Morre em São Paulo o ex-vice-presidente José Alencar; confira especial sobre ex-presidente

Velório do ex-vice-presidente da República José Alencar Gomes da Silva no Palácio da Liberdade, Belo Horizonte, Minas Gerais.

Velório do ex-vice-presidente da República José Alencar Gomes da Silva no Palácio da Liberdade, Belo Horizonte, Minas Gerais.

Velório do ex-vice-presidente da República José Alencar Gomes da Silva no Palácio da Liberdade, Belo Horizonte, Minas Gerais.

Velório do ex-vice-presidente da República José Alencar Gomes da Silva no Palácio da Liberdade, Belo Horizonte, Minas Gerais.

Presidenta Dilma Rousseff, o ex-vice-presidente José Alencar e o ex-presidente Lula durante cerimônia de entrega da Medalha 25 de Janeiro.

Presidenta Dilma Rousseff, o ex-vice-presidente José Alencar e o ex-presidente Lula durante cerimônia de entrega da Medalha 25 de Janeiro.

O ex-vice-presidente da República e empresário José Alencar morreu há pouco, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. A morte do político, que faria 80 anos em outubro, foi confirmada pela assessoria de imprensa do hospital.

Alencar foi internado às pressas ontem (28/03/2011), no início da tarde, com um quadro de obstrução intestinal. Há mais de uma década, ele lutava contra um câncer no intestino.

O diretor-técnico do Sírio-Libanês, Antônio Carlos Onofre de Lira, e o diretor-clínico, Paulo Ayrosa Galvão, assinam nota, divulgada depois das 15h, em que afirmam que Alencar morreu às 14h41 desta terça-feira, “em decorrência de câncer e falência de múltiplos órgãos.”

Alencar, de balconista a empresário e vice-presidente da República

O ex-vice-presidente José Alencar Gomes da Silva nasceu no vilarejo de Itamuri, no município de Muriaé, na Zona da Mata de Minas Gerais, em 17 de outubro de 1931. Era o 11º filho de um total de 15 do comerciante Antônio Gomes da Silva e da dona de casa Dolores Peres Gomes da Silva.

Em 2003, Alencar foi eleito vice-presidente na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O empresário mineiro teve papel fundamental para que Lula ganhasse a confiança do empresariado durante a campanha eleitoral. Em 2006, foi reeleito para o cargo.

No governo, Alencar acumulou a Vice-Presidência com o cargo de ministro da Defesa, de 2004 até março de 2006, quando se licenciou do ministério para concorrer novamente às eleições presidenciais.

Filiado ao Partido Republicano Brasileiro (PRB), Alencar fez várias críticas à política econômica adotada pelo Conselho de Política Monetária (Copom) e virou símbolo dos que pediam a redução da Taxa Básica de Juros (Selic).

Alencar deixou a casa dos pais aos 14 anos para ser balconista da loja de tecidos A Sedutora, em Muriaé. Dois anos depois, mudou-se para Caratinga (MG), onde continuou a trabalhar como vendedor.

Quando completou 18 anos, Alencar foi emancipado pelo pai, pegou dinheiro emprestado com o irmão mais velho, Geraldo Gomes da Silva, e abriu o próprio negócio. Em 31 de março de 1950, abriu a primeira empresa A Queimadeira, onde vendia tecidos, calçados, chapéus, guarda-chuvas e sombrinhas. Para economizar, morava na própria loja.

Com o apoio dos irmãos, o ex-vice presidente manteve a loja até 1953, quando decidiu vendê-la e mudar de ramo. Tornou-se representante comercial de um fabricante de tecidos do Rio de Janeiro, trabalhou na área de cereais e foi sócio de uma fábrica de macarrão. Em 1959, o irmão mais velho de Alencar morreu em Ubá, também em Minas, e ele assumiu os seus negócios.

Em 1967, em parceria com o empresário de beneficiamento de algodão e deputado Luiz de Paula Ferreira, Alencar fundou, em Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas, a Coteminas, que se tornaria um dos maiores grupos têxteis do Brasil. Em 1975, ele inaugurou a mais moderna fábrica de fiação e tecidos do país. A Coteminas tem fábricas de fios, tecidos, malhas, camisetas, meias, toalhas de banho e de rosto, roupões e lençóis para o mercado interno. O grupo ainda tem cinco unidades nos Estados Unidos, uma na Argentina e uma no México.

O ex-vice-presidente atuou em entidades representativas do empresariado. Foi presidente da Associação Comercial de Ubá e da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), além de vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Na vida política, em 1994, candidatou-se ao governo de Minas e, em 1998, elegeu-se senador pelo PMDB, com quase 3 milhões de votos.

No Senado, foi presidente da Comissão Permanente de Serviço de Infraestrutura e membro da Comissão Permanente de Assuntos Econômicos e da Comissão Permanente de Assuntos Sociais.

Desde 1997, o vice-presidente lutava contra o câncer. Fez tratamento no Brasil e nos Estados Unidos. Ao todo, ele passou por 17 cirurgias. Alencar era casado com Mariza Campos Gomes da Silva, com quem teve três filhos: Josué Christiano, Maria da Graça e Patrícia.

Ex-vice presidente José Alencar será velado amanhã no Palácio do Planalto

O ex-vice-presidente José Alencar será velado amanhã (30) no Salão Nobre do Palácio do Planalto. Ao ser informada sobre a morte, a presidenta Dilma Rousseff falou, por telefone, com o filho de Alencar, Josué Alencar, e ofereceu o Palácio do Planalto para a cerimônia. A informação é da Presidência da República.

Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão em Portugal e retornam amanhã ao Brasil. A previsão é que a presidenta e Lula cheguem ao país no início da noite.

Alencar morreu às 14h41 de hoje, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Ele foi internado no início da tarde de ontem (28), com um quadro de obstrução intestinal. Há mais de uma década, o ex-vice-presidente lutava contra um câncer no intestino.

Parlamentares homenageiam José Alencar

Parlamentares de todos os partidos prestaram hoje homenagem a José Alencar, ex-vice-presidente da República. Os congressistas foram unânimes nos elogios ao homem público e ao empresário José Alencar e, também, no sentimento de pesar pela morte dele. “O sentimento que toma conta de todos os brasileiros é de quem perdeu uma de suas figuras mais ilustres, um guerreiro, um lutador que demonstrou mesmo nas adversidades no enfrentamento do câncer, uma garra e resistência enorme”, disse o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS).

Maia também ressaltou o espirito de lealdade de Alencar ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Brasil. “Ele foi sempre muito fiel ao presidente Lula. Ele soube abrir mão de suas convicções para defender as convicções do Brasil. Quando ele falava da redução da taxa de juros, foi um sentimento patriótico de quem sabia que diminuir juros significa melhorar a vida das pessoas”.

O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que José Alencar era como se fosse uma pessoa da família de cada brasileiro, “uma parte de nós”. “Essa é uma grande perda para o Brasil e para cada um de nós. Alencar era uma figura extraordinária, exemplo de vida política, social, cultural, e uma parte do Brasil se foi com ele”.

O presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), lamentou a morte de Alencar e disse que ele vai fazer falta ao país. “Era uma pessoa correta, limpa e que serviu ao Brasil o tempo todo. Um homem que honrou o Brasil e, neste momento da vida brasileira, um homem como ele vai fazer muita falta”.

Para o líder do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira (SP), José Alencar deixou para os brasileiros um grande exemplo não só como político e empresário, mas como um homem de muita sensibilidade social, que soube colocar em muitos momentos suas posições antagônicas, demonstrando ter muita personalidade e convicção no que acreditava. “Ele passa para a história como um homem de valor, de princípios e que, na vida pública, construiu exemplos e ofereceu a todos um legado de realização e conduta de vida no enfrentamento de adversidade”.

O senador Itamar Franco (PPS-MG), que era amigo pessoal de José Alencar, disse que a morte do conterrâneo é uma perda incomensurável para Minas Gerais e para o Brasil. “Eu tive com ele uma grande fraternidade, por longo tempo. Fizemos juntos uma campanha muito difícil, eu disputando o governo de Minas e ele o Senado”. Itamar disse que como presidente da República chegou a convidar José Alencar para ser seu ministro da Indústria e Comércio, mas que ele agradeceu, disse que gostaria de aceitar, mas que não poderia porque queria ser candidato ao governo de Minas Gerais.

Confira imagens do funeral de José Alencar

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Funeral de José Alencar Gomes da Silva
Funeral de José Alencar Gomes da Silva
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Presidenta Dilma Rousseff, o ex-vice-presidente José Alencar e o ex-presidente Lula

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