Quintais produtivos dão sustentabilidade ao programa Flores da Bahia

Rosas, gérberas, copos de leite, áster, crisântemos e murtas vão embelezar mais ainda os quintais das famílias de Maracás e Barra do Choça, referências quando o assunto é floricultura. O potencial produtivo das cidades será aproveitado para revitalizar e ampliar o Programa Flores da Bahia, lançado em 2003. A ideia é fornecer capacitação e mudas para quem possui espaço e cisterna, aumentando assim o abastecimento do mercado, e a renda dos futuros pequenos produtores.

O projeto piloto, batizado de Quintais Produtivos, foi apresentado pelo secretário da Agricultura (Seagri), engenheiro agrônomo Eduardo Salles, neste final de semana, em Maracás, e deve aproveitar a estrutura e logística da cooperativa. O tom da conversa com o vice-prefeito Paulo dos Anjos, a coordenadora do programa, Cristiane Novaes, e técnicos da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) foi trabalhar de forma integrada, buscando cadastrar, selecionar, capacitar os interessados para a coleta e preparo de buquês.

De acordo com o diretor de Desenvolvimento da Agricultura da Seagri, Almeida Júnior, a escolha de iniciar o projeto em Maracás se deve a toda cadeia produtiva local ser amarrada, desde a assistência técnica até o envolvimento dos agricultores familiares. “A Bahia tem um mercado ainda a ser explorado, já que produzimos apenas 30% das flores subtropicais que consumimos. A experiência exitosa de Maracás precisa ser replicada em outros municípios integrantes do Flores da Bahia”, afirma.

Para a coordenadora do Flores da Bahia, Cristiane Novaes, o pioneirismo do município e engajamento dos governos fez do projeto um modelo a ser seguido. “Dos nove polos de produção, somos o único que evoluiu. Iniciamos com 25 famílias e hoje já alcançamos mais de 400 produtores. Muitos jovens se capacitam e se qualificam, e daqui montam em suas propriedades a réplica do projeto, se inserindo na atividade produtiva”, explica.

“A plantação de fundo de quintal é uma estratégia para abarcar ainda mais famílias carentes. O projeto estimula a participação de donas de casa e jovens, que têm na atividade além de uma terapia, um complemento da renda familiar”, destaca o vice-prefeito, Paulo dos Anjos.

Com investimentos de mais de R$ 1 milhão para cada projeto, o novo modelo pretende transformar os polos, com aptidão florífica, em centros produtores de mudas. Segundo o secretário Eduardo Salles, a intenção é trabalhar, principalmente, com mulheres e jovens, operacionalizando uma sustentabilidade ao projeto.

“Queremos diminuir a muleta do Estado e da prefeitura. Vamos fomentar a criação de mudas, difundir tecnologia e instigar a instalação, dentro da comunidade, de pequenos packing houses (estruturas beneficiadoras da flor)”, disse. Salles informou que os pequenos produtores terão no centro distribuidor de Narandiba, em Salvador, uma alternativa para escoar a produção.

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