Pesquisa comprova uso do sisal como fungicida e xampu anticaspa. Intenção da SECTI é aproveitar integralmente a fibra produzida na Bahia

O sisal produzido na Bahia está prestes a passar por uma grande transformação, com o aproveitamento integral da fibra e a incorporação de novos usos para o produto, como xampu contra caspa, remédio para doenças de pele, acaricidas e ração animal. A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) está desenvolvendo um projeto em parceria com outras instituições para reestruturar toda a cadeia produtiva e entre as ações, além de um maior aproveitamento do sisal, está o uso de máquinas mais eficientes e produtivas para os produtores.

Os Secretários estaduais de Ciência, Tecnologia e Inovação, Paulo Câmera, e de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, Eduardo Salles, estiveram nesta quarta-feira, 25, nos municípios de Conceição do Coité, Santa Luz e Valente, na região do sisal, para conhecer alguns tipos de máquinas para avaliar qual melhor se adapta à iniciativa. Eles foram acompanhados de técnicos das duas secretarias e também da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e do Senai/Cimatec, instituições parceiras no programa junto com a Unesp (Universidade do Estado de São Paulo) e Embrapa/CNPA.

O Secretário Paulo Câmera destacou a importância da união entre as secretarias estaduais para fortalecer o trabalho que vem sendo desenvolvido. Segundo ele, a partir da visita vai se estabelecer um modelo de produção que possa não só aumentar o volume que hoje é processado, mas desenvolver novos usos para a fibra. “Já temos tecnologia para essa transformação”, garante o secretário.

Pesquisa com sisal

O Brasil é o maior produtor de fibra de sisal no mundo, com um volume estimado em 119 mil toneladas por ano. O produto garante o sustento de aproximadamente 700 mil pessoas em 75 municípios na Bahia, estado onde é produzido 95 % do sisal brasileiro.

A fibra crua de sisal na Bahia é obtida por desfibramento a seco, usando máquinas itinerantes operadas por motor. O resíduo desta operação contém suco de sisal, mucilagem e bucha de campo. A fibra acabada de sisal representa somente 4 % do peso da folha desfibrada, portanto, mais de 95% do peso não é geralmente aproveitado. Este resíduo é deixado no local do cultivo entre as fileiras de sisal.

Visando aproveitar melhor esse resíduo, a Secti encomendou um estudo para a Embrapa e Unesp, que comprovou a eficácia de novos usos de produtos de sisal em aplicações agrícolas, veterinárias e farmacêuticas. A pesquisa indicou o uso potencial do suco do sisal como fungicida, inseticida, carrapaticida e antioxidante para alimentos e cosméticos.

Os pesquisadores comprovaram ainda a aplicação em xampu para caspa e doença de pele e creme para candidíase. Está em estudo ainda a possibilidade de o suco do sisal servir contra os ácaros que contaminam as frutas cítricas.

Além disso, a fibra do sisal pode ser usada na indústria automobilística, nos eletro-eletrônicos, em móveis e construção civil, além de servir para ração animal e produção de etanol.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: [email protected]