Médico e membro da Caco de Telha, Kleber San Galo fala sobre a Micareta de Feira e critica a falta de um teatro de grande porte em Salvador

Kleber San Galo: Estou feliz, continuo ligado à medicina, em cima do Instituto Ivete Sangalo, a gente faz prevenção de câncer de mama, câncer de colo do útero, na região de Juazeiro. - Foto: Carlos Augusto | Guto Jads | Jornal Grande Bahia. Com. Br

Kleber San Galo: Estou feliz, continuo ligado à medicina, em cima do Instituto Ivete Sangalo, a gente faz prevenção de câncer de mama, câncer de colo do útero, na região de Juazeiro. – Foto: Carlos Augusto | Guto Jads | Jornal Grande Bahia. Com. Br

O médico ortopedista Kleber San Galo deixou as atividades de cirurgia e clínica de lado e passou a fazer parte do universo do entretimento, ingressando, na condição de funcionário, na Caco de Telha, empresa responsável pelo lançamento e agenciamento de talentos musicais, organização e promoção de eventos. Kleber também participa da gestão da Caco Formaturas e do Instituto Ivete Sangalo.

Em entrevista ao diretor do Jornal Grande Bahia, Carlos Augusto, Kleber afirma estar feliz com a opção profissional, ao mesmo tempo em que critica a falta de um teatro de grande porte e de uma casa de shows adequadas ao tamanho da população da capital baiana. Ele revela que a Rede Globo prepara um especial com os artistas da música baiana, elogia Tarcízo Pimenta pela condução da Micareta e fala que Feira de Santana deve buscar preservas as suas marcas.

Jornal Grande Bahia – Durante um bom período você atuou como médico em Feira de Santana e andou sumido de Feira. Como está a sua vida profissional hoje?

Kleber San Galo – Estou bem. Trabalho com entretenimento, trabalho na Caco de Telha, gerencio a Caco Formaturas, que é uma empresa de formaturas da Caco de Telha, cuido do núcleo de comunicação da Caco de Telha, cuido também da parte de responsabilidade social das ações de Ivete Sangalo.

Estou feliz, continuo ligado à medicina, em cima do Instituto Ivete Sangalo, a gente faz prevenção de câncer de mama, câncer de colo do útero, na região de Juazeiro tem uma carreta móvel que roda. Hoje temos orgulho de dizer que a região de maior prevenção de câncer de mama em mulheres acima de 40 anos do Estado, a maior relação de diagnóstico do câncer de mama por mamógrafos do SUS é lá.

Não larguei Feira de Santana, continuo aqui, continuo fazendo os eventos junto com o pessoal da Central da Micareta e Abadá Mania, a gente faz Chiclete, Tomate, Eva. Estamos com 11 atrações na Micareta de Feira de Santana, as de sempre, Tomate, Eva, Aviões que é a novidade, vamos trazer Jammil esse ano, Oito7nove4 também está nos blocos que são vendidos na Abadá Mania. É um prazer sempre está aqui em Feira de Santana, participando do lançamento da festa, da Micareta, estar junto do meu povo. Eu sou feirense, morro orgulhoso de ser feirense.

JGB – O prefeito acaba de anunciar a presença de Ivete Sangalo na Micareta 2012. Como é que você analisa essa mudança de paradigma, além de Ivete, mais uma vez Chiclete com Banana está vindo para Feira. Carlinhos Brown, Margareth, enfim, atrações que tem um peso nacional.

Kleber San Galo – Eu acho que assim, a gente tem que olhar as marcas que Feira de Santana tem. Feira de Santana tem marcas que devem ser trabalhadas para não morrer. Marcas fortes como a Lavagem da Matriz que morreu e a Micareta tem que ser cuidada como a maior marca de Feira de Santana, é a marca mais histórica que tem, a festa mais antiga que tem nesse formato.

O prefeito está trazendo as atrações que hoje são extremamente pesadas para vir para os blocos, ele está trazendo essas atrações para tocar para o povo na Micareta, dividido nos dias da Micareta o que faz com que o povo permaneça aqui e não faça a opção por viajar.

São seis anos sem Ivete na Micareta, ela volta esse ano, a gente fez muito esforço para que ela estivesse aqui, junto com a prefeitura, foi um trabalho conjunto. Hoje estamos com tudo bem encaminhado, ainda não estamos com o com o contrato assinado, mas está tudo encaminhado, Ivete vai estar na Micareta. Ela está muito feliz de voltar para Feira de Santana que efetivamente é uma das poucas Micaretas abertas que restam no Brasil.

É muito bacana ver as discursões para mudança da festa, sempre para melhor, eu acredito. Gostei da consciência do prefeito Tarcízio em não mudar esse ano sem uma discursão mais ampla entre os segmentos, que eu acho que deve existir. Muito bacana, é uma festa que a gente gosta de participar.

JGB – Muito se especulou a respeito da construção de uma grande casa de eventos para shows em Salvador. Como está essa realidade hoje? O projeto anda, foi arquivado?

Kleber San Galo – Salvador eu acho que é uma das poucas grandes capitais brasileiras que não tem uma grande área de eventos. É um terror a gente viver fazendo evento em uma área como o Wet’n Wild, ou concorrendo com as feiras no Parque de Exposição. Com avocação turística que a cidade de Salvador tem, está trabalhando em locais adaptados, locais que não foram criados para ter evento, é uma dificuldade.

Agora mesmo estamos discutindo com a Rede Globo para fazer um grande especial com os artistas da música baiana, querendo gravar na Bahia, existe uma dificuldade muito grande para se fazer em um formato que dê para boa captação televisiva. Ter uma casa de eventos em Salvador é uma necessidade, ainda mais com a quantidade de grandes produtoras que tem em Salvador. Dentro da empresa se tentou isso por muito tempo, do ponto de vista político não se conseguiu e agente acabou focando em outras áreas de negócio que não a casa de show. Mas a gente apoia a iniciativa e precisa de uma casa de show em Salvador.

JGB – Alguns espetáculos renomados também tem evitado o circuito baiano, em função de falta de uma casa teatral. Como você avalia esse cenário?

Kleber San Galo – Exatamente isso. A gente hoje tem o Teatro Castro Alves que é uma grande casa de espetáculo, mas ela é pequena pra determinados shows grandes. Visto que é feito no Chevrolet Hall em Belo Horizonte, no CrediCard Hall em São Paulo, no Chevrolet de Recife. Atrações como Tiesto, Yves Larock, atrações de blues como BB King, que a gente não consegue trazer para Bahia porque não tem uma casa específica, com qualidade, climatizada para a gente receber as pessoas.

Hoje a metade, ou mais da metade dos grandes eventos de verão da Bahia, não são feitos em Salvador, são feitos em Mata de São João ou Praia do Forte. Essa é uma realidade que tem que mudar.

Outro dia eu vi uma reportagem do presidente da França, Nicolas Sarkozy, dizendo que cultura é um direito do povo e uma atribuição do Estado, ou isso vai ser entendido que o Estado tem que fomentar a cultura e que graças a Deus em Feira de Santana a gente tem visto a preocupação com esse fomento ou nós não vamos ter isso nunca.

É uma labuta, uma luta diária, de conscientização dos poderes estabelecidos como Ministério Público, como as secretárias que cuidam disso, com a BAHIATURSA, com a SALTUR, para que a gente tenha espetáculos qualificados e tenha um verão qualificado na Bahia. Com a Copa do Mundo, com a vinda da Arena Fonte Nova que vai ser um espaço que vai poder ser utilizado para espetáculo e agente espera que ela venha com uma modulação que dê para fazer shows de vários tipos e de vários tamanhos. Tem duas ou três casas novas em Salvador sendo discutidas para nascer, a gente espera que tenha um lugar rápido, pelo menos antes da Copa das Confederações a gente tenha um lugar para fazer eventos em Salvador.

JGB – Com sua experiência profissional, com sua vivência nesse ramo de entretenimento você diria que seria necessário hoje um teatro com quantos lugares, para colocar Salvador de novo no circuito dos grandes eventos mundiais. E também uma casa de shows com quantos lugares?

Kleber San Galo – Se a gente pegar os grandes lugares que fazem shows no Brasil, o CrediCard Hall que tem uma área de estacionamentos que são usadas para shows grandes e tem uma área interna que é usada para shows até oito mil pessoas, climatizado. A gente tem espaços como o Rio Centro, no Rio de Janeiro e tem os pavilhões de feiras em São Paulo, que cabem até 12 a 13 mil pessoas, climatizadas. Eu acho que a gente deveria ter em Salvador uma arena modular, climatizada que pudessem ter festas de 3 a 12 mil pessoas, com possibilidade além de festas, eventos corporativos como feiras de automóveis, salões imobiliários, grandes convenções, esse é o lugar que Salvador merece. O Centro de Convenções que foi feito com essa finalidade, hoje já não suporta mais esse tipo de evento, inclusive porque tem medidas do Ministério Público dizendo que não pode ter shows com venda de ingresso no Centro de Convenções, o que é um absurdo.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: [email protected]