Gilberto Carvalho confirma que Dilma avaliou desocupação do Pinheirinho como barbárie

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, confirmou ontem (27/01/2012) que a presidenta Dilma Rousseff avaliou como barbárie a operação militar de desocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP).

“Sim, é verdade. É uma questão de método que se utiliza quando há um problema. Ou você parte para o método democrático de ouvir e resolver no diálogo ou vai para o enfrentamento armado sem levar em conta a necessidade de respeitar a dignidade daquelas pessoas”, disse, ao participar do Fórum Social Temático (FST) 2012.

Carvalho disse que o Ministério das Cidades, há anos, vem propondo ao governo de São José dos Campos uma alternativa para a situação mas que, “infelizmente”, o diálogo não foi levado até o final e a operação militar “deu no que deu”.

 “Aquelas famílias são famílias pobres, carentes e precisam ser tratadas com a mesma dignidade com que eu trato aqueles que ocupam terras do Estado sem terem sido removidos”, ressaltou.

Sobre a acusação feita pelo PSDB de que o assunto foi transformado em questão eleitoral, o ministro disse lamentar que o partido esteja tentando alterar o que aconteceu. “Não há politização ou questão eleitoral no caso. O que há é a necessidade da denúncia de um método que é equivocado”, disse.

“O governo federal, ao contrário do que se diz, procurou fugir de qualquer característica de disputa eleitoral. Temos um respeito pelo governo do estado de São Paulo, uma boa relação. O governo federal pontuou a diferença de método e se ofereceu para ajudar na solução do problema. Agora, mais do que nunca, o que importa é a resolução do problema daquelas famílias”, concluiu.

O Governo de São Paulo respondeu, em nota, que “é inadmissível o oportunismo político e o desapreço do ministro Gilberto Carvalho pelo regime democrático. Antes de fazer ataques covardes a São Paulo, o ministro deveria explicar por que, desde o início da ocupação, em 2004, o governo federal não ofereceu uma única solução concreta para o drama das famílias em Pinheirinho. O ministro Gilberto Carvalho desperdiça horas de seu tempo de trabalho para fazer proselitismo às custas da verdade. Defende abertamente o desrespeito a ordens judiciais e ataca de forma sórdida um ente da federação. Demonstra, com isso, que não está à altura do cargo que ocupa. Se terrorismo houve, foi na irresponsabilidade verbal do ministro. O Governo de São Paulo tem compromisso com a democracia e a Justiça social. Sob esses princípios, irá solucionar definitivamente o problema de moradia dessas famílias”.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia).