Chuvas agravam precariedade das estradas estaduais e ameaçam escoamento da safra do Oeste da Bahia

Os recordes de produção que fizeram do Oeste da Bahia a maior fronteira agrícola do Brasil e despertaram o interesse do mundo para esta região são, agora, uma ameaça para a sua própria viabilidade. Isto porque a precariedade da estrutura logística regional atravanca a produção crescente, comprometendo o escoamento da safra. Esta situação aumenta os custos para o produtor e tira sua competitividade, em um mercado de commodities, onde cada real economizado na produção tem grande peso na remuneração do agricultor.

O Oeste deve colher, na safra 2011/12, sete milhões de toneladas de grãos, segundo a estimativa do Conselho Técnico da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba). Dentre as principais culturas estão a soja, o milho e o algodão. O transporte rodoviário, praticamente o único modal de escoamento dos grãos, é comprometido pelas péssimas condições das rodovias estaduais. Não bastasse a falta de manutenção da grande malha viária vicinal, as chuvas sazonais prejudicaram ainda mais o pouco asfalto remanescente, e tornam intrafegáveis muitos dos trechos.

Ameaçados pelo problema, os agricultores, representados pela Aiba, propõem a instituição de uma Parceria Público Privada (PPP) para a recuperação e manutenção das rodovias. A entidade formalizou o pleito no início do ano, com cartas protocoladas em audiência com o secretário de Infraestrutura do Estado da Bahia, Otto Alencar, e ao Departamento de Infraestrutura e Transportes da Bahia, Derba.

De acordo com o vice-presidente da Aiba, Sérgio Pitt, a proposta é uma ação emergencial para minimizar os problemas no escoamento da safra atual. Pela proposta, o Derba participa com as máquinas e equipamentos, e os produtores entram com o transporte do cascalho e assistência nas frentes de trabalho.

“Trata-se de uma solução paliativa para não inviabilizar esta safra. Em médio prazo, esperamos a pavimentação de alguns trechos estratégicos para o que contratamos projetos executivos no âmbito do Programa de Rodovias Estaduais do Oeste Baiano, para uma parceria entre Aiba, Governo da Bahia e Banco do Nordeste”, diz Pitt.

Intransitável

A situação é crítica em muitos trechos, segundo o vice-presidente da Aiba. Ele lista como principais:

– BA 458 – que liga a BA 459 (Anel da Soja) à região da Garganta, até o Km 135 (Panambí);

– BA 461 – que escoa toda a produção da região de Bela Vista, fazendo a interligação entre a BA 460 e a BR 242, trecho que totaliza 56 quilômetros, sem pavimentação;

– BA 462 – que escoa a produção das Regiões de Novo Paraná e Alto Horizonte, fazendo a interligação entre a BR 020 e a BR 242 – com 58 quilômetros de extensão, sem pavimentação;

– BR 242 – via fundamental para escoamento da produção agrícola do município de Luis Eduardo Magalhães, no trecho entre a interseção com a BA 460 até a divisa com o estado do Tocantins, equivalente a 49 quilômetros sem pavimentação;

– Estrada Timbaúba, braço da BR 020 no sentido da Serra, em 45 quilômetros;

– Estrada da Soja, braço da BR 020, sentido da Serra, em 33 quilômetros.

– Anel da Soja (BAs 458, 459 e 460), vias pavimentadas, com extensão de 200 quilômetros, em péssimo estado de conservação.

– Trecho da BR 135 (Barreiras até São Desidério) e BA 463 (São Desidério até Roda Velha, entroncamento com a BR 020).

“Há estradas intransitáveis. Várias delas são BAs sem pavimentação, de chão batido, que se acabaram com as chuvas. Isso é inconcebível em uma região pujante como o cerrado da Bahia”, diz Pitt. Ele complementa, ainda, informando que a manutenção de boa parte da BA 458, que liga a BA 459 (Anel da Soja) à região da Garganta, até o Km 135 (Panambí), está sendo executada com máquinas fornecidas pelo Estado do Tocantins, abrindo corredores estratégicos para o escoamento da produção para aquele estado.

Rodoagro

Em médio prazo, a Aiba espera incrementar a logística regional através de uma PPP entre Governo do Estado, produtores, prefeituras locais e Banco do Nordeste, para a construção e pavimentação de uma rodovia estratégica, batizada de Rodoagro. Esta estrada terá um percurso aproximado de 222 quilômetros, e interligará os municípios de Luís Eduardo Magalhães e Formosa do Rio Preto, ligando a BA – 459 (Anel da Soja) à BA – 225 (Coaceral), passando pela região Oeste dos municípios de Barreiras e Riachão das Neves. O trecho foi dividido em três lotes pela empresa ATP Engenharia Ltda, contratada pela AIBA. O projeto executivo será concluído ainda no mês de fevereiro próximo.

A rodovia beneficiará a mais importante fronteira agrícola do estado. São hoje aproximadamente 600 mil hectares de lavoura já explorados e proporcionará a incorporação de mais 400 mil, perfazendo uma área de um milhão de hectares de lavoura, fomentando um impacto econômico superior a dois bilhões de reais, gerando empregos, renda e impostos.

“A Rodoagro tem um traçado estratégico, e irá proporcionar o escoamento da produção agrícola pela Bahia. Hoje, parte desta produção é escoada pelo estado do Tocantins. Com a rodovia o Estado irá recuperar uma grande parcela de impostos perdidos”, argumenta Sergio Pitt.

Também estão na fase conclusiva, os projetos executivos para pavimentação das Estradas da Soja com extensão de 33 quilômetros e a estrada Timbaúba, com extensão 45 quilômetros, com o propósito de asfaltamento em parceria do Governo com os produtores.

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