Vereador feirense Roberto Tourinho diz que governo de Tarcízio Pimenta mantém-se em silêncio com relação às denúncias do Caso Subaé Brasil

Roberto Tourinho: “O chefe do gabinete do prefeito em uma nota completamente atrapalhada disse que a prefeitura já havia rescindido qualquer tipo de contrato com o Subaé Brasil.”.

Roberto Tourinho: “O chefe do gabinete do prefeito em uma nota completamente atrapalhada disse que a prefeitura já havia rescindido qualquer tipo de contrato com o Subaé Brasil.”.

Em entrevista exclusiva ao Jornal Grande Bahia (JGB), o líder da bancada oposicionista, Roberto Tourinho (PSB) falou sobre a situação em que se encontra as denúncias feitas na câmara municipal sobre a utilização de laranja na administração municipal de Feira de Santana, “Nós fizemos a denúncia aqui na câmara e estamos no aguardo de junção de alguns documentos. A exemplo, do comprovante da sua nomeação na prefeitura, a fotografia para tipificar exatamente a baixa situação econômica da pessoa, o que seria incompatível justificar uma quantia tão vultosa de quase R$ 1.700.000.”

JGB – O senhor poderia prestar esclarecimentos sobre a denúncia de desvio de dinheiro e utilização de um laranja na administração municipal feirense?

Roberto Tourinho – Na realidade nós denunciamos o fato de que uma pessoa, comprovadamente, de pouco poder aquisitivo, ligado ao prefeito do município porque era o seu motorista particular, bem como da família do prefeito. Essa pessoa sacou no Banco Subaé Brasil a quantia de quase R$ 1.700.000 durante o período da intervenção do banco.

Comprovadamente, uma pessoa que mora num bairro humilde de Feira de Santana, em condições modestas e que causa estranheza alguns aspectos. Primeiro esse saque durante o período da intervenção. Segundo, a grande quantia de recursos. Terceiro, o pouco poder aquisitivo da pessoa.

Além disso, essa mesma pessoa, nomeado na prefeitura, ocupando um cargo de confiança. Cargo esse que há muito tempo, e principalmente após a nossa denúncia, não é ocupado pelo motorista e o poder público não o exonera, apesar de que qualquer pessoa deixe de comparecer ao seu trabalho por trinta dias é considerado abandono de serviço.

Nós fizemos a denúncia aqui na câmara e estamos no aguardo de junção de alguns documentos. A exemplo, do comprovante da sua nomeação na prefeitura, a fotografia para tipificar exatamente a baixa situação econômica da pessoa, o que seria incompatível justificar uma quantia tão vultosa de quase R$ 1.700.000.

Ainda esta semana estaremos enviando os documentos à procuradoria de Feira de Santana para que sejam adotadas as devidas providências e apurações que o fato requer.

JGB – A administração municipal manifestou alguma defesa diante as acusações ou, simplesmente, manteve o silêncio?

Roberto Tourinho – Silenciou por completo. O chefe do gabinete do prefeito em uma nota completamente atrapalhada disse que a prefeitura já havia rescindido qualquer tipo de contrato com o Subaé Brasil. A prefeitura tinha uma conta lá no Subaé Brasil e que essa conta foi fechada e que a prefeitura não teve prejuízo nenhum. A minha discussão não é essa.

A minha discussão reside, exatamente, no momento em que o banco estava de intervenção e que uma pessoa humilde, ligada ao prefeito, faz um saque de quase R$ 1.700.000, sendo o seu salário inferior a R$ 1.000. Então, tudo isso são indícios fortes de dinheiro de origem duvidosa ou fraudulenta, ato ilícito.

Saiba +

A abertura da Cooperativa Subaé Brasil se deu por volta de Fevereiro/Março de 2001. A cooperativa surgiu como resultado da insatisfação da comunidade de produtores rurais do município de Serra Preta, apoiados pelo Sindicato de Produtores Rurais daquele município.

Naquela época já existia funcionando na sede do município uma agencia filial da cooperativa Sicoob (Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil) Feira desde 1998, da qual todos os produtores rurais do município e região já eram associados.

Daí então, devido à insatisfação e demandas não atendidas pela referida cooperativa, os produtores começaram um movimento em prol da desfiliação do quadro dessa cooperativa e a possível abertura de outra fundada por eles mesmos, a qual viesse atender os seus anseios e necessidades. Tal movimento culminou com a inauguração da Cooperativa de Credito Rural do Vale do Subaé, no ano de 2001.

Processo de fundação

Para que se conseguisse fundar esta cooperativa foi necessário um longo processo de negociações com o pessoal do Sicoob Feira, após varias tentativas de resgate das cotas capital dos associados, moradores de Serra Preta, da cooperativa Sicoob Feira a qual dificultava por vários meios à liberação das respectivas cotas capital daqueles associados.

Mas depois de varias negociações os produtores se reuniram, conseguiram emprestado dois ônibus, encheram de produtores rurais da região e foram todos de uma vez , à sede da Cooperativa Sicoob em Feira de Santana, entraram todos de uma vez naquela agencia e exigiram a assinatura do documento de desligamento, e resgate de suas cotas capital transferindo-as para a recém fundada Sicoob Subaé, como sede na cidade de Serra Preta, no mesmo endereço onde funcionava a antiga filial da Sicoob Feira naquela cidade que havia desativado aquela filial.

A cooperativa foi aberta contando com grandes dificuldades com um capital inicial de R$ 3.000. Em 22 de outubro 2001, com apoio da Prefeitura Municipal de Feira de Santana, através do Prefeito Jose Ronaldo de Carvalho, foi aberta a primeira filial da Subaé Brasil no Centro de Abastecimento.

A cooperativa Subaé Brasil chegou a ter várias agências, sendo elas em: Conceição do Jacuípe, Conceição da Feira, Santo Amaro da Purificação e em Feira de Santana, no centro e nos bairros Cidade Nova e Tomba.

Crise

Em 2009, no governo de Tarcízio Pimenta, a prefeitura rescindiu contrato com a instituição. O Banco Subaé Brasil mantinha contrato com a prefeitura, assim como outras instituições financeiras, fazendo parte da rede de arrecadação de impostos e tributos. O contrato com o Banco Subaé Brasil foi rescindido de forma unilateral.

Desde novembro de 2009 a Cooperativa Subaé Brasil encontra-se sob o comando do liquidante José Humberto Silva e Lima, que, desde que chegou, procurou fazer um levantamento de todo passivo da cooperativa para respaldar o relatório feito para o Banco Central. Após o levantamento de funcionamento da cooperativa, dos últimos meses do ano de 2009, foi encontrado um passivo a descoberto muito alto, que ele entendeu ser irrecuperável.

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