Ministro Mário Negromonte entrega cargo está semana; presidente Dilma Rousseff o classificou, nos bastidores, como mau gestor

Ministro Mário Negromonte deve entregar cargo.

Ministro Mário Negromonte deve entregar cargo.

A presidente Dilma Rousseff negociou a saída de Mário Negromonte do Ministério das Cidades com o governador da Bahia Jaques Wagner, e com a direção nacional do Partido Progressista. Regressando da viagem internacional, a presidente deve escolher nos quadros do partido um substituto para Negromonte.

A matéria ‘Elogiado, mas cada vez mais isolado’, produzida por Gabriel Mascarenhas do jornal Correio Braziliense, confirma o que todos já sabiam, a saída iminente de Mário Negromonte.

Confira a íntegra da matéria

O cumprimento público durante uma solenidade na Bahia, ontem de manhã (30/01/2012), deve ter sido o último gesto de afago da presidente Dilma Rousseff para o ministro das Cidades, Mário Negromonte (PP-BA). Horas depois, mais um aliado dele foi exonerado, o assessor parlamentar do ministério João Ubaldo Dantas. Na semana passada, o chefe de gabinete da pasta, Cássio Ramos Peixoto, também havia sido demitido. Desde o início do mês, o isolamento de Negromonte ficou cada vez mais evidente com o fato de o ministro não ter sido chamado para reuniões importantes no Planalto, com pertinência à pasta de Cidades, como a preparatória para grandes eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016. Esvaziado, ele pode entregar o cargo a qualquer momento, atendendo a um desejo do governo e evitando mais desgastes para a presidente e para o próprio partido.

Contra Negromonte pesam denúncias de tráfico de influência, fraude de documentos e até pagamento de propina a correligionários. Ontem, Dilma, o governador da Bahia, Jaques Wagner, e Negromonte estiveram juntos durante a cerimônia que marcou o início das obras de urbanização e revitalização do Rio Camaçari, na cidade homônima. Apesar da distância entre os dois ao longo do evento, a presidente citou o ministro em seu discurso: “Queria cumprimentar os ministros que me acompanham e vou começar cumprimentando o ministro Mário Negromonte, que no meu governo tem sido responsável pela política de urbanização de favelas, habitação, saneamento e proteção de encostas”.

A atitude da presidente de prestigiar Negromonte está sendo vista como um atalho para que ele tenha uma saída honrosa do governo. Parte dos próprios correligionários do ministro tratam a queda como uma questão de tempo. “Quem decide se demite e quando demite é a presidente, mas, do jeito que está, é ruim para o partido, para o governo, para todo mundo. A situação atual é constrangedora”, afirmou o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS).

Aliados distantes

Mesmo os aliados mais próximos de Negromonte, como Jaques Wagner, não o defendem mais publicamente. “Quando Negromonte foi para o ministério, deixei claro que essa era uma indicação do PP. Foi elogiada por mim porque cada baiano que ocupe um papel é importante”, esquivou-se o governador, ontem.

Em novembro, porém, o posicionamento de Wagner era outro. Diante das acusações contra Negromonte, ele foi enfático ao dizer que tais suspeitas eram ridículas e vindas de pessoas que sentiam “muito ciúme da Bahia”.

Saiba +

Negromonte será o nono ministro a deixar o governo Dilma. Desses, seis foram após denúncias de irregularidades: Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Pedro Novais, Carlos Luppi e Orlando Silva.

Entre os nomes analisados pelo governo para suceder a Negromonte no Ministério das Cidades estão o do líder do PP na Câmara, Agnaldo Ribeiro (PB), e dos deputados Márcio Reinaldo (MG), Beto Mansur (SP) e dos senadores Benedito de Lira (AL) e Ciro Nogueira (PI). A presidente Dilma Rousseff, no entanto, prefere Márcio Fortes, que já foi ministro das Cidades e hoje ocupa o cargo de Autoridade Pública Olímpica (APO).

Negromonte assumiu o Ministério das Cidades em janeiro de 2011, por imposição de seu partido, o PP, e com o aval do governador Jaques Wagner. Mas logo ele perdeu o apoio no próprio PP. Agarrou-se então em Wagner, que embora do PT sempre esteve ao lado dele. Os auxiliares próximos à presidente diziam que a chefe o considerava um mau gestor e que não via como mantê-lo na equipe ministerial. Nos últimos dias, apenas Jaques Wagner ficou ao lado do ministro.

Nos últimos dias, Dilma começou uma faxina nos escalões inferiores do Ministério das Cidades. Afastou primeiro o chefe de gabinete do ministro, Cássio Peixoto, por envolvimento com um lobista. Ontem, demitiu João Ubaldo Coelho Dantas do cargo de chefe da Assessoria Parlamentar do ministério, pelo mesmo motivo. Todos os auxiliares foram levados da Bahia a Brasília por Negromonte.

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