Morte do tesoureiro do PT, Márcio Machado da Silva, de São Gonçalo dos Campos ainda é mistério para a polícia

Vingança, assalto ou crime político. Todas estas possibilidades são investigadas pela polícia civil em São Gonçalo dos Campos, como motivações da morte brutal do tesoureiro do Partido dos Trabalhadores no município vizinho de Feira de Santana e distante 139 quilômetros de Salvador. Márcio Machado da Silva, 31 anos, conhecido como Nengo do Bar, foi executado a tiros em uma estrada vicinal, na noite de sábado.

Segundo as informações que a polícia conseguiu obter até a tarde de ontem, três homens armados invadiram por volta de 8:30 da noite a casa onde Márcio morava com a mulher Elisângela Santos Cardoso, 33 anos, no bairro da Cruz. Na chegada, renderam Márcio, exigiram dinheiro e pegaram objetos de pequeno valor, como celular. Mas também estupraram a mulher. O marido tentou reagir, foi dominado pelo bando e o casal levado para fora, até o carro da própria família. A mulher foi retirada de casa nua, enrolada em um lençol.

Ambos foram colocados no banco de trás do carro juntamente com um membro do bando. Os outros dois foram na frente. Após um tempo rodando por estradas de terra, ela foi jogada no porta malas e o carro prosseguiu. Mais adiante, pararam, retiraram Márcio, praticaram a execução, com pelo menos quatro tiros e andaram mais um pouco até libertar Elisângela, por volta de 10:30 da noite. O carro foi incendiado. A mulher buscou ajuda em uma fazenda próxima e antes da meia noite a polícia encontrou o corpo.

Os policiais ainda não sabem se o assassinato se deveu à reação ou se a morte de Márcio estava decidida previamente. A mulher passou informações à polícia mas ainda daria depoimento oficial na tarde de ontem. Ela não aceitou conversar com a imprensa. A um amigo da família que não quis se identificar e que está atuando na proteção dela, Elisângela disse que não tem condições de reconhecer os autores do crime, porque estava escuro e a luz foi apagada quando eles entraram. A residência fica em um bairro periférico, com as casas distantes umas das outras. Elisângela contou que um dos marginais ligou para outra pessoa, falando que estavam no local. Ela supõe que na estrada mais alguém se juntou ao trio inicial, mas não tem certeza.

O delegado do município, Jean Souza, observou que as características da ação indicam um crime passional motivado por vingança, em função da execução e do estupro da mulher da vítima.

José Carvalho, membro do diretório municipal do PT, afirma que não acredita em crime político. “Mas também nunca vimos nada de estranho na vida dele que pudesse levar a uma vingança”, analisa.

A sede do Partido dos Trabalhadores ostentou durante o dia de ontem pedaços de pano preto em sinal de luto. O enterro de Márcio, realizado pela manhã, levou muita gente às ruas, causando comoção. Ele era muito conhecido na comunidade, trabalhava com conserto de celulares. Foi candidato a vereador em 2008 e obteve 174 votos, 31º colocado, longe de uma vaga na Câmara, que tem apenas 13 vereadores.

*Com informações: Glauco Wanderley ( A Tarde )

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