Na Chapada Diamantina, Secretaria de Cultura inicia primeiro circuito de arqueologia na Bahia

Na caravana cultural da Secult/IPAC, além do circuito arqueológico, serão anunciados os tombamentos da Igreja Presbiteriana, do Grace Memorial Hospital e do Instituto Ponte Nova no município de Wagner, e o da Vila da Parnaíba no município de Iraquara, incluindo lançamentos de DVD, cartilhas e abertura de exposição de arqueologia

A partir deste domingo, dia 22 (janeiro, 2012), a Secretaria de Cultura do Estado (Secult), através do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), em parceria com o departamento de Antropologia da Universidade Federal (Ufba), inicia o primeiro circuito de arqueologia da Bahia. Trata-se do projeto Circuitos Arqueológicos do IPAC/Ufba que identifica, pesquisa e realiza manejos de sítios de arte rupestre, bens paisagísticos e edificações reconhecidas como patrimônios culturais na Chapada Diamantina, região central baiana.

Uma comitiva integrada pelo secretário da Cultura, Albino Rubim, o diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça, prefeitos e diretores municipais, assessores e técnicos estaduais, percorrem durante cinco dias – até 26 de janeiro – os municípios de Lençóis, Wagner, Nova Redenção e Iraquara. Com território formado há 1,7 bilhão de anos atrás, a Chapada encontra-se a 400 km da capital baiana, detém as maiores altitudes do Nordeste brasileiro – com pontos de mais de 2 mil metros de altura –, enorme variedade ambiental e significativas edificações dos séculos XIX e XX.

A ideia é criar um circuito de visitação que promova a preservação e o usufruto pleno dos bens da Chapada através do Turismo Cultural. Os turistas visitariam esses roteiros a partir dos patrimônios paisagísticos, ambientais, arquitetônicos e de pinturas rupestres da região. “A meta é mostrar que o turismo cultural é um vetor exequível de desenvolvimento econômico sustentável para esses municípios, a partir de atrações culturais irrefutáveis e valiosas”, explica o diretor do IPAC, Frederico Mendonça.

Na caravana cultural da Secult/IPAC, além da visitação aos sítios arqueológicos, serão anunciados os tombamentos da Igreja Presbiteriana, do Grace Memorial Hospital e do Instituto Ponte Nova no município de Wagner, e o da Vila da Parnaíba, em Iraporanga, no município de Iraquara, incluindo ainda lançamentos de DVD, cartilhas e abertura de exposição de arqueologia.

O projeto Circuitos Arqueológicos começou em 2008 via convênio IPAC/Ufba, com levantamentos dos bens culturais, mobilizações, oficinas e cursos que duraram 15 meses em seis municípios, Lençóis, Palmeiras, Iraquara, Morro do Chapéu, Wagner e Seabra. Cerca de 450 pessoas foram beneficiadas, transformando-se em multiplicadores. “Desde 2008, equipe multidisciplinar da Ufba/IPAC percorre cidades identificando e registrando pinturas rupestres e promovendo atividades de educação patrimonial, para ter como resultado final os circuitos”, diz Mendonça.

Foram realizados ainda Seminário Internacional de Arte Rupestre com estudiosos franceses e a renomada arqueóloga brasileira Niéde Guidon, o 5º Seminário de Arte Rupestre e a 3ª Reunião da Associação Brasileira de Arte Rupestre. Por fim, foi montada a exposição Circuitos Arqueológicos em Salvador em setembro e outubro do ano passado (2011). “A Bahia é um dos estados mais ricos do país quando falamos da quantidade e qualidade do patrimônio material, como construções seculares tombadas, pinturas rupestres, fósseis ou grutas, e podemos tirar proveito disso”, diz o diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça.

PROGRAMAÇÃO – No domingo (22/01/2012) a caravana cultural da Secult chega a Lençóis e vai a Serra das Paridas, sítio arqueológico já montado para visitação. No dia 23, serão visitadas a cidade de Wagner e as localidades de Cachoeirinha e a Passagem dos Bois. Em Wagner acontece ainda a primeira edição do projeto ‘Conversando sobre Patrimônio’ do IPAC fora de Salvador, começando o ‘Ano 2’ dessa ação. O tema ‘Missão Presbiteriana na Bahia – Patrimônio Edificado’ pontua questões sobre tombamentos com seus impactos em proprietários e municípios. O evento abre o calendário 2012 das palestras que acontecem mensalmente no Conselho Estadual de Cultura, com temática sobre patrimônio, cultura e políticas públicas. Em Wagner também será aberta a mostra Circuitos Arqueológicos da Chapada no Instituto Ponte Nova, com municípios de Lençóis, Palmeiras, Iraquara, Morro do Chapéu, Wagner e Seabra.

Na terça-feira (24) acontece visita à Nova Redenção, no Poço Azul, local onde ocorreram achados pré-históricos, incluindo fóssil de preguiça-gigante. À noite, em Lençóis, ocorre lançamento do DVD ‘História Cultura e Patrimônio – A voz da Comunidade’ no auditório da Casa Afrânio Peixoto da Fundação Pedro Calmon, entidade também vinculada à Secult. Na quarta (25) a caravana segue até Iraquara onde haverá circuito-piloto com passagem pela Lapa Doce, Lapa do Sol, Pratinha e Iraporanga, em Iraquara. No mesmo dia será lançada cartilha com roteiro e imagens para as prefeituras trabalharem seus circuitos. A caravana será encerrada no dia 26 (quinta).

O coordenador dos Circuitos Arqueológicos IPAC/Ufba, doutor em Pré-história pelo Museu de História Natural de Paris, Carlos Etchevarne, explica que o nome rupestre vem do latim rupes que significa rochedo, onde são encontrados vestígios, pinturas e desenhos deixados por populações pré-históricas. Considerada um dos mais importantes testemunhos do passado humano no planeta, a Pintura Rupestre é encontrada, geralmente, em abrigos, grutas e lajedos rochosos de várias partes do mundo e foi produzida por grupos humanos de caçadores-coletores, horticultores, agricultores ou pastores.

Etchevarne relata que nos trabalhos de identificação, pesquisa e gestão de sítios de arte rupestre, e com apoio do Governo do Estado/Secult/IPAC, prefeituras e comunidades, foram mapeados 57 sítios na Bahia. “Essa é a primeira experiência na Bahia de aproveitamento com pesquisa e gestão que visa a preservação de acervo tão extraordinários de sítios”, diz o especialista. A próxima fase é a implementação de itinerários turísticos planejados, com a intervenção de outras secretarias estaduais, prefeituras, agentes privados e comunidades.

CHAPADA DIAMANTINA – É definida como uma região de serras, vales e cumes, situada no centro da Bahia, onde nascem quase todos os rios das bacias hidrográficas do Paraguaçu, Jacuípe e Rio de Contas, com formação de quedas d’água, corredeiras e cachoeiras. Na região foi criado um parque nacional, em 1985, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) do governo federal. A vegetação é exuberante, composta de espécies da caatinga e da florada serrana, com destaque para bromélias, orquídeas e sempre-vivas. As serras abrangem cerca de 38 mil km². Depois da formação da bacia sedimentar, depositaram-se nessa região sedimentos sob a influencia de rios, ventos e mares. Posteriormente, aconteceu o “soerguimento” acima do nível do mar, e as inúmeras camadas de arenitos, conglomerados, e calcários, da Chapada de hoje, mostram esses depósitos sedimentares primitivos. Os conjuntos arquitetônico-históricos da região também são tombados como patrimônios culturais da Bahia e do Brasil.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia).