Sucessão Estadual em Curso | José Sérgio Gabrielli deixa comando da Petrobras e posiciona-se como pré-candidato petista na Bahia

José Sérgio Gabrielli, após seis anos no posto, foi substituído pela engenheira química Maria das Graça Foster, na presidência da poderosa Petrobras.

José Sérgio Gabrielli, após seis anos no posto, foi substituído pela engenheira química Maria das Graça Foster, na presidência da poderosa Petrobras.

As engrenagens da sucessão de Jaques Wagner no Palácio de Ondina se moveram. Um dos mais celebrados executivos mundiais e professor da Universidade Federal da Bahia, José Sérgio Gabrielli, após seis anos no posto, foi substituído pela engenheira química Maria das Graça Foster, na presidência da poderosa Petrobras.

Estão em curso duas opções para Gabrielli, traçadas pelo ex-presidente Lula, Jaques Wagner e membros da cúpula petista estadual e nacional. O lançamento como pré-candidato petista ao Paço Municipal de Salvador é a primeira estratégia, e tem por objetivo dar visibilidade eleitoral a Gabrielli.

Alguns analistas políticos ponderam que a escolha de Nelson Pelegrino para a prefeitura de Salvador seja algo definitivo, o que impede o lançamento do nome de Gabrielli. Outras acreditam que a pouca aceitação do nome de Pelegrino junto ao eleitorado soteropolitano é uma boa oportunidade para testar um novo nome petista, que seria o do ex-presidente da Petrobras. Caso o nome de Gabrielli não decole, o mesmo deve ser preservado para um embate em plano estadual.

Outra opção é a ida de Gabrielli para uma secretaria estadual com objetivo de aproximar o executivo do mundo político, estreitando laços com o povo e lideranças políticas. Antes da mudança no comando da Petrobras, cogitava-se que Gabrielli poderia assumir duas secretarias importantes no governo da Bahia. A primeira opção era a Secretaria de Indústria e Comércio. A outra alternativa era a Fazenda, que se tornou a opção mais concreta. O atual secretário, Carlos Martins Marques de Santana, deixar o cargo em março para concorrer à prefeitura de Candeias. Antes disso, no entanto, Gabrielli terá que cumprir um período de quarentena exigido pela legislação federal.

Wagner escalou um nome reserva de sua preferência, o Chefe da Casa Civil, Rui Costa. Caso os planos não transcorram como projetados.

Confira o seguinte comentário de Ricardo Boechat sobre o assunto:

“Ao assumir a chefia da Casa Civil do governo da Bahia, no início deste ano, o deputado federal Rui Costa fez mais do que aceitar um convite do governador Jaques Wagner. Na verdade, ele se pré-qualificou para ser o candidato petista ao Palácio de Ondina em 2014.”

Voltando a Gabrielli

O ex-presidente da Petrobras atuou forte com objetivo de se aproximar de prefeitos baianos. O Tradicional São João contou com investimentos da Petrobras. Dos 169 municípios do Nordeste beneficiados, 142 eram da Bahia. A ajuda financeira em seis Estados nordestinos (Bahia, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte) foi de R$ 10,6 milhões, dos quais R$ 8,5 milhões destinados à Bahia.

Saída articulada

Dilma Rousseff definiu a saída de Gabrielli durante as férias de fim de ano, na base naval de Aratu. Wagner vinha defendendo a saída de Gabrielli, e que o mesmo deveria se incorporar ao seu governo para ter uma presença constante na política baiana. Com objetivo de consolidar uma candidatura ao Palácio de Ondina. A gestão de Gabrielli é bem avaliada no setor petrolífero sob o ponto de vista de relações públicas, tanto no país quanto na área internacional, mas foi muito criticada pelo mercado por promover a bilionária capitalização em 2010, para investir na exploração do pré-sal. Isso porque o governo ampliou significativamente sua participação na companhia, diluindo a dos minoritários.

A saída de Gabrielli antecipa uma disputa interna no PT da Bahia pela sucessão de Wagner. Gabrielli deverá ganhar uma secretaria de visibilidade no governo baiano, já que pelo menos três outros pré-candidatos já estão em campo.

Saiba +

Segundo a revista Veja

“A atual direção da Petrobras falava diretamente com o Lula, que depois conversava com a presidente Dilma. Com a mudança, acaba a intermediação, e a presidente passa a controlar diretamente a empresa”, diz um líder governista. “A relação da companhia com o governo será mais direta e autêntica”, acrescenta o senador Delcídio Amaral (PT-MS), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Segundo o Correio Brasiliense

Dilma sempre reclamou que o atual presidente da Petrobras considerava-se muito autônomo. A proximidade com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o fato de estar no cargo há seis anos davam ao executivo uma “sensação de independência” muito grande. Ele amparava-se, sobretudo, no fato de a Petrobras ser uma empresa de economia mista, que não pode tomar suas decisões estratégicas atrelada exclusivamente ao governo, precisando pensar também no mercado.

A mudança era um desejo antigo da presidente Dilma Rousseff, que vai aproveitar a minirreforma ministerial iniciada na semana passada. Ela já acertou a troca com os dois executivos da estatal. As substituições não devem parar por aí. Outros diretores, como o de Finanças, Almir Barbassa, e de Exploração e Produção, Guilherme Estrela, também poderão deixar a empresa

Sobre Gabrielli

Mestre em economia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde é professor licenciado, e doutor pela Universidade de Boston, Gabrielli iniciou sua atuação na Petrobras em fevereiro de 2003, como diretor financeiro. Indicado pelo PT baiano, e fortemente apoiado por Jaques Wagner, nome forte do governo Luiz Inácio Lula da Silva, Gabrielli desempenhou a função até julho de 2005, quando foi alçado à presidência da estatal.

Leia +

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: [email protected]