Em entrevista, deputado José Cerqueira fala sobre indicação de Beldes Ramos, baixa qualidade do ensino médio e crise na expansão industrial de Feira de Santana

Zé Neto: "Tem muito que fazer, falta muito, mas é bom lembrar que os investimentos que teve, fomos nós que fizemos. Quando encontramos o CIS, estava para fechar, nós recuperamos, estamos funcionando. (Foto: Carlos Augusto | Guto Jads | Jornal Grande Bahia)

José Cerqueira Neto (Zé Neto): “Tem muito que fazer, falta muito, mas é bom lembrar que os investimentos que teve, fomos nós que fizemos. Quando encontramos o CIS, estava para fechar, nós recuperamos, estamos funcionando.

Deputado estadual e líder da maioria na Assembleia da Bahia, José Cerqueira Neto (Zé Neto, PT/BA), concede entrevista exclusiva ao diretor do Jornal Grande Bahia, Carlos Augusto. Onde discorre sobre: indicação de diretor para a DIREC 2, baixa qualidade do eniso médio e crise na expansão industrial de Feira de Santana, que comenta:

“Agora tem seis meses que o estado parou de investir porque tem um ajuste fiscal que todo mundo sabe. Agora, vocês precisam ouvir também o município, que reduziu de 1000 para 500 metros a cota lateral da BR-324. Atendendo interesses do setor imobiliário. E eu acho que tem que ter crescimento imobiliário na cidade. Tem que ter sim, é tanto que nós trouxemos sete mil casas para cá, junto com o governo federal.”

Jornal Grande Bahia – Deputado, a indicação Beldes Pereira Ramos é sua?

Zé Neto – Na verdade a indicação é do Partido dos Trabalhadores. Eu sou um militante do partido e tenho a honra e alegria de ser deputado estadual. Portanto, é uma situação que combinamos dentro do partido.

Ele [Beldes Pereira Ramos] já vinha trabalhando, já era um nome do partido. Teve à frente de pasta [direção temporária da DIREC 2], exerceu de forma muito digna a sua função, e se habilitou para continuar, agora, a direção.

Agradeço a Eutímio [ex-diretor da DIREC 2 – Diretoria Regional de Educação do Governo do Estado da Bahia], o trabalho realizado. Beldes tinha o que colher. Existe uma sequencia de coisas que já encontram uma base. Vamos tocar o trabalho.

JGB – A DIREC 2 volta nesse caso, então, ao comando do PT. Pois, em nível estadual a educação é controlada pelo Partido dos Trabalhadores?

Zé Neto – Não digo que volta o comando nem volta o controle. Porque na verdade nós temos uma gestão democrática. Que tem dialogado com todos, inclusive com algumas pessoas de Eliana Boaventura [filiada ao PP] que continuam no comando de ações dentro da DIREC 2. Vamos compartilhar, partilhar, dialogar, esse é o caminho mais importante de levar a educação ao patamar que merece.

JGB – Deputado, no ensino superior as universidades públicas estaduais estão com a boa qualidade. Mas, no ensino médio, a questão não anda bem. O senhor acredita que pode melhorar?

Zé Neto – É passo a passo. Nós temos investido demais no ensino como um todo. Estamos investindo acima da cota constitucionalmente estabelecida para educação. Nesse primeiro quadrimestre, e no ano passado não foi diferente.

Nós recuperamos 95% das escolas de Feira de Santana, que estavam todas sucateadas. E agora estamos vivendo uma nova fase, já fizemos concurso público. Com professores novos tomando posse, temos então, outro panorama. Ampliação de quatro mil para quase 70 mil o número de alunos matriculados nos cursos técnicos da Bahia.

JGB – A questão industrial, deputado, o senhor tem acompanhado, acompanhou as denúncias iniciais do Jornal Grande Bahia?

Zé Neto – Eu tenho acompanhado, mas não tem denúncia nenhuma. Não vejo denúncia nenhuma. Pelo amor de Deus. Passamos seis meses investindo e já parou tudo foi? Botamos R$ 5,2 milhões. Compramos áreas e pegamos R$ 3,5 milhões, colocamos infraestrutura, e investimos mais R$ 1,5 milhão.

Agora tem seis meses que o estado parou de investir porque tem um ajuste fiscal que todo mundo sabe. Agora, vocês precisam ouvir também o município, que reduziu de 1000 para 500 metros a cota lateral da BR-324. Atendendo interesses do setor imobiliário. E eu acho que tem que ter crescimento imobiliário na cidade. Tem que ter sim, é tanto que nós trouxemos sete mil casas para cá, junto com o governo federal.

Agora é preciso que a gente tenha consciência de que isso só se constrói compartilhando. O CIS tem que ser ajudado pelo município e estado, compartilhando as obrigações de cada um. E ai a gente constrói uma industrialização adequada.

Tem muito que fazer, falta muito, mas é bom lembrar que os investimentos que teve, fomos nós que fizemos. Quando encontramos o CIS, estava para fechar, nós recuperamos, estamos funcionando. Trouxemos muitas empresas, e realmente precisamos de outro investimento e de mais infraestrutura. De agosto em diante as torneiras serão reabertas e nós vamos fazer as coisas na hora certa.

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Perfil do Autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia).