Operação Caribe | MP denuncia 12 envolvidos em esquema de corrupção em Mucuri. Oito vereadores e dois empresários presos, e dois foragidos

Oito vereadores e dois empresários envolvidos em um esquema de corrupção desmontado pelo Ministério Público estadual no município de Mucuri estão presos e foram denunciados à Justiça hoje (27/12/2011) pelos promotores de Justiça Milena Moreschi e Pablo Antonio de Almeida. Dentre os presos, sete integrantes da Câmara de Mucuri, todos acusados de receberem propina para apressar e aprovar votação de projeto de lei que beneficiaria empresa do setor urbanístico em prejuízo do interesse público, e um vereador de Nova Viçosa. Também denunciados por participação no esquema, mais um vereador e um ex-parlamentar de Mucuri encontram-se foragidos.

Desencadeada na última quinta-feira (22/12/2011), a ‘Operação Caribe’ já cumpriu 10 mandados de prisão e 15 de busca e apreensão no extremo-sul da Bahia. As provas obtidas durante a sua execução comprovam que o projeto de lei que beneficiaria a ‘Sociedade Empresária Vescovi e Campos Ltda.’ fora aprovado apressadamente pelos vereadores em duas votações distintas, que ocorreram num intervalo de menos de quatro dias (15 e 19 de dezembro). Além disso, documento encontrado na residência do presidente da Câmara, Carlos Gonçalves de Souza, vulgo “Tazinho”, ratifica a informação de que cada vereador recebeu previamente à aprovação da lei a quantia de R$ 10 mil. Apenas dois deles teriam recebido R$ 5 mil, pois haviam escolhido completar os R$ 25 mil acordados para aprovação total do projeto em lote.

Segundo os promotores de Justiça Milena Moreschi e Pablo Antonio de Almeida, que desenvolveram a operação com o auxílio dos promotores Ariomar Figueiredo e Marcos Pontes e de policiais integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e de Investigações Criminais (Gaeco), que é coordenado pela promotora de Justiça Ediene Lousado, dos nove vereadores que integram a Câmara Municipal de Mucuri, oito estariam envolvidos no esquema criminoso. Apenas uma vereadora que não se encontrava na função à época da pactuação da ação criminosa está fora do esquema, informam eles, lembrando que ela assumiu a vaga de Agripino Botelho Barreto, que renunciou ao mandato logo após o recebimento da primeira parcela. Agripino e o vereador Manoel Negino Cruz, que apresentou gravação ambiental da proposta de corrupção ao MP, encontram-se foragidos. Estão presos o presidente da Câmara, os vereadores de Mucuri Roberto Alves dos Santos, Gisele Aparecida Gazzinelli, Márcio Machado, Roberto Bastos, Wilson Cabral, Justina Cruz e os sócios da empresa ‘Vescovi e Campos Ltda, Wilsom Campos dos Santos (vereador de Nova Viçosa), Arlei Vescovi e Alan Campos.

Todos os denunciados se envolveram no esquema que consistia em pagamento pela Vescovi e Campos de quantia individual de R$ 25 mil para rápida tramitação e aprovação de projeto de lei que daria regularidade ao empreendimento “Loteamento Caribe”, que estava sendo construído pela empresa sem autorização dos órgãos públicos em área legalmente inviável. Quatro vereadores chegaram a confessar que receberam o dinheiro, sendo que todos foram denunciados por corrupção passiva, os empresários por corrupção ativa (confessaram o oferecimento de lotes e a contraproposta dos vereadores para pagamento de propina) e o presidente da Câmara pelos dois crimes, pois, segundo as apurações, foi ele quem coordenou o esquema, negociando o valor e forma de pagamento da propina. O vereador Manoel Negino que apresentou a gravação ao MP também foi denunciado pois, de acordo com os promotores de Justiça, ficou comprovado que ele omitiu a participação da vereadora Justina Cruz no esquema, manipulando informações, porque tinha o interesse de formar aliança com ela para “derrubar os opositores e alcançar promoção política”. Ele não teve o interesse de promover a moralização do Legislativo local, sinalizam os promotores, destacando que o interesse do vereador era “malicioso”, para garantir vantagem em relação aos adversários.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).