Missão norte-americana do início do século XX pode ser Patrimônio Cultural da Bahia

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Um conjunto de edificações de caráter excepcional e singular, influenciado pelos estilos arquitetônicos neo-palladianismo, georgian e art déco, construído no início do século XX no município de Wagner, a 414 km de Salvador, na Chapada Diamantina, pode se tornar oficialmente um Patrimônio Cultural da Bahia.

A proposta foi apresentada pelo Instituto do Patrimônio Ar

tístico e Cultural da Bahia (IPAC) na última segunda-feira (23/01/2012), com a presença do secretário de Cultura do Estado, Albino Rubim, que coordenou até ontem (26/01/2012) uma caravana cultural que passou pelos municípios de Lençóis, Wagner, Nova Redenção e Iraquara, acompanhado por 22 assessores e técnicos da secretaria estadual (SECULT).

O processo de tombamento começa com pesquisas realizadas por equipe multidisciplinar do IPAC criando um dossiê, encaminhado á SECULT que o submeterá ao Conselho Estadual de Cultura. Este, depois de analisar e aprovar devolve à secretaria que submete o veredicto à apreciação do governador do estado, que após decidir, finalmente pode assinar o decreto de tombamento publicado no Diário Oficial.

“O motivo inicial foi apresentar o Projeto Circuitos Arqueológicos proposta via convênio entre o IPAC e a Universidade Federal da Bahia (UFBA) desde 2008, mas aproveitamos para realizar uma caravana por vários distritos desses municípios conhecendo os bens culturais dessa grande região, sejam materiais ou imateriais”, disse o secretário de Cultura durante a apresentação.

Em Wagner a comitiva da SECULT conheceu a pesquisa do IPAC sobre as edificações norte-americanas, visitou o antigo povoado de Cachoeirinha, onde foram apresentadas manifestações culturais como aboios de vaqueiros e cantos de reisado, além de uma estância onde ainda existem antigos alambiques, fábrica de rapadura e melaço, e bens paisagístico-ambientais, com vales, serras, rios e cachoeiras.

Este e outros roteiros de viagem fazem parte de proposta do IPAC para os Circuitos Arqueológicos – contemplando bens culturais tangíveis e intangíveis –, ação que pode auxiliar no desenvolvimento econômico sustentável da Chapada. “Outros estados brasileiros e países já utilizam os seus atrativos naturais e culturais como um dos principais vetores da economia, e a Bahia que detém um dos mais ricos acervos arquitetônicos e arqueológicos do país, pode conseguir o mesmo”, diz o diretor do IPAC, Frederico Mendonça. A proposta, contudo, dependeria de ampla parceria entre poderes públicos municipais, estadual e federal, iniciativa privada e sociedade civil organizada.

Segundo Mendonça, os edifícios que estão sob estudo e tombamento provisório em Wagner são a Igreja Presbiteriana, o Grace Memorial Hospital e o Instituto Ponte Nova. O pedido de tombamento apareceu sob a forma de abaixo-assinado de moradores da região. O município de Wagner surgiu às margens do Rio Utinga, devido à criação do Instituto em 1906, a partir da vinda desses presbiterianos norte-americanos que construíram as edificações. O projeto inicial foi instalar uma escola-fazenda, e depois uma estação missionária com ações de religião, educação e saúde.

Os missionários pretendiam uma imagem de progresso e civilização, e promoveram a criação de um novo espaço com características urbanísticas mais americanas que português-brasileiras. “O estilo do neo-palladianismo apresenta formas quadradas, com simetria e vergas retas sobre as portas e janelas e a mesma austeridade e amplitude nas linhas urbanas”, explica a professora da Universidade Católica do Salvador e arquiteta do IPAC, Lígia Larcher. São comuns os frontões triangulares para marcar acessos e colunas. Pisos cerâmicos oitavados, lustres de vidro piramidais art déco, são outras características. Também existe uma igreja em estilo neogótico, de torre com ameias, evocando um castelo medieval.

Outro imóvel é o Instituto Ponte Nova que recebia alunos em internato de toda a Bahia e ainda tem os pisos em parquet, que é um assoalho feito de peças de madeira nobre, de tamanhos, cores e formas diversas, em desenhos geométricos. Para Lígia Larcher, com as instalações que ainda dispõe, a cidade de Wagner poderia se tornar um pólo cultural-educacional na Chapada, e o tombamento é um dos incentivadores dessa transformação. Todo imóvel tombado também tem prioridade nas linhas de financiamento.

Saiba +

Mais informações sobre o tombamento em Wagner, com a Gerência de Patrimônio Material (Gemat) do IPAC via telefones (71) 3116-6742 e 3116-6933, e endereço eletrônico [email protected] . Outros dados sobre ações do IPAC no site www.ipac.ba.gov.br .

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