqui em Feira de Santana, na região leste, por onde ando que a polícia é composta de seres humanos, ela não é composta de robôs, que são planejados para, nós somos educados como filhos, como pais, como pessoas. Somos 30 mil policiais, se você olhar o índice de desequilíbrio em um policial ou outro é extremamente, e não poderia ser diferente, pequeno. E mais ainda, a imprensa tem acompanhado e sabe disso, a reação institucional a comportamentos indevidos é implacável, nós aplicamos a lei, eu não gosto muito de falar com rigor, aplica-se a lei.

O fato que o irmão me cobra aqui e não revelou detalhes para quem nos houve, tem um pouco mais de ano e veja que Feira de Santana é uma metrópole e nós não temos registro desse nível e nem poderia ter com frequência, graças a Deus e consciência dos nossos policiais e aquele que eventualmente sai da trilha sabe que vai ser responsabilizado penalmente e administrativamente.

Os policiais aos quais você se refere, todos tomaram conhecimento, eles foram presos, foram recolhidos ao batalhão de Choque, mas como cidadão também tem direito a defesa e eles contrataram um advogado, entraram em juízo com as suas considerações e foram postos em liberdade pela justiça, respondem a processo por isso e é, vamos dizer assim, típico do estado democrático de direito, quem fere o principio da legalidade, responde por isso.

Mas no Brasil não tem pena de morte, pena de expulsão. Então na verdade o que nós estamos querendo dizer, que não impunidade por parte da instituição com quem quer que seja e você já episódios de policiais que cometem desatinos, presos na forma da lei, então que é que nós queremos reafirmar? A Polícia Militar, o sistema de segurança da Bahia, não tolera policial que fira os princípios da legalidade, como não tolera nenhum cidadão.

JGB – Didaticamente, que conselhos o senhor daria a um cidadão que é vítima de violência de um policial militar, que procedimentos o senhor aconselharia que ele tomasse?

Coronel Gondim – Sem dúvida nenhuma, nós cidadãos, hoje, principalmente, nós todos brasileiros, vivemos em um estado democrático de direito, onde todo cidadão ao ter seu direito ferido, ele tem canais ao alcance da mão. Na Policia Militar ele tem a Corregedoria, cada unidade instalada tem uma corregedoria e nós temos a nossa Corregedoria Geral que fica em Salvador e no caso do Comando Regional Leste, nós atendemos pessoas a qualquer hora, preferencialmente no horário comercial, que é o horário em que a sociedade circula, mas nós também atendemos a qualquer hora.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: [email protected]