Especial: Visita do presidente Barack Obama ao Brasil, 1º dia

Presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama, durante visita realizada ao Brasil, em 19 de março de 2011.

Presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama, durante visita realizada ao Brasil, em 19 de março de 2011.

A presidenta Dilma Rousseff cobrou hoje (19/03/2011) do presidente do Estados Unidos, Barack Obama, o fim de barreiras protecionistas a setores produtivos da economia americana, como condição para intensificar relações comerciais entre os dois países. Em declaração conjunta à imprensa no Palácio do Planalto, Dilma citou setores como o de biocombustíveis, especificamente o etanol, exportação de carne, algodão, suco de laranja e aço, produtos brasileiros que precisam enfrentar sobretaxas para entrar nos Estados Unidos.

“Somos um país que se esforça para sair de anos de baixo desenvolvimento. Por isso buscamos relações comerciais mais justas e equilibradas. Para nós, é fundamental que sejam rompidas as barreiras que se erguem contra nossos produtos”, defendeu a presidenta.

Dilma disse ainda que está preocupada com os “efeitos agudos gerados pelas crises recentes”, mas que reconhece os esforços feitos pelo presidente Barack Obama para dinamizar a economia norte-americana, abalada pela crise dos últimos anos.

“Preocupam-me os efeitos agudos decorrentes dos desequilíbrios econômicos gerados pela crise recente. Compreendemos o contexto dos esforços empreendidos por seu governo para a retomada da economia americana, algo tão importante para o mundo.”

O tom do discurso foi classificado pela própria presidenta como de franqueza. “Se queremos construir uma relação de maior profundidade, é preciso também com a mesma franqueza tratar de nossas contradições”, disse Dilma que chegou a falar da necessidade de “apreender com os erros”, ao tratar da necessidade de reforma dos fóruns internacionais. “Preocupa-me igualmente a lentidão das reformas nas instituições multilaterais que ainda refletem um mundo antigo” disse a presidenta.

Dilma citou a ampliação da participação de países emergentes como o Brasil no Banco Mundial e no Fundo Monetário Internacional (FMI), mas ressaltou que foram mudanças “limitadas e tardias”, se olhadas sob o contexto da crise econômica. A presidenta afirmou que o pleito do Brasil de ter assento permanente no Conselho de Segurança das Organizações das Nações Unidas (ONU) não é movido pelo “interesse menor da ocupação burocrática dos espaços de representação”.

“O que nos mobiliza é a certeza de que um mundo mais multilateral produzirá benefícios para a paz e harmonia entre os povos. Mais ainda, senhor presidente, nos interessa aprender com os nossos próprios erros”, disse a presidenta. “Foi preciso uma gravíssima crise econômica para mover o conservadorismo que bloqueava as reformas das instituições financeiras”, ressaltou.

Estados Unidos apoiam ascensão do Brasil no cenário internacional, diz Obama

Os Estados Unidos não apenas reconhecem a ascensão do Brasil como apoiam a inserção cada vez maior do país no cenário internacional, disse hoje (19) o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. O líder norte-americano, no entanto, não expressou apoio explícito à pretensão do Brasil de assumir um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU).

“Continuamos a trabalhar com Brasil para que reformas permitam tornar o Conselho de Segurança um órgão mais eficiente e eficaz”, limitou-se a dizer o presidente dos Estados Unidos. Ele afirmou ainda que o Brasil é um dos países líderes nas iniciativas para a governança aberta e transparente das Nações Unidas.

Apesar da cautela em relação à ampliação do Conselho de Segurança, Obama citou avanços na política externa brasileira. No discurso no salão leste do Palácio do Planalto, ele ressaltou as recentes reformas que fortaleceram a posição brasileira nos organismos multilaterais, como o G20, grupo das 20 maiores economias do mundo. “Os Estados Unidos não apenas reconhecem a emergência do Brasil, como apoia essa emergência. Por isso, transformamos o G20 no principal fórum econômico para que o Brasil tenha voz mais potente”, afirmou Obama.

Em relação à segurança, o presidente norte-americano mencionou o trabalho conjunto dos dois países para enfrentar a crise humanitária no Haiti, as parcerias para combate ao tráfico de drogas e anunciou a criação de um centro conjunto de segurança nuclear. Obama destacou a assinatura de acordos nas áreas de ciência e tecnologia, comércio e intercâmbio acadêmicas.

Nos Estados Unidos, mídia faz críticas à visita de Obama ao Brasil

Os principais veículos de comunicação dos Estados Unidos avaliaram hoje (19) como inoportuna a visita do presidente Barack Obama ao Brasil. Um dos argumentos usados foi a abstenção do Brasil na votação, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, sobre a resolução que cria uma zona de exclusão aérea na Líbia e permite uma intervenção contra as tropas de Muammar Khadafi – posição contrária à dos norte-americanos.

Na avaliação dos meios de comunicação norte-americanos, a viagem de Obama é como um ajuste nas relações com a América Latina. São muitos os motivos para melhorar as ligações com o Brasil, segundo os jornais, apesar de Obama não atender aos dois grandes desejos dos brasileiros: um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas e a retirada de taxas à importação do etanol.

O jornal Washington Post avaliou a viagem como controversa, mas destacou que o presidente tinha condições de “administrar” a crise na Líbia mesmo estando fora dos Estados Unidos, já que a maioria de seus assessores para segurança nacional integram a comitiva.

A rede de televisão CNN classificou a viagem de Obama ao Brasil de awkward, ou seja, inábil e desajeitada, por ocorrer dias depois da abstenção brasileira nas Nações Unidas e de o governo Obama ter anunciado na Casa Branca que estava formando uma coalizão forte para enfrentar a Líbia.

Para o canal de TV FoxNews, a viagem de Obama ao Brasil e a outros países da América do Sul é uma espécie de férias na região e uma tentativa de fugir dos problemas urgentes internos, como a crise com o orçamento, o risco de acidente nuclear grave no Japão e a crise na Líbia.

O jornal Miami Herald avaliou que a visita é um “pano de fundo da crise militar com a Líbia”. O jornal publicou fotos de protestos contra a viagem de Obama ao Brasil.

O conservador Weekly Standard sugeriu que Obama aproveitasse a visita para tratar com a presidenta Dilma Rousseff do apoio da Venezuela às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Para o jornal, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi incapaz de lidar com essa questão.

O jornal Los Angeles Times considerou a viagem “morna e convencional” e lembrou que a Colômbia, maior aliado dos Estados Unidos na América do Sul, ficou fora do roteiro. Segundo o jornal, a explicação é que o país vai sediar uma Cúpula das Américas no próximo ano e que há um tratado de livre comércio com os colombianos parado no Congresso americano.

No New York Times, o apoio de Obama ao pedido do Brasil de um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) foi “modesto”.

A mídia dos Estados Unidos manifestou também descontentamento com a presidenta Dilma Rousseff por ter se recusado a responder perguntas da imprensa, assim como com Obama.

Na avaliação dos meios de comunicação norte-americanos, a viagem de Obama é vista como um ajuste nas relações com a América Latina. São muitos os motivos para melhorar as ligações com o Brasil, segundo os jornais, apesar de Obama não atender aos dois grandes desejos dos brasileiros: a ambição de ter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e de retirar taxas à importação do etanol brasileiro.

Empresários brasileiros e norte-americanos fazem recomendações a Dilma e Obama em quatro áreas

Os presidentes das maiores empresas do Brasil e dos Estados Unidos se reuniram hoje (19) no Palácio Itamaraty e apresentaram aos presidentes norte-americano, Barack Obama, e Dilma Rousseff recomendações em quatro áreas: comércio e investimentos; educação; energia e ciência e tecnologia; e infraestrutura.

Segundo o presidente da empresa Cummins e do Fórum de CEOs Brasil-EUA pelo lado norte-americano, Tim Solso, foram apontados itens específicos de cada área que podem melhorar a relação econômica entre os dois países. Na área de comércio, foi colocada a necessidade das reformas tarifária e alfandegária, além do sistema de vistos. “O tempo de espera para os brasileiros pegarem o visto para ir aos Estados Unidos é muito longo e gostaríamos de ver uma consideração do processo de não exigência do visto”, afirmou.

Na área de infraestrutura, Solso disse que os empresários pedem reformas no sistema de licitações públicas para que empresas norte-americanas tenham mais possibilidades de participar. Em educação, o pedido é que haja uma isenção para investimentos no setor. “Nós vemos a educação como uma responsabilidade cooperativa e queremos fazer mais do que já fazemos hoje”, afirmou. Também foi incluída a recomendação de incremento da cooperação no desenvolvimento de energias limpas.

O presidente do fórum pelo lado brasileiro e da Coteminas, Josué Gomes da Silva, disse que as recomendações foram “amplamente aceitas” pelos presidentes, que, antes mesmo de as receberem, fizeram discurso tocando nos principais pontos apresentados. “Isso significa que há uma sintonia entre os governos e os setores privados dos dois países no que precisa ser feito para alcançarmos uma integração econômica e comercial cada vez maior.”

Na avaliação do presidente da Coteminas e filho do ex-presidente José Alencar, os principais destaques levantados pelo fórum foram as áreas de ciência e tecnologia e educação. “O ponto de destaque em que eu acho que os dois países podem cooperar muito mais e trazer efeitos grandes para as nossas sociedades é ciência e tecnologia e educação”.

Ele disse que o Brasil é líder na produção de petróleo em águas profundas e que, com a cooperação tecnológica com empresas dos Estados Unidos, a exploração do pré-sal poderia ser feita num tempo menor. Desde que o fórum foi criado, em 2007, esta é a sexta vez que os empresários das principais empresas dos dois países se reuniram.

Obama autoriza, no Brasil, uso da força militar contra Khadafi

Forças dos Estados Unidos e de mais quatro países iniciaram ataques contra as tropas do líder líbio Muammar Khadafi, segundo informou o presidente Barack Obama, em um comunicado a jornalistas norte-americanos que acompanham a visita dele ao Brasil. A força de coalizão é formada por Inglaterra, França, Itália e Canadá, além dos EUA.

De acordo com Obama, o uso da força não era a primeira opção dos norte-americanos. Porém, ele lembrou que a comunidade internacional deu um prazo para Khadafi cessar fogo contra os insurgentes. Segundo Obama, o ultimato foi ignorado pelo líder líbio. O presidente afirmou que ação militar é para defender o povo líbio dos ataques das forças de Khadafio e, também, os interesses dos Estados Unidos e dos países da coalizão.

“Estamos respondendo aos pedidos do povo e reagindo contra uma ameaça ao mundo e aos Estados Unidos”, afirmou Obama em comunicado gravado em Brasília e transmitido pelas redes de televisão dos Estados Unidos. “Tenho consciência dos riscos de uma ação militar. Quero que o povo americano saiba que o uso da força não foi nossa primeira opção”.

Obama informou que soldados americanos não serão usados para combates em terra. As ações militares estão concetradas em ataques aéreos e de navios de guerra, com o objetivo de gatrantir a zona de exclusão aérea aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas na última quinta-feira (17) e proteger a população civil de ataques das forças leais ao governante líbio.

Mais cedo, o Ministério da Defesa da França informou que caças franceses atacaram veículos militares líbio.

Governo avalia como positiva visita de Obama ao Brasil

A visita ao Brasil do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deixa um saldo positivo. A avaliação é do governo brasileiro, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Tovar Nunes. O diplomata disse que os reflexos da visita estão presentes nas perspectivas de ampliação do diálogo entre norte-americanos e brasileiros, o reconhecimento do Brasil no cenário mundial e a troca de tecnologia para pesquisas sobre pré-sal.

Tovar afirmou que nas conversas e nos discursos de hoje (18), Obama surpreendeu os brasileiros. “A visita foi mais positiva do que se esperava porque houve interação do diálogo, reconhecimento do Brasil como ator global e sinalizações para a troca de tecnologia para o pré-sal”, disse ele.

Ao longo do dia, Obama reiterou o interesse norte-americano em ampliar as parcerias econômicas e comerciais com os brasileiros. Ele destacou que é favorável à reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas e apoia o pleito brasileiro, mas não foi objetivo ao citar a candidatura do Brasil, que deseja ser membro permanente do órgão.

O presidente norte-americano afirmou também que o Brasil e os Estados Unidos têm vários aspectos comuns e agradeceu a forma como os brasileiros o receberam. Em português, ele disse que foi “simpático” o modo como o Brasil o recepcionou.

Obama e Dilma se reuniram sozinhos, depois de uma conversa da qual participaram os ministros Guido Mantega (Fazenda), Antonio Palocci (Casa Civil), Antonio Patriota (Relações Exteriores), Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), além do assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia.

Dilma e Obama falam sobre Líbia momentos antes de comunidade internacional iniciar ofensiva a país

Por alguns minutos, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a presidenta Dilma Rousseff conversaram hoje (19) sobre o agravamento da crise na Líbia. Para Obama, as circunstâncias obrigam a uma “pré-intervenção” no país africano, enquanto Dilma advertiu que a ação militar na região pode levar ao acirramento da violência.

A Líbia foi assunto da reunião dos dois presidentes, no Palácio do Planalto. O norte-americano reiterou que os abusos e as violações de direitos humanos cometidos por forças leais ao presidente líbio, Muammar Khadafi, são inadmissíveis. Dilma demonstrou concordar, mas alertou que a intervenção pode gerar mais violência no país.

A conversa dos dois presidentes ocorreu antes de a comunidade internacional iniciar a ofensiva militar sobre a Líbia, com o lançamento de mísseis. Não houve manifestação oficial do governo norte-americano até as 17h.

No último dia 17, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou – com 10 votos favoráveis e 5 abstenções, inclusive a do Brasil, a resolução que estabelece uma zona de exclusão aérea na Líbia e autoriza “todas as medidas necessárias” para “proteger civis e áreas habitadas [por civis]” de ataques das forças de Khadafi.

O Brasil, a China, a Índia, a Rússia e a Alemanha se abstiveram na votação. De acordo com diplomatas, a posição brasileira é uma forma de demonstrar que o uso da força não é o ideal no momento. A abstenção, neste caso, segundo eles, significa que o Brasil acreditava que havia espaço para a busca do diálogo como mecanismo para o cessar-fogo.

Obama destaca estabilidade do Brasil para fornecer energia e criar empregos nos EUA

Com um mercado consumidor de quase 200 milhões de habitantes, estabilidade democrática e potencial energético, a economia brasileira pode servir de fonte de criação de empregos nos Estados Unidos. Essa foi a mensagem passada pelo presidente norte-americano, Barack Obama, em encontro com empresários dos dois países promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O presidente norte-americano também destacou a importância do Brasil no fornecimento de energia para a maior economia do mundo. Segundo ele, a extração do petróleo da camada pré-sal consolidará a importância do Brasil nessa área.

“Podemos ajudar a fornecer tecnologia para extrair o petróleo. Quando o Brasil começar a vendê-lo, queremos ser os melhores fregueses. A instabilidade em algumas regiões do mundo afeta o preço do petróleo. Os Estados Unidos ficariam felizes se encontrassem uma fonte estável e segura de energia”, disse.

Segundo Obama, a cada US$ 1 milhão que o Brasil importa dos Estados Unidos, cinco empregos diretos são criados em território norte-americano. Atualmente, afirmou o presidente, os EUA vendem US$ 50 bilhões em bens e serviços por ano ao Brasil, o que gera 250 mil postos de trabalho lá.

Para o presidente norte-americano, o intercâmbio comercial e de investimentos estrangeiros diretos é vantajoso para os dois lados. Obama lembrou que as filiais de empresas brasileiras no exterior foram responsáveis por 42 mil postos de trabalho nos Estados Unidos em 2008.

“A economia não é uma via de mão única. Os Estados Unidos são o segundo maior mercado de exportação do Brasil e diversas empresas brasileiras investem nos Estados Unidos, principalmente em siderurgia e informática”, disse Obama.

“Queremos fortalecer elos econômicos para permitir mais oportunidades para ambos os países. Temos oportunidade para vender para um dos maiores países com um mercado de 200 milhões de consumidores”, destacou o presidente.

Em relação às empresas norte-americanas no Brasil, Obama lembrou que os setores de telecomunicações e energia são os que mais recebem investimentos dos Estados Unidos. Segundo ele, esse potencial pode ser ampliado com investimentos em infraestrutura para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, além do fornecimento de tecnologia para a exploração de petróleo na camada pré-sal.

Depois de discursar, Obama se reuniu brevemente com empresários norte-americanos e cinco empresários brasileiros: Roger Agnelli, da mineradora Vale; José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras; Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp); Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, e Robson Andrade, presidente da CNI.

Obama diz que é bom investir no Brasil e promete tratar o país como trata Índia e China

Às 16h04, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, começou a discursar na Cúpula Empresarial Brasil-Estados para cerca de 400 empresários dos dois países. Durante 18 minutos, Obama disse que investir no Brasil é vantajoso para os Estados Unidos, no atual cenário econômico. “Nunca houve momento tão promissor para o Brasil. É a sétima economia no mundo e a que mais cresce”, disse. Com tantos eventos previstos para o Brasil nos próximos anos, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, nem a derrota de Chicago na disputa pela sede olímpica fez com que Obama deixasse de pensar nas oportunidades de negócios que os eventos vão abrir.

“Me dói ainda saber que as Olimpíadas vêm para cá, não para Chicago, minha cidade natal. Apesar de termos perdido o concurso, os americanos não vão ficar só como expectadores. O Brasil vai gastar milhões de dólares para realizar esse evento e os EUA estão prontos para ajudar com engenharia e tecnologia”, afirmou.

O presidente norte-americano reconheceu a importância do Brasil na economia mundial. “Dizem que o Brasil é o país do futuro. Bem… o futuro chegou. Apesar da incerteza dos últimos dois anos, o Brasil entrou como potência mundial no cenário econômico. Não há nenhuma dúvida que EUA e Brasil se beneficiam com acordos bilaterais. Fortalecendo indústria e comércio o resultado será positivo para ambos países”, afirmou. Ele também atribuiu o resultado positivo ao “trabalho “árduo e à perseverança do povo brasileiro”.

Durante o discurso, Obama defendeu a democracia dos dois países e destacou que pretende ajudar o Brasil a se destacar ainda mais no cenário global. “Os EUA apoiam a emergência do Brasil como potencia econômica. Por isso privilegiamos reuniões como o G20, como lugar de discussões internacionais, apoiamos papel maior para o Brasil no Banco Mundial”, frisou. O presidente dos EUA destacou que o primeiro país a ser visitado por ele, na América Latina, foi escolhido estrategicamente. “Estamos procurando parceria maior”, acrescentou. E disse que está na hora de os Estados Unidos dar ao Brasil o mesmo tratamento dispensado à Índia e China.

No início do discurso, o líder do governo americano lamentou não ter conhecido o carnaval brasileiro. “Lametamos perder a festa, porque viemos algumas semanas depois do carnaval. Mas, se tivesse vindo antes, não teríamos trabalhado tanto”, brincou.

Dos ex-presidentes convidados, apenas Lula não foi ao almoço em homenagem a Obama

A visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conseguiu reunir em um mesmo ambiente, o Palácio do Itamaraty, em Brasília, a presidenta Dilma Rousseff e quatro ex-presidentes da República: Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) , Itamar Franco (PPS-MG), Fernando Collor (PTB-AL) e José Sarney (PMDB-AP). O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) não compareceu ao almoço oferecido em homenagem ao líder norte-americano. Ex-ministro do governo Lula, o atual governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), justificou a ausência como uma forma de evitar “dupla representação”.

Para Fernando Henrique Cardoso, o convite feito por Dilma foi uma “gentileza”, pois há assuntos, de acordo com ele, que vão além das divergências partidárias. A exemplo dele, Itamar brincou com o fato de ter sido convidado pela presidenta, alvo de críticas dele durante a campanha eleitoral. Segundo o senador mineiro, foi um convite “diferente”, mas não inusitado.

Aliado do goveno, Sarney destacou a relevância da visita de Obama ao Brasil como um fato que merece destaque por causa do papel que o país passou a desempenhar no cenário internacional.

FHC defende relação civilizada entre os ex-presidentes da República e a atual chefe de Estado

Convidado pelo governo brasileiro para a recepção oferecida ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no Palácio Itamaraty, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje (19) que deve existir uma relação civilizada entre os ex-presidentes da República e o atual chefe de Estado. “Temos que ter uma relação. Não é necessário tratar um como Deus e outro como demônio. Aí não dá”, afirmou.

Fernando Henrique considerou uma “gentileza” o convite feito a ele pela presidenta Dilma Rousseff para participar da cerimônia de recepção a Obama no Palácio Itamaraty. “Em matéria de Estado, quando está representando o país, não cabem divisões partidárias. A presidente Dilma demonstrou que tem compreensão correta dessa matéria”, disse.

O ex-presidente disse que Dilma deve manter a firmeza no pleito para o Brasil ter assento permanente no Conselho de Segurança das Organizações das Nações Unidas (ONU). “O discurso de interesse do Brasil tem que ser duro, tem que dizer as verdades como são, quais são os nossos interesses”.

Bem-humorado, Fernando Henrique brincou com as diferenças de estilo entre Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula. “É que o Lula é meu amigo de tantos anos atrás e achou que não era necessário”, disse. “O Lula, quando eu era presidente, esteve comigo muitas vezes”, afirmou ele, encerrando o assunto.

Dilma e Obama trocam elogios e citam JK e Martin Luther King

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a presidenta Dilma Rousseff trocaram hoje (19) elogios, citando líderes que se tornaram referências. Obama mencionou o ex-presidente Juscelino Kubitschek, fundador de Brasília, que ele disse representar o “nascimento de um novo dia”. Dilma retribuiu mencionando o ativista político norte-americano Martin Luther King, um dos principais defensores dos direitos dos negros nos Estados Unidos.

“É natural que sejamos parceiros próximos e avancemos juntos”, afirmou Obama, referindo-se à proximidade dos Estados Unidos com o Brasil. “O que é Brasília senão o nascimento de um novo dia para o Brasil? Os Estados Unidos querem ajudar o Brasil a atingir todo o seu potencial. Juntos, podemos ir além. Que esse novo dia possa dar aos brasileiros a luz e o progresso da paz.”

Antes do almoço no Palácio Itamaraty, durante o brinde, Obama citou frases de JK. “Que esse novo dia do Brasil possa dar aos brasileiros a luz do progresso e da paz”. Segundo o presidente, os Estados Unidos veem “com bons olhos” a independência e o crescimento do Brasil e querem cooperar com esse processo de desenvolvimento.

Dilma disse ter “celebrado” o fato de a primeira mulher presidenta do Brasil receber o primeiro presidente afrodescendente dos Estados Unidos. “Os dois países são os com maior quantidade de negros fora da África. Somos democracia multiétnica, com história de luta contra desigualdades e discriminação”, afirmou ela.

Em seguida, a presidenta mencionou as semelhanças entre a ideologia pregada por Luther King, nos anos 60 nos Estados Unidos, em defesa do fim da discriminação racial, e a que se vive e pensa no Brasil. “Temos orgulho de viver em paz há um século. O sonho de Martin, que é o mesmo dos brasileiros, é o sonho de liberdade, harmonia e se permite acrescentar de paz”, disse Dilma.

Dilma pede a Obama regras mais transparentes para exportações

A presidenta Dilma Rousseff cobrou hoje (19) “regras mais transparentes” em relação à Rodada Doha e “fluxos mais equilibrados tanto em termos quantitativos quanto qualitativos”. Dilma fez a cobrança em discurso no Palácio Itamaraty, ao lado do presidente norte-americano, Barack Obama.

A cobrança de Dilma é uma resposta aos apelos do empresariado nacional. Os empresários brasileiros reclamam das barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos aos produtores do Brasil, principalmente no que refere ao aço, suco de laranja e à carne bovina.

A presidenta ressaltou que o Brasil vem apresentando “desenvolvimento sustentável com respeito ao meio ambiente”, com sua matriz energética renovável, e está disposto a fazer uma parceria energética com os Estados Unidos tanto no pré-sal quanto em energias limpas.

Em meio aos esforços para avançar na reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas de tal maneira que o Brasil consiga ocupar um assento permanente, Dilma destacou a posição pacífica do país. “Temos orgulho de viver em paz há mais de um século com todos os nossos dez vizinhos”, afirmou.

Ela ressaltou que o Brasil intensifica as parcerias desenvolvidas na África e no Oriente Médio e a participação para um acordo de paz entre israelenses e palestinos. A presidenta reiterou as demandas do governo brasileiro antes do brinde que ofereceu em homenagem a Obama e sua família.

Dilma diz a Obama que tradição de paz do Brasil credencia o país para a ONU

Ao fazer uma declaração conjunta, ao lado do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a presidenta Dilma Rousseff afirmou hoje (19) que a tradição pacífica do Brasil credencia o país a participar de uma necessária reforma na Organização das Nações Unidas (ONU). A reforma mencionada pela presidenta refere-se a uma maior participação dos países emergentes, como o Brasil, no Conselho de Segurança da ONU.

“No caso da reforma da ONU, temos a oportunidade de nos antecipar. Esse país tem compromisso com a paz, com a democracia e com o consenso. Esse compromisso não é algo conjuntural, mas é integrante dos nossos valores: tolerância, diálogo, flexibilidade. É princípio escrito na nossa Constituição, na nossa história, na própria natureza do povo brasileiro. Temos orgulho de viver em paz com os nossos dez vizinhos há mais de um século”, disse a presidenta, que citou a atuação do Brasil para consolidar no continente a União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

Dilma informou ao presidente sobre o tratado de constituição da Unasul que entrou em vigor nesta semana e disse que o país está “empenhado” na consolidação da instituição no continente. “O Brasil está empenhado na consolidação de um enredo de paz, segurança e democracia, cooperação e crescimento com justiça social. Nesse ambiente é que devem frutificar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos”, disse a presidenta na declaração conjunta no Palácio do Planalto.

Já Obama adotou um tom mais cauteloso ao falar da vontade do Brasil de ter um assento permanente no conselho. Ele não negou, mas também não deu apoio explícito. “Continuamos a trabalhar com o Brasil para que reformas permitam tornar o Conselho de Segurança um órgão mais eficiente e eficaz”, disse o presidente dos Estados Unidos após a declaração de Dilma.

Ao falar das relações que pretende estabelecer com o governo dos Estados Unidos, Dilma ressaltou que espera que seja uma “relação entre iguais”. “Tem que ser uma construção entre iguais, por mais distintos que sejam esses países em território, população, capacidade produtiva e poderio militar. Somos um país de dimensões continentais, que trilham o caminho da democracia. Somos multiétnicos e em nosso território convivem distintas e ricas culturas, cada um à sua maneira”.

“Vejo com muito otimismo nosso futuro comum. No passado, esse entendimento esteve muitas vezes encoberto por uma retórica vazia que iludia o que estava verdadeiramente em jogo entre nós. Uma aliança entre os nossos dois países, sobretudo, se ela se pretende estratégica, é uma construção comum”, ressalvou a presidenta.

*Com informações da Agência Brasil.

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Presidente Barack Obama durante visita realizada ao Brasil, em 19 de março de 2011
Presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama, durante visita realizada ao Brasil, em 19 de março de 2011
Presidente Barack Obama durante visita realizada ao Brasil, em 19 de março de 2011 (3)
Presidentes Barack Obama e Dilma Rousseff
Presidentes Barack Obama e Dilma Rousseff
Presidentes Barack Obama e Dilma Rousseff, e a primeira-dama Michelle Obama

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