Meliponicultores de comunidades quilombolas de Boninal são assistidos pela EBDA

Cerca de 50 meliponicultores de comunidades quilombolas e de agricultores familiares, no entorno de Boninal (Território de Cidadania da Chapada Diamantina), estão sendo assistidos por uma equipe técnica da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), vinculada à Secretaria da Agricultura (Seagri), visando à valorização da criação de abelhas sem ferrão (melíponas), na região.

Segundo a bióloga da empresa, vinculada ao Programa Pacto Federativo – desenvolvido pela parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), a EBDA e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) -, Amia Spineli, a criação de melíponas, nessa região, está sendo usada como ferramenta para a preservação das espécies e dos costumes locais, para a educação, conservação da diversidade dos ecossistemas locais, incentivo ao ecoturismo e para o exercício de um comércio justo dos produtos oriundos da atividade apícola.

“Com este trabalho a empresa pretende promover a inclusão social da população rural mais pobre, de acordo com as orientações do Pnater (Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural)”, explicou Spineli.

A equipe da EBDA, formada por profissionais do Laboratório de Abelha da empresa, com sede em Salvador, e técnicos locais do Pacto Federativo, estiveram durante toda a semana passada, em visita técnica às comunidades quilombolas de Olhos D´aguinha, Cutia, Mulungu e Conceição, e na comunidade de agricultores familiares da Rocinha, onde foram implementados quatro meliponários coletivos. Visitaram, ainda, o meliponário matriz, na sede da Associação de Cultura Popular Quebra-Coco, construído para a criação e manejo de abelhas da espécie mandaçaia.

As ações do projeto estão pautadas no fomento à criação de abelhas sem ferrão e na prestação de assistência técnica aos meliponicultores para a elaboração de um sistema local de criação e manejo de abelhas mandaçaia, adequado à realidade socioambiental da região.

“A criação de abelhas sem ferrão, em nosso município, proporciona uma renda extra para os agricultores familiares, contribuem para a polinização das lavouras, preservação da espécie e, além disso, a produção do mel como uma fonte alimentar saudável”, disse a chefe de escritório da EBDA de Boninal, Sibele Araújo.

O técnico da EBDA, Felipe Oliveira Nunes, que também acompanha os trabalhos nas comunidades, afirmou que, até o momento, os produtores assistidos demonstram interesse na evolução da atividade e consideram o trabalho da EBDA importante para a manutenção da cultura local de criação de abelhas sem ferrão e de geração de renda no campo.

Um bom exemplo vem de Delcique Paixão Almeida de Souza, agricultor familiar e criador de abelhas, de Boninal. “Antes, manejava as abelhas sem nenhum conhecimento; depois de participar de reuniões e oficinas aprendi a lidar com as abelhas; além disso, não podemos deixar as espécies que criamos entrar em extinção; mesmo porque, elas proporcionam muita coisa boa para nós”, afirmou Souza.

Criação de abelhas sem ferrão

As abelhas mandaçaia (Melipona quadrifasciata anthidioides) vêm sendo criadas, tradicionalmente na região, de forma artesanal, em cortiços (troncos de árvores) e em potes de barros, sem fins lucrativos, por diversas comunidades rurais do município.

Segundo Amia Spineli, essa criação permite um serviço inestimável para a reprodução e manutenção da diversidade vegetal local, além de proporcionar uma complementação econômica para as famílias, a partir da produção e comercialização de diversos produtos como mel, cera, própolis, colônias, potes de barro e caixas decorativas.

Entretanto, com a introdução das abelhas melíferas (com ferrão), o interesse pela criação das abelhas nativas, na região, vem diminuindo, e essa tradição corre o risco de desaparecer. A situação local de declínio das abelhas sem ferrão foi diagnosticada em projetos anteriores, desenvolvidos pela pesquisadora da EBDA e coordenadora do Pacto Federativo, Marina Siqueira de Castro. Atualmente, as ações realizadas nas comunidades são financiadas pelo Projeto de Manejo e Conservação de Abelhas Sem Ferrão, do Pacto Federativo, com o apoio do Centro Nacional de Pesquisa (CNPq).

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